terça-feira, julho 26, 2005

A Árvore da Serra


— As árvores, meu filho, não têm alma!

E esta árvore me serve de empecilho...

É preciso cortá-la, pois, meu filho,

Para que eu tenha uma velhice calma!



— Meu pai, por que sua ira não se acalma?!

Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?!

Deus pôs almas nos cedros... no junquilho...

Esta árvore, meu pai, possui minh’alma! ...




— Disse — e ajoelhou-se, numa rogativa:

«Não mate a árvore, pai, para que eu viva!»

E quando a árvore, olhando a pátria serra,



Caiu aos golpes do machado bronco,

O moço triste se abraçou com o tronco

E nunca mais se levantou da terra!



(Augusto dos Anjos)

2 comentários:

batista filho disse...

Augusto, agora no reino dos Anjos, de há muito era como se antevisse a sanha predatória que vivenciamos presentemente.

wind disse...

Que lindo! beijos