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A mostrar mensagens de 2005
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CAROLINA

Participo a todos os meus amigos e a todas as minhas amigas o nascimento de Carolina, minha primeira neta, no dia 22 de Dezembro pelas 17H14, com 2,740Kgs. É muito linda. Foi a melhor prenda de Natal.

A Carolina envia um beijinho a todos os visitantes do "Beja" e deseja que todos tenham um Feliz Natal e um Bom Ano Novo.
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Desejo que neste Natal,
antes de perceber Jesus nas luzes que piscam pela cidade,
O encontre primeiramente em seu coração.
E, à frente de qualquer palavra que expresse seu desejo de um feliz Natal,
O encontre em suas acções.

Que O encontre não só na alegria que sente ao sair das lojas
com presentes para as pessoas que ama, mas também
na feição triste da criança abandonada nas ruas,
na qual muitas vezes esbarra apressadamente.

Que encontre Jesus no momento em que pegar nas mãozinhas
delicadas de seu filho, lembrando-se das mãozinhas pedintes,
quase sempre sujas de calçada, que só sabem o que significa rudeza.

Que O encontre no abraço de um amigo,
lembrando-se dos tantos que só têm a solidão como companheira.

Que O encontre na feição do idoso da sua família,
lembrando-se daqueles que tanto deram de si a alguém,
e hoje são esquecidos até pela sociedade.

Que O encontre na lembrança suave e sempre viva
daquela pessoa querida que já não está mais fisicamente ao seu lado,
lembrando-se daqueles que já nem se…
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Só mais uma vez...


Queria apenas por um momento,
Poder apagar o passado,
Poder estar ao teu lado,
Para dizer que te amo.

Queria apenas por um instante,
Poder tocar a tua face,
Poder ter o teu amor,
Poder sonhar um pouco mais.

Queria apenas por um minuto,
Poder ser um daqueles silêncios,
Que quando menos se espera,
Surpreende de forma irreverente.

Queria apenas por um segundo,
Poder ser parte do teu pensamento,
Poder ser a cada instante,
Uma lembrança constante,
Que não se apaga mais.

Enfim, queria apenas uma chance,
Para ter um momento do teu amor,
Um minuto do teu silêncio, e...
Todos os segundos do teu pensamento!




ALVITO-Concertos de Natal e Ano Novo

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Concertos de Natal e Ano Novo em Alvito


Conforme já vem sendo hábito, em Alvito não há quadra natalícia sem música!

Este ano, celebra-se de novo a “época das Boas Festas” através de duas actuações, uma em Alvito e a outra em Vila Nova da Baronia.

No primeiro concerto, que acontecerá no dia 18, Domingo, na Igreja Matriz de Alvito, pelas 17h00, teremos a actuação do Grupo Coral Vocal DaCapo. Fundado em 1982, tem participado em inúmeros concertos no país e no estrangeiro, sob a direcção vocal do maestro Eduardo Paes Mamede. O grupo conta também com um trabalho em CD, editado em Julho de 2002, como forma de comemoração dos seus 20 anos de actividade.

No dia 6 de Janeiro, Sexta-Feira, pelas 21h00, a música acontecerá em Vila Nova da Baronia e terá lugar, igualmente, na Igreja Matriz daquela localidade. Neste concerto de Ano Novo, ouviremos as vozes do Coral Eborae Musica, precisamente em noite de Reis. O maestro Fernando Teixeira, com vasto e brilhante curriculum, irá conduzir o grupo (c…
SABIA QUE...? publica hoje a carta "CONSTRUIR UM PAÍS" Vale a pena ir até lá. Não perca.

Primeiro Beijo

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Estavas ali,
à mercê dos beijos
que íamos partilhar.

Acendíamos nos olhos,
fogueiras de desejo
que disfarçávamos inquietos.


Duas luzes tímidas,
sorvendo ansiosos
as ingenuidades possíveis.


Acontecia numa tarde,
num qualquer Maio cúmplice,
testemunhando sonhos.


Reflectido na planície,
o nosso querer para sempre
que não resultou.


Os pássaros cinzentos,
recusam-se a cantar
como nesse dia.


Vencidos pelo tempo,
vencidos pela distância.
Foi há tanto, tanto tempo…





(Orlando Fernandes in Alentejo…e outros poemas)

Para Ti...

