Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens de Agosto, 2005

B L O G D A Y

.......................................Foto de João Espinho-Terra de Sol Por ter aderido à iniciativa- BLOGDAY - o "Beja" tem de
recomendar cinco blogs. Na impossibilidade de apresentar todos os que representam
os meus dedicados amigos vi-me na obrigação de escolher o
número exigido. Assim indico: 1 - Rain-Maker
-onde cada palavra aliada à respectiva imagem traduz
todo um sentimento onde se adivinha um coração sensível. 2 - Praça
da República em Beja
-Fotografia e Sociedade
preocupações irmanadas no mesmo sentir. 3 - Gastr'eat -
Um mundo de informações no campo turístico. 4 - Ilha dos
Mutuns
- A vida, a memória, a sensibilidade, todo um
encantamento em cada palavra. 5 - O Micróbio
- Os mais variados temas sempre tratados com
conhecimento, sobriedade e responsabilidade

O(s) Baile(s)

Naquele tempo era no castelo que se faziam as festas.
Do que mais gostávamos era dos bailes.
Eram dois bailes acompanhados pela mesma música.
Eram dois bailes no mesmo local - o castelo.
No terreiro, de terra batida, sob o mastro colorido de
festões, balões e lanternas de papel, era o mais
concorrido.
Todos aprimorados em seus fatos domingueiros, eles,
com suas jaquetas de dia de festa, alguns com uma flor

na lapela, elas, lindas, em suas blusas floridas de cores
garridas, fazendo sobressair esbeltos bustos.
Aqui no terreiro, ao som da música sempre igual, os
corpos, enlaçados e frementes, rodopiavam, olhos nos

olhos, sempre sob o olhar desconfiado das mães que,
sentadas, vigiavam as moças.
Aqui se fizeram e desfizeram muitos namoricos.
Também por vezes saíam alguns com a cara
avermelhada dalguma chapada que travara uns
avanços mais atrevidos...
Mas se aqui no terreiro, num mar de gente se dançava
assim, o outro baile era na esplanada do castelo. Piso superior ao terreiro era local indicado para a
ge…

Ausência

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces

Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.

No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida

E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.

Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.

Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados

Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada

Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.

Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.

Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.

Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.

Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.

Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.

E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.

Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.

Mas eu te …

BLOGDAY

BLOGDAY
É no próximo dia 31.Como funciona?Durante o dia 31 de Agosto, bloggers de todo o mundo farão um post a recomendar a visita a novos blogs, de preferência, blogs de cultura, pontos de vista ou atitude diferentes do seu próprio blog. Nesse dia, os leitores de blogs poderão navegar e descobrir blogs desconhecidos, celebrando a descoberta de novas pessoas e novos bloggers.Leia aqui.

(Notícia retirada da Praça da República de Beja)

De novo com os Amigos(as)

Não pude ir à festa !
Não estive de férias !
Não fugi nem me perdi !
A única razão da minha ausência foi uma insuportável avaria, (no modem ? numa cabine de distribuição ? manutenção na zona ?), por parte da TV Cabo.
Tudo tentei, durante estes dias, para que fosse reposta a normalidade do serviço.
Só hoje (2ª Feira) a TV Cabo enviou uma equipa que finalmente conseguiu estabilizar o sistema.
A falta desta companhia diária, eliminando os contactos com os amigos, cria-nos um estado que atinge a depressão.
Vamos tentar, ràpidamente, colocar a escrita em dia, visitar os amigos, ler os seus "posts" e trocar os nossos comentários.
Para todos que me procuraram no vazio da net, (até de megafone...), o meu beijo de regresso e um abraço amigo.

ALVITO - FESTAS DA VILA

A L V I T O

Festas da Vila de Alvito

26 de Agosto – Sexta Feira

15h00 – Abertura de exposição de pintura “O Mercado da

Roupa” de Maria Santos

Local: Centro Cultural de Alvito


15h30 - Abertura de exposição de pintura das utentes do

Atelier Sénior da Junta de Freguesia de Alvito

Local: Biblioteca Luís de Camões


22h00 – Actuação do Grupo de Baile “Chave D’ouro”

Local: PULA


No final da noite, “After Hours” no bar das Piscinas Municipais com DJ’s


27 de Agosto - Sábado
22h00 – Actuação do grupo de Baile “Deká”


24h00 – Actuação de Tayti


01h00 – Espectáculo Piromusical


01h30 – Continuação do baile

Local: PULA

3h00 – Garraiada à Alentejana

Local: Junto ao depósito da água


No final da noite, “After Hours” no bar das Piscinas Municipais com DJ’s


28 de Agosto - Domingo
12h00 - Missa em honra de Nossa Srª da Assunção

Local: Igreja Matriz

14h00 – Actividades Desportivas

Local: Piscinas Municipais

18h00 – Procissão em honra de Nª Senhora da Assunção,

acompanhada pela Banda Filarmónica dos Bombeiros

Voluntários de Al…

"Ainda Refulge..."