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"Não te amo mais.
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza que
Nada foi em vão.
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada.
Não poderia dizer jamais que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
EU TE AMO!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais...


Agora lê de baixo para cima.



Clarice Lispector
OS DIREITOS DOS DOENTES esta semana no SABIA QUE ...?



POÉTICUS continua a lembrar os nossos Poetas.

Todo dia é menos um dia

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Todo dia é menos um dia;
menos um dia para ser feliz;
é menos um dia para dar e receber;
é menos um dia para amar e ser amado;
é menos um dia para ouvir e, principalmente, calar!

Sim, porque calando nem sempre quer dizer
que concordamos com o que ouvimos ou lemos,
mas estamos dando a outrem a chance de pensar,
refletir, saber o que falou ou escreveu.

Saber ouvir é um raro dom, reconheçamos.
Mas saber calar, mais raro ainda.
E como humanos estamos sujeitos a errar.
E nosso erro mais primário, é não saber
ouvir e calar!

Todo dia é menos um dia para dar um sorriso.
Muitas vezes alguém precisa, apenas de um sorriso
para sentir um pouco de felicidade!

Todo dia é menos um dia para dizer:
- Desculpe, eu errei!
Para dizer:
- Perdoe-me por favor, fui injusto!

Todo dia é menos um dia;
Para voltarmos sobre os nossos passos.
De repente descobrimos que estamos muito longe
E já não há mais como encontrar
onde pisamos quando íamos.
Já não conseguiremos distinguir nossos passos
de tantos outros que vieram depois dos nossos.

E…

Sonho ou realidade ?...

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Procurei-te,
Depois daquele dia aziago.

Imaginava que tudo de novo
seria possível,
que novamente fosses minha.
Nunca o tinhas
deixado de ser…

Não respondeste
ao apelo.
Eu,
Nem quis crer.
Tudo tinhas esquecido?
Tudo tinhas olvidado?

A núvem que
nesse momento
toldou meus olhos
tudo enegreceu.
A própria caminhada
do dia a dia.

Dias, meses, anos,
muitos anos ,
se passaram.

Quantas loucuras.
Quantas mais desilusões.

Num instante
tua imagem
deslisou a meu lado.

Sonho, realidade?

Não houve uma palavra
de lado a lado.
Nossos olhos enevoados
se entenderam.
Tristes somente
se beijaram
num sonho impossível.

O tempo passara.
Passara tanto tempo.

Éramos os mesmos
sorrindo um para o outro.

Tarde demais…

Seguimos nossos destinos,
corações apertados,
olhos tristes.


Continuo à tua procura…



LM Abril/2005

Coração Vagabundo

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Meu coração não se cansa

De ter esperança

De um dia ser tudo o que quer

Meu coração de criança

Não é só a lembrança

De um vulto feliz de mulher

Que passou por meus sonhos

Sem dizer adeus

E fez dos olhos meus

Um chorar mais sem fim

Meu coração vagabundo

Quer guardar o mundo

Em mim

(Letra e música de Caetano Veloso)









AUSÊNCIA


Deixa secar no meu rosto
Esse pranto de amor que a presença desatou
Deixa passar o desgosto
Esse gosto da ausência que me restou
Eu tinha feito da saudade
A minha amiga mais constante
E ela a cada instante
Me pedia pra esperar

E foi tudo o que eu fiz, te esperei tanto
Tão sozinho no meu canto
Tendo apenas o meu canto pra cantar
Por isso deixa que o meu pensamento
Ainda lembre um momento a saudade que eu vivi
A tua imagem fiel
Que hoje volta ao meu lado
E que eu sinto que perdi



(Vinícius de Moraes)

Retrato

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Um silêncio, um olhar, uma palavra:

Nasceste assim na minha vida,

Inesperada flor de aroma denso,

Tão casual e breve...





Já te visionara no meu sonho,

Imagem de segredo, esparsa ao vento

Da noite rubra, delicada, intacta.

E pressentira teu hálito na sombra

Que minhas mãos desenham, inquietas.





Existias em mim. O teu olhar

Onde cintila, pura, a madrugada,

Guardara-o no meu peito, ó invisível,

Flutuante apelo das raízes

Que teimam em prender-te, minha vida!




(Luis Amaro)

"Ainda Refulge ..."

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Ainda refulge a chama

que perturbou um dia meus sentidos?



Não se apaga jamais

a luz de certo olhar que em segredo amei?