Ainda refulge a chama

que perturbou um dia meus sentidos?
Não se apaga jamais

a luz de certo olhar que em segredo amei?
Chora, em meu coração,

a nostalgia do bem com que sonhei?
Da noite, abismo imenso,

oiço indistinta voz chamar por mim?
O que me falta e inquieta

serás tu, de quem não sei o nome?
Ou todo o sonho erguido é cinza ao vento,

estrela fria, cada vez mais longe

do puro silêncio em que se esvai a vida?
(Luis Amaro - Natural de Aljustrel)
Foto da Net

Contacte o Governo

Já quantas vezes não pensámos enviar uma mensagem aos nossos Governantes dizendo o que está mal neste País, querendo saber porque não há intervenção rápida neste ou naquele caso, fazendo sentir os nossos sentimentos de revolta sobre a floresta que já era, o ambiente cada vez mais empobrecido,a pesca que já não é para os artistas dessa arte, o acesso à água cada vez mais limitado a autorizações estrangeiras, o Alqueva sem ser explorado plenamente porque faltam canais de ligação a outras zonas que morrem á mingua, etc., etc.enfim, um mundo de problemas que devíamos fazer sentir a quem nos governa. Nas voltas pela net descobri o Portal do Governo que convida o cidadão a enviar uma mensagem com a sua opinião ou sugestão ou crítica
Visite o seguinte endereço:
.
http://www.portugal.gov.pt/Portal/PT/Geral/Contactos

Segue-se a transcrição do Portal do Governo


Contacte o Governo

O objectivo desta página é permitir o diálogo entre o cidadão e o Governo.
Para enviar uma mensagem com uma opinião, u…

As Mãos

Com mãos se faz a paz se faz a guerra.

Com mãos tudo se faz e se desfaz.

Com mãos se faz o poema – e são de terra.

Com mãos se faz a guerra – e são a paz.

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.

Não são de pedras estas casas mas

de mãos. E estão no fruto e na palavra

as mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no Tempo como farpas

as mãos que vês nas coisas transformadas.

Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor cada cidade.

Ninguém pode vencer estas espadas:

nas tuas mãos começa a liberdade.



Manuel Alegre, O Canto e as Armas, 1967
Foto de Pedro P.Palma - Fotografia na Net

Maria Campaniça

Debaixo do lenço azul com sua barra amarela

os lindos olhos que tem!

Mas o rosto macerado

de andar na ceifa e na monda

desde manhã ao sol posto,

mas o jeito das mãos

torcendo o xaile nos dedos

é de mágoa e abandono...

Ai, Maria Campaniça,

levanta os olhos do chão

que eu quero ver nascer o Sol!

(Manuel da Fonseca)

Maria Campaniça, camponesa, campaniça, da aldeia de Salvada, militante do P.C.P desde que se lembrava, trazia pregado na roupa, todo o ano, o emblema do partido em que acreditava.
Aguardava reformas, concretizações.
Morreu nova quando ainda tinha coisas importantes em que pensar, maiores lutas para travar, galeras para subir, manifestações onde erguer o punho, as paredes da sua aldeia para caiar, 4 homens em casa para cuidar, modas alentejanas para cantar.




(Adaptação do texto do blog "Pelos olhos de Caterina")
Tive amigos que morriam, amigos que partiam
Outros quebravam o seu rosto contra o tempo.
Odiei o que era fácil
Procurei-te na luz, no mar, no vento


(Sophia de Mello Breyner Andersen)


"E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente.

Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros.

Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram

todos os dias felizes que se apagaram.

Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre."


(Miguel Sousa Tavares, a propósito da perda de sua Mãe, Sophia Andersen)

(Foto de Pedro P. Palma-Fotografia na Net)

O Meu Alentejo

(Clique na imagem para ver em tamanho grande e no endereço de origem)


Meio-dia. O sol a prumo cai ardente,

Doirando tudo...Ondeiam nos trigais

D’oiro fulvo, de leve...docemente...

As papoilas sangrentas, sensuais...

Andam asas no ar; as raparigas,

Flores desabrochadas em canteiros,

Mostram, por entre o oiro das espigas,

Os perfis delicados e trigueiros...

Tudo é tranqüilo, e casto, e sonhador...