Chora, em meu coração,

a nostalgia do bem com que sonhei?



Da noite, abismo imenso,

oiço indistinta voz chamar por mim?



O que me falta e inquieta

serás tu, de quem não sei o nome?



Ou todo o sonho erguido é cinza ao vento,

estrela fria, cada vez mais longe

do puro silêncio em que se esvai a vida?



(Luís Amaro)

Triste Outono

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Que triste o fim da tarde vai ficando
com árvores a chorar ramos despidos,
e as folhas amarelas esvoaçando…
São pássaros perdidos!
Com o rosto colado na vidraça
mergulho neste céu meio pardacento,
manto dum tempo, insípido e sem graça…
Nostálgico e cinzento!
Murmúrios sem calor, soltos no ar
povoam um crepúsculo de Outono
e as vozes das gaivotas sobre o mar…
São gritos de abandono!
Pudesse eu agarrar a fé perdida,
gritando ao triste Outono: quem me dera,
que minha alma, que no mundo anda perdida…
Encontre a Primavera!
Quem sabe, se na contra luz do espaço,
dum igual fim de dia tão agreste,
não nascerá espontâneo o teu abraço…
Como uma flor silvestre!
A noite vem caindo, mansamente,
um odor a chão molhado anda no ar,
sereno, cerro meus olhos docemente…
E deixo-me embalar!




(Orlando Fernandes in Alentejo ... e Outros Poemas)
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MANUEL ALEGRE o Nosso CANDIDATO

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Manuel Alegre em entrevista ao Público

Esta candidatura é um facto novo que desarruma os hábitos e o sistema

Por Maria José Oliveira e José Manuel Fernandes
24.11.2005


Manuel Alegre assume que o seu "contrato presidencial" apresenta propostas concretizáveis e defende que realizar um pacto económico e social não é uma aproximação ao "bloco central". Para além da estabilidade política, é necessário dar prioridade
ao combate a tensões sociais que possam surgir com a crise económica. Por isso, o candidato entende que o Presidente da República deve ter um papel mais interventivo, tentando restabelecer a confiança dos portugueses no sistema político-partidário. Alegre advoga ainda que o magistério não deve ser apenas de influência, mas também de "essência"



A alternativa Manuel Alegre
O passado de luta de Manuel Alegre, a sua postura política e o prestígio de que goza como poeta e escritor permitem-lhe ambicionar um resultado positivo e eventualmente a passagem a uma …

Grande Edgar

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Ilustração de Artur de Carvalho


Já deve ter acontecido com você.

— Não está se lembrando de mim?

Você não está se lembrando dele. Procura, freneticamente, em todas as fichas armazenadas na memória o rosto dele e o nome correspondente, e não encontra. E não há tempo para procurar no arquivo desativado. Ele esta ali, na sua frente, sorrindo, os olhos iluminados, antecipando sua resposta. Lembra ou não lembra?

Neste ponto, você tem uma escolha. Há três caminhos a seguir.

Um, curto, grosso e sincero.

— Não.

Você não está se lembrando dele e não tem por que esconder isso. O "Não" seco pode até insinuar uma reprimenda à pergunta. Não se faz uma pergunta assim, potencialmente embaraçosa, a ninguém, meu caro. Pelo menos entre pessoas educadas. Você deveria ter vergonha. Passe bem. Não me lembro de você e mesmo que lembrasse não diria. Passe bem. Outro caminho, menos honesto mas igualmente razoável, é o da dissimulação.

— Não me diga. Você é o... o...

"Não me diga", no caso, quer di…

Traz Outro Amigo Também

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Amigo
Maior que o pensamento
Por essa estrada amigo vem
Não percas tempo que o vento
É meu amigo também

Em terras
Em todas as fronteiras
Seja benvindo quem vier por bem
Se alguém houver que não queira
Trá-lo contigo também


Aqueles
Aqueles que ficaram
(Em toda a parte todo o mundo tem)
Em sonhos me visitaram
Traz outro amigo também

(Zeca Afonso)

Porque Volto

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Foto aérea de ALVITO retirada do livro O CASTELO DE ALVITO com texto de Fialho de Almeida - Edição da Fundação da Casa de Bragança - 1946


Volto,
porque há dias antigos
que ainda nos agarram
com o cheiro da terra lavrada,
onde em cada ano,
enterrávamos os pés e os sonhos.


Volto,
porque os olhos dos pastores,
continuam chorando
estios sem pastagens,
onde na terra gretada
o rosmaninho já secou.


Volto,
porque me doem as recordações
dos lugares perdidos,
onde há nomes de gentes,
que me deixaram marcas,
sulcadas na pele e na alma.


Volto,
porque ainda quero correr,
atrás das cotovias
que cantavam nas eiras,
quando o pão de trigo,
nascia nas mãos dos homens.


Volto,
porque em tardes de sol,
há espaços na planície quente,
onde velas de moinhos decadentes,
ainda gritam o teu nome ao vento,
enquanto moem saudades velhas.


Volto,
porque ouço canções tristes,
que os últimos cantadores,
penduram nas oliveiras abandonadas,
e que se arrastam comigo,
embalando nostalgias
fechadas dentro de mim.


Volto,
porque o verde dos trigais
é da cor da …

Manuel Alegre no Porto

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Foto de Dias dos Reis


Liberdade



Aqui nesta praia onde

Não há nenhum vestígio de impureza,

Aqui onde há somente

Ondas tombando ininterruptamente,

Puro espaço e lúcida unidade,

Aqui o tempo apaixonadamente

Encontra a própria liberdade.



(Sophia de Mello Breyner Andresen)




Alegre quer sacudir o País como Humberto Delgado
Para evocar 'general sem medo', candidato até foi à varanda da sede saudar apoiantes
[david mandim / DN, 17.11.2005]


Manuel Alegre apressou-se a confessar uma "certa emoção" por estar na cidade do Porto. Mais ainda, por inaugurar a sua sede de campanha num segundo andar de um edifício da Praça Carlos Alberto, muito perto da varanda, onde, em 1958, o general Humberto Delgado "deu uma grande sacudidela no medo e abalou o regime" salazarista.
Na abertura da sede portuense, Alegre teve ao lado figuras como Jorge Costa e Pedro Abrunhosa.

Volvidos 47 anos, Alegre propõe também uma "sacudidela", agora "no marasmo, no seguidismo" e "renovar …

Alentejo

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A luz que te ilumina,
Terra da cor dos olhos de quem olha!
A paz que se adivinha
Na tua solidão
Que nenhuma mesquinha
Condição
Pode compreender e povoar!
O mistério da tua imensidão
Onde o tempo caminha
Sem chegar!...


(Miguel Torga)

Castro Verde



VII Aniversário do Lumière


Além da habitual programação cinematográfica e, à semelhança de anos anteriores, voltamos a ter entre nós personalidades do panorama cinematográfico português. A convite do Lumière, o actor Nicolau Breyner vai partilhar connosco pormenores desse magnifico mundo que é o cinema e falar-nos dos seus mais recentes projectos. A presença do actor está agendada para dia 22 de Novembro, pelas 21h30, no Fórum Municipal. A propósito da presença do actor, volta a ser exibido o filme os “Imortais” de António Pedro Vasconcelos, dia 18 de Novembro, na Antiga Fábrica Prazeres & Irmão.

No dia 25 de Novembro, o Cine-Teatro Municipal (21h30) recebe o espectáculo Melodias da Disney, uma proposta musical para toda a família que reúne as mais be…

Contrato Presidencial

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Contrato Presidencial

Candidatura à Presidência da República
de Manuel Alegre de Melo Duarte

Lisboa, 4 de Novembro de 2005


Razões da candidatura

A leitura do texto integral pode ser feita aqui no site do Candidato

******

Abaixo el-rei Sebastião

É preciso enterrar el-rei Sebastião
é preciso dizer a toda a gente
que o Desejado já não pode vir.
É preciso quebrar na ideia e na canção
a guitarra fantástica e doente
que alguém trouxe de Alcácer Quibir.

Eu digo que está morto.
Deixai em paz el-rei Sebastião
deixai-o no desastre e na loucura.
Sem precisarmos de sair o porto
temos aqui à mão
a terra da aventura.

Vós que trazeis por dentro
de cada gesto
uma cansada humilhação
deixai falar na vossa voz a voz do vento
cantai em tom de grito e de protesto
matai dentro de vós el-rei Sebastião.

Quem vai tocar a rebate
os sinos de Portugal?
Poeta: é tempo de um punhal
por dentro da canção.
Que é preciso bater em quem nos bate
é preciso enterrar el-rei Sebastião.