Olhando esta paisagem que é uma tela

De Deus, eu penso então: Onde há pintor,

Onde há artista de saber profundo,

Que possa imaginar coisa mais bela,

Mais delicada e linda neste mundo?!



(Florbela Espanca)
(Foto - Alvito de Ricardo Encarnação Ferreira. Fotografia na Net

O ALENTEJO

Em Portugal, há duas coisas grandes, pela força e pelo tamanho: Trás-os-Montes e o Alentejo. Trás-os-Montes é o ímpeto, a convulsão; o Alentejo, o fôlego, a extensão do alento. Províncias irmãs pela semelhança de certos traços humanos e telúricos, a transtagana, se não é mais bela, tem uma serenidade mais criadora. Os espasmos irreprimíveis da outra, demasiado instintivos e afirmativos, não lhe permitem uma meditação construtiva e harmoniosa. E compreende-se que fosse do seio da imensa planura alentejana que nascesse a fé e a esperança num destino nacional do tamanho do mundo. Só daquelas ondas de barro, que se sucedem sem naufrágios e sem abismos, se poderia partir com confiança para as verdadeiras. Enquanto a nação andava esquiva pelas serras, ninguém se atreveu a visionar horizontes para lá da primeira encosta. Mas, passado o Tejo, a grei foi afeiçoando os olhos à grande luz das distâncias, e D. Manuel pôde receber ali a notícia da chegada de Vasco da Gama à Índia.
Terra da nossa pr…

Senhor Vento

Senhor Vento, ó Senhor Vento,

já não me posso conter,

veio a seca, tanto sol,

que anda por aqui a fazer?

Vá-se embora Senhor Vento,

não são horas daqui estar,

não há trevo nem há água

para o gado apascentar.

Tudo seco, Senhor Vento,

ai que morte, que morrer,

não há suco nem há seiva,

cinco meses sem chover...

Se cá ficar, Senhor Vento,

não tempera, só destapa

os horizontes de nuvens,

não há chuva neste mapa.

Tape a chaga, Senhor Vento,

siga siga para o mar,

já lhe disse, vá-se embora,

não são horas daqui estar!

Dou-lhe um tiro, Senhor Vento,

se andar aqui mais um dia,

gira gira, fora fora,

mande a chuva, não se ria.

Obrigado, Senhor Vento,

Empurre as nuvens, agora,

isso mesmo, traga as águas!

De contente, a terra chora.


(Antunes da Silva - Nasceu e faleceu em Évora - 1921-1997)
(Foto Adriana Oliveira - Alentejo - 1000Images)

A Rosa de Hiroshima

De novo é publicado este poema de Vinícius de Moraes
Que o Homem o decore de vez para impedir que se repita tal gesto de desumanidade,
de desamor, de indiferença pela vida humana.

.
Pensem nas crianças

Mudas telepáticas

Pensem nas meninas

Cegas inexatas

Pensem nas mulheres

Rotas alteradas

Pensem nas feridas

Como rosas cálidas

Mas oh não se esqueçam

Da rosa da rosa

Da rosa de Hiroshima

A rosa hereditária

A rosa radioativa

Estúpida e inválida

A rosa com cirrose

A anti-rosa atômica

Sem cor sem perfume

Sem rosa sem nada


(Vinícius de Moraes)
(Foto-Joaquim Chitas - Fotografia na Net)

Bicicleta de Recados

Na minha bicicleta de recadoseu vou pelos caminhos.Pedalo nas palavras atravesso as cidadesbato às portas das casas e vêm homens espantadosouvir o meu recado ouvir minha canção..Na minha bicicleta de recadoseu vou pelos caminhos.Vem gente para a rua a ver a novidadecomo se fosse a chegadado João que foi à Índiae era o moço mais galanteque havia nas redondezas.Eu não sou o João que foi à Índiamas trago todos os soldados que partirame as cartas que não escreverame as saudades que tiveramna minha bicicleta de recadosatravessando a madrugada dos poemas..Desde o Minho ao Algarveeu vou pelos caminhos.E vêm homens perguntar se houve milagreperguntam pela chuva que já tardaperguntam pelos filhos que foram à guerraperguntam pelo sol perguntam pela vidae vêm homens espantados às janelasouvir o meu recado ouvir minha canção..Porque eu trago notícias de todos os filhoseu trago a chuva e o sol e a promessa dos trigose um cesto carregado de vindimaeu trago a vidana minha bicicleta de recadosatraves…

Poema Para A Mulher Que Passou

Quando ela passou por mim, indiferente

e distraída,

surpreendi-me a pensar, sem querer, de repente

em minha vida ...

Fiquei a imaginar que se lhe acompanhasse

os passos,

num lindo dia como o de hoje,

cheio de sugestões para os nossos desejos,

- talvez ela acabasse por me olhar, sorrindo,

e mais tarde talvez me desse as suas mãos,

e algum dia ficasse abrigada em meus braços

e quisesse os meus beijos...

Se eu a seguisse, ela que nunca me viu,

[e passou distraída

como se eu nem a visse,

se eu a seguisse

pela rua

em meio a tanta gente,

- talvez se transformasse toda a minha vida,

e ao encontro da sua,

minha estrada tomasse um rumo diferente...

No entanto ela se foi... E enquanto eu me deixava

a pensar,

quem sabe se não levou a metade dessa alma

que seria talvez a única metade

capaz de me completar?

Naquele segundo, - pressentimento estranho,

intuição fugaz,

- quis correr, ir buscá-la...

Corri! ... Fui procurá-la

e era tarde demais...

Acaso já pensaste, na grandeza trágica desse segundo

irremediavelmente perdido?

Que…

Alvito - Movimento Independente - Autárquicas

Diário do Alentejo edição nº 1212 De 15 a 21 de Julho de 2005
Candidatura independente nas autárquicas em Alvito
João Paulo Trindade, antigo presidente da Estig de Beja, é o candidato do movimento à presidência da Câmara Municipal de Alvito.
O concelho de Alvito protagoniza a primeira candidatura de independentes apresentada formalmente no distrito de Beja, com João Paulo Trindade, professor do Ensino Superior, como cabeça de lista à presidência da Câmara Municipal. De acordo com João Paulo Trindade, este é "um projecto colectivo que não se assume contra os partidos nem sequer contra as candidaturas concorrentes. Foi esta a fórmula encontrada para reunir um conjunto de pessoas interessadas e disponíveis para reflectir em conjunto sobre o rumo a seguir pelas nossas freguesias. É claramente uma alternativa pela positiva".Quanto às expectativas da candidatura do Movimento Independente, garante, o percurso iniciado não terminará no dia da eleições. "Pretendemos manter uma ati…

Poema Mestiço

escrevo mediterrâneo

na serena voz do índico

sangro norte

em coração do sul

na praia do oriente

sou areia náufraga

de nenhum mundo

hei-de

começar mais tarde

por ora

sou a pegada

do passo por acontecer


Mia Couto


Não podia deixar de colocar aqui o comentário do Charlie. Agradeço as suas palavras e insisto para que crie o seu próprio blog..E no passo por acontecer, nesse lapso de tempo
sem medida,
acontece sempre o nada
Coisa que está no inicio de tudo.
Avanças!
Pensas que fazes Historia.
Pé ao fundo esmagando a areia que lhe toma a
forma e que o vento depois cantará no eterno
exercicio da criação desfazendo a eternidade dum
passo criando a tela para os passos seguintes.
Das gentes que hão de vir.
De passos tão eternos quanto o horizonte infinito,
mas que acaba mesmo ali.
Onde os nossos sonhos começam e acabam.
Levados pelos ventos. .Charlie

Alentejo, debruado a Arraiolos

Na dourada planície alentejana
Onde o sol penetra e tudo queima
A falta de água mísera e insana
Quebra a vontade abate a alma

Nessa imensa e dourada pradaria
O vento de suão seca a cortiça
Leva consigo, numa lenta agonia,
O suor a que chamam de preguiça

Mas o Alentejo é belo e majestoso
Quem o ama chama-lhe de formoso
Quem parte volta, nunca diz adeus

Por isso há sempre vozes em coro
Cântico alentejano em vez de choro
A alma alentejana tem a força de Deus


Poemas de Amor e Dor
Rogério M. Simões
19-04-2005Foto feita perto de Vila Nova da BaroniaA.C.Vera Cruz -(Montra Digital)

Soneto

vejo-te debruçada sobre a cama

tão serena e perpétua nos lençóis

que o brilho e a brancura de mil sóis

transformam em velasquez inclinada.

e na serena idade reclinada

jónia, vestal caída, leve e nua

com os meus dedos toco a carne tua

que a minha própria carne tão reclama.

inicio as viagens corporais

que soltas pela mente dão sinais

de incontidos prazeres e paixões.

meço os gestos contidos mas audazes

porque tu me dás, dou-te em intenções;

é assim que nos tornamos mais capazes

de amar, por puro amar, sem condições.