Manuel Alegre






Da Weasel triunfa no Olympia …
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Desejo-vos um bom dia de S. Martinho e um óptimo fim de semana, com muitas castanhas e alguma "água-pé". Cuidado com a estrada.

Lembro que o SABIA QUE ...? continua a editar temas importantes. Não deixe de o visitar.



Também e a pedido de um grande amigo convido-vos a visitarem POÉTICUS o blog que lembra os nossos Poetas.

Porque

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Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.



(Sophia de Mello Breyner Andresen)

Manuel Alegre - O Nosso Candidato

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«Trova do Vento que Passa»


Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te …

SABIA QUE...?

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A par do "Beja" SABIA QUE...?é o novo blog que vos apresento. Serão ali tratados os mais diversos assuntos de interesse geral: saúde, política, informática, economia, música, etc. etc.

Convido todos os amigos a uma visita a este sítio e agradeço a todos que já me visitaram e deixaram palavras de incentivo e amizade.

Naquele Tempo

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Naquele tempo,
ainda haviam amoras nos silvados
à beira de ribeiras transparentes.

Naquele tempo,
ainda haviam papoilas nos trigais
para enfeitar os cabelos das ceifeiras.

Naquele tempo,
mergulhávamos nos pegos das herdades,
onde em paz nadavam as pardelhas.

Naquele tempo,
os morangos cheiravam na boca
e as maçãs amadureciam nos ramos.

Naquele tempo,
os primeiros versos envergonhados
eram escondidos nos cadernos da escola.

Naquele tempo,
éramos inocentes, generosos e simples,
como as aves que cruzavam o azul do céu.


Mas isso… era naquele tempo,
porque as nossas almas ainda estavam brancas!


Orlando Fernandes in Alentejo...e Outros Poemas

Os Montes

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Vieram de longe
montados em “jeeps
novinhos de ver.

Com ares de cidade
e dinheiro batido,
compraram-te os montes
velhos de cem anos …

Pintaram de cores,
o branco caiado.

Nem poiais de pedra,
nem barras azuis.

Mármores, cantaria,
madeiras pau-santo.

Bancos de baloiço,
mesas em forjado.

Há vinhos franceses,
charutos cubanos,
e amigos de longe,
nos fins-de-semana.

Alentejo, meu país,
não chores as tuas mágoas
atráz dos chaparros velhos …
que essa gente não é tua !

Compram-te as casas,
arruinadas pela pobreza,
e mudam-te as terras de pão,
em jardins …

Moram-te os espaços,
mas não te habitam a alma,
nem sabem cantar como nós …
o lírio roxo do campo !




In POIESIS – Antologia de Poesia e Prosa Poética Portuguesa Contemporânea. Ed. Minerva, Out./1999
ORLANDO FERNANDES - in Alentejo ... e Outros Poemas

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Feira dos Santos em Alvito



Que bom fim de semana prolongado passei em Alvito para assistir à Feira dos Santos. Nem a chuva que copiosamente caiu nos dias anteriores e que já é uma tradição impediu uma multidão de visitantes d…
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Venha visitar a Feira dos Santos/Frutos Secos


Esta é a última feira que se realiza em cada ano na região alentejana. Tal facto, aliado à sua intensa actividade comercial, contribui para o enorme prestígio de que desfruta na região.

Numa altura em que a grande maioria das feiras se tem gradualmente transformado em mero local de diversão, a Feira dos Santos/Frutos Secos tem conciliado, a par desta característica, as vertentes de comércio tradicional e de local de encontro de amigos, particularidades reveladas ano após ano.

Frutos secos, vestuário, utensílios agrícolas, artigos domésticos, são exemplos do intenso comércio que caracteriza a Feira dos Santos, contribuindo para que nos dias de Feira afluam a Alvito milhares de pessoas vindas de todo o País.


Entretanto, tem também havido um grande empenho no sentido de dotar a Feira de actividades de carácter cultural e recreativo que estejam ao nível do seu prestígio.

Visitar a Feira dos Santos/Frutos Secos, é pois, uma “obrigação” e um óptimo p…
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NOTA DO "BEJA":
Se está interessado em saber
mais notícias sobre a Candidatura de
Manuel Alegre à Presidência da República
CLIQUE AQUI.
Terá oportunidade de conhecer a biografia
e a bibliografia de Manuel Alegre.
Poderá também expressar o seu ponto de vista
e saber como pode apoiar a Candidatura.



AS MÃOS

Com mãos se faz a paz se faz a guerra

Com mãos tudo se faz e se desfaz

Com mãos se faz o poema - e são de terra.

Com mãos se faz a guerra - e são a paz.



Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.

Não são de pedra estas casas mas

de mãos. E estão no fruto e na palavra

as mãos que são o canto e são as armas.



E cravam-se no Tempo como farpas

as mãos que vês nas coisas transformadas.

Folhas que vão no vento: verdes harpas.



De mãos é cada flor cada cidade.

Ninguém pode vencer estas espadas:

nas tuas mãos começa a liberdade.





BICICLETA DE RECADOS



Na minha bicicleta de recados

eu vou pelos caminhos.

Pedalo nas palavras atravesso as cidades

bato às portas das casas e vêm homens espantados

ouvir o meu r…

Que fizeram dos nossos sonhos, Manuel ?

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Que fizeram dos nossos sonhos, Manuel?





Estou no meu cantinho a escrever as minhas coisas, longe da ribalta. Mas agora tem que ser.

Meu nome é António Mesquita Brehm, tenho 78 anos, e escrevo este depoimento como simples cidadão português e não como Vitório Káli, escritor.



As traições não são apenas de agora e transformam sempre o destino dos homens.



Em 1962 encontrei-me, pela primeira vez, com Manuel Alegre em Luanda. Sacámos o santo e a senha da algibeira para nos identificarmos e, a partir daquele breve instante, metemo-nos numa das maiores aventuras das nossas vidas. Combinámos formar um único grupo com armas na mão e derrubar o regime de Salazar.



A guerra colonial havia começado tempo antes, centenas de colonos portugueses tinham sido cruelmente abatidos nas matas do norte de Angola e alguns milhares de negros sofriam agora perseguições e morte nos musseques de Luanda. A vergastada emocional paralisou os nervos da população. Mas toda a gente lúcida sabia que se tornara imperioso estan…

Agenda de Outubro - II

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ALJUSTREL





FEIRA NOVA DE OUTUBRO




Os frutos secos da época voltam a ser reis e senhores na edição 2005 da Feira Nova em Aljustrel. Trata-se de uma tradição que se repete, entre os dias 21 e 24 deste mês de Outubro, no recinto exterior do Parque de Exposições e Feiras da Vila Mineira.

Este ano a Câmara Municipal de Aljustrel, a entidade promotora, volta a apostar neste certame que, a cada ano que passa, cresce em número de visitantes e de feirantes. Um crescimento positivo que não é de estranhar já que a autarquia tem apostado no entretenimento e na cultura.

No que toca ao certame principal as tradicionais barraquinhas dos feirantes vão, mais uma vez, marcar forte presença nesta feira de Outubro onde se podem adquirir os mais variados produtos desde roupa, sapatos, enchidos, queijos, produtos artesanais entre muitos outros artigos.

Os frutos da época são um dos principais atractivos desta feira que “convidam” todos os anos centenas de pessoas a visitar o certame. Tanto as nozes, como os fig…

Insensatez

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Ah, insensatez que você fez
Coração mais sem cuidado
Fez chorar de dor o seu amor
Um amor tão delicado
Ah, por que você foi tão fraco assim
Assim tão desalmado
Ah, meu coração, quem nunca amou
Não merece ser amado

Vai, meu coração, ouve a razão
Usa só sinceridade
Quem semeia vento, diz a razão
Colhe sempre tempestade
Vai, meu coração, pede perdão
Perdão apaixonado
Vai, porque quem não pede perdão
Não é nunca perdoado.

Vinícius de Moraes

Arrojos

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Se a minha amada um longo olhar me desse
Dos seus olhos que ferem como espadas,
Eu domaria o mar que se enfurece
E escalaria as nuvens rendilhadas.



Se ela deixasse, extático e suspenso
Tomar-lhe as mãos "mignonnes" e aquecê-las,
Eu com um sopro enorme, um sopro imenso
Apagaria o lume das estrelas.



Se aquela que amo mais que a luz do dia,
Me aniquilasse os males taciturnos,
O brilho dos meus olhos venceria
O clarão dos relâmpagos nocturnos.



Se ela quisesse amar, no azul do espaço,
Casando as suas penas com as minhas,
Eu desfaria o Sol como desfaço
As bolas de sabão das criancinhas.