(josé félix)
(Foto de Piotr Kowalski)

Ternura

Foto de Paulo Ferreira


Desvio dos teus ombros o lençol

que é feito de ternura amarrotada,

da frescura que vem depois do Sol,

quando depois do Sol não vem mais nada...

Olho a roupa no chão: que tempestade!
há restos de ternura pelo meio,

como vultos perdidos na cidade

em que uma tempestade sobreveio...

Começas a vestir-te, lentamente,

e é ternura também que vou vestindo,

para enfrentar lá fora aquela gente

que da nossa ternura anda sorrindo...

Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!


(David Mourão Ferreira)

Agosto no Baixo Alentejo

Solicitámos em Maio p.p., aos diversos Municípios do Baixo Alentejo, o envio da Agenda Cultural e Boletim Municipal.
Algumas Câmaras foram prestes na satisfação do nosso pedido.
Renovámos, há dias, o pedido a quem, por qualquer razão, não tinha sequer respondido.
É baseado na Agenda Cultural ou no Boletim Municipal que damos à estampa a realização dos eventos.
Aguardamos a chegada de novas informações para, dentro das nossas possibilidades, as publicarmos.



ALJUSTREL
4ªs à Noite voltam a dar espectáculo musical à população

O Anfiteatro das Piscinas Municipais volta a ser palco, esta quarta-feira, da iniciativa “4ªs à Noite”, desta vez pode assistir a um espectáculo musical com os Nova Aurora, os embaixadores de Aljustrel no que toca à música tradicional.

Nesta altura em que a maioria das pessoas estão de férias e os emigrantes estão de regresso à terra natal, nada melhor do que brindar todos com música tradicional.
Para quem não conhece convêm referir que o Grupo "Nova Aurora" é um gr…

Projecto I

O longo muro alentejano e branco

O desejo de limpo e de lisura

Aqui na casa térrea a arquitectura

Tem a clareza nua de um projecto


(Sophia Andresen

Retratos Cativos

Campo de girassóis - Acrílico sobre tela - Maria Teresa Almeida Bielinski - Foto Wilson Lima



Mesmo com a treva sobre os olhos,

vejo ainda nos longes ondulantes o girassol.

No silêncio outonal dos campos de mérida

ou numa xácara do alentejo, aflante ave

que o ocaso não desdoira

– se anoitece de repente e o barro muito antigo

se transforma em silente névoa, são seus esses

revérberos que ainda me conduzem pelo labirinto

dessas tardes em que esvoaçaramos

enoivecidos ao tiro das usinas.

Se alguém me perguntar por um astro

de raiz em terra, sem ademanes, responderei

o girassol – atento guardião das manhãs

da infância vigiando, em seu modo cabeceante,

o lado alvoroçado pela luz.

Quero-o agora, a esse girassol antigo

voltejando no talhão defronte à eira;

juro foi meu pai que o semeou,

ele próprio coisa semeada

num janeiro de aguaceiros.

Fronde gloriosa aberta à iniciação

de estio, vê-lo é chama que infunde

à vista a majestade desses dias subtraídos

à usura. Inda, de ao longe passarem

bandos iluminados pela cegueira,

Hoje o tempo não me enganou...

(freeimages)


HOJE O TEMPO NÃO ME ENGANOU. Não se conhece uma aragem na tarde. O ar queima, como se fosse um bafo quente de lume, e não ar simples de respirar, como se a tarde não quisesse já morrer e começasse aqui a hora do calor. Não há nuvens, há riscos brancos, muito finos, desfados de nuvens. E o céu, daqui, parece fresco, parece a água limpa de um açude. Penso: talvez o céu seja um mar grande de água doce e talvez a gente não ande debaixo do céu mas sim em cima dele; talvez a gente veja as coisas ao contrário e a terra seja como um céu e quando a gente morre, quando a gente morre, talvez a gente caia e se afunde no céu.



(José Luis Peixoto in Nenhum Olhar (excerto)

Amor Feito Poesia

AMOR...
É um conceito divino,
É dimensão sem medida,
É viagem sem destino,
É melodia da vida.

AMOR...
É um caminho sem fim,
É não ter que perdoar,
É não querer e dizer sim,
É dar tudo o que há p'ra dar !…

AMOR...
É voz da razão que cala,
É ter dor e não sentir,
É o silêncio que fala,
É ver o mundo sorrir.

AMOR...
É sopro de nostalgia,
É canção leve e suave,
É das trevas fazer dia,
É saber de quem não sabe.

AMOR...
É bem mais que sentimento,
É sussurro de magia,
É da alma o alimento,
AMOR...
É hoje aqui…feito poesia!…
Autor: Euclides Cavaco