Se a Laura dos meus loucos desvarios
Fosse menos soberba e menos fria,
Eu pararia o curso aos grandes rios
E a terra sob os pés abalaria.



Se aquela por quem já não tenho risos
Me concedesse apenas dois abraços,
Eu subiria aos róseos paraísos
E a Lua afogaria nos meus braços.



Se ela ouvisse os meus cantos moribundos
E os lamentos das cítaras estranhas,
Eu ergueria os vales mais profundos
E abateria as sólidas montanhas.…

Se minhas mãos pudessem desfolhar

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Pronuncio teu nome
nas noites escuras,
quando vêm os astros
a beber na lua
e dormem as ramagens
dos arvoredos ocultos.
E sinto-me vazio
de paixão e música.
Louco relógio que canta
antigas horas mortas.

Pronuncio teu nome,
nesta noite escura,
e teu nome me soa
mais distante do que todas as estrelas
e mais dolente do que a mansa chuva.

Tornarei a te querer como então
alguma vez? Que culpa
tem meu coração?

Se a névoa se dissipa,
que outra paixão me espera?
Será tranqüila e pura?
Se meus dedos pudessem
desfolhar a lua!!

*
Para A Dizzie e Romero
*
Si mis manos pudieron deshojar


Yo pronuncio tu nombre
en las noches oscuras,
cuando vienen los astros
a beber en la luna
y duermen los ramajes
de las frondas ocultas.
Y yo me siento hueco
de pasión y de música.
Loco reloj que canta
muertas horas antiguas.

Yo pronuncio tu nombre,
en esta noche oscura,
y tu nombre me suena
más lejano que nunca.
Más lejano que todas las estrellas
y más doliente que la mansa lluvia.

Te querré como entonces
alguna vez? Que culpa
tiene mí corazón?

Si la niebla se…

Agenda de Outubro

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Castro Verde



14 – 15 e 16 de Outubro – Feira de Castro


O ritual repete-se todos os anos. É a azáfama ensurdecedora, que num ambiente outonal, confere às ruas um colorido único. Um cheiro já característico invade as ruas. De um lado, o polvo assado, do outro o algodão doce e o torrão de alicante. Há ainda o vendedor de castanhas e os algarvios com os frutos secos.

No âmbito deste evento secular, em parceria com associações e colectividades do concelho, a Câmara Municipal de Castro Verde, preparou um conjunto de iniciativas culturais que procurarão enaltecer o valor deste momento histórico.





Ferreira do Alentejo



Até 16 de Outubro – “O CORPO” – Exposição de Pintura

e Escultura de Nazareth Moreira.


De 20 de Outubro a 20 de Novembro – Exposição de

trabalhos do Centro de Convívio de Aldeia

de Rouquenho


29 de Outubro – 21h30 – No Auditório da Biblioteca

Municipal – Espectáculo do Grupo de Teatro Arte

Pública:

“CAMÕES é um poeta RAP”


VII Jogos Culturais do Concelho de Ferreira do

Alentejo –

Temática : A…

Saudades do Alentejo

Imagem
Sou filho da terra quente,
das searas, do montado …
Trago das canções dolentes,
o passo cadenciado.


Saudoso das leiras trigo,
vivendo em terra emprestada,
nas longas noites sem sono,
perdido neste abandono,
vou desfiando comigo,
contos perdidos na estrada …


Tenho na pele marcados
os traços de mil suões,
e os olhos tristes, magoados,
que eu herdei dos ganhões.


Guardo raízes profundas
dum campo velho, cansado,
onde mesmo em tempo agreste,
nascia uma flor silvestre,
naquelas terras fecundas,
de Alentejo ignorado.


Eu nasci p’ra lá do Tejo,
guardo da terra a lembrança …
Eu pertenço ao Alentejo,
que me conheceu criança!


Voltarei um destes dias,
com um bando de pardais …
hei-de voar pelos montes,
beber as águas das fontes,
cantar velhas melodias,
e embebedar-me em trigais.


Orlando Fernandes in Fronteiras do Sonho

“O poeta é natural do país-do-Sonho. Entre o país-Comum e o país-do-Sonho existe uma fronteira a que chamamos condição-humana. Só é possível passar tal fronteira com um cavalo-alado. Para o país-do-Sonho não é p…