segunda-feira, agosto 01, 2005

Hoje o tempo não me enganou...

(freeimages)




HOJE O TEMPO NÃO ME ENGANOU. Não se conhece uma aragem na tarde. O ar queima, como se fosse um bafo quente de lume, e não ar simples de respirar, como se a tarde não quisesse já morrer e começasse aqui a hora do calor. Não há nuvens, há riscos brancos, muito finos, desfados de nuvens. E o céu, daqui, parece fresco, parece a água limpa de um açude. Penso: talvez o céu seja um mar grande de água doce e talvez a gente não ande debaixo do céu mas sim em cima dele; talvez a gente veja as coisas ao contrário e a terra seja como um céu e quando a gente morre, quando a gente morre, talvez a gente caia e se afunde no céu.





(José Luis Peixoto in Nenhum Olhar (excerto)

9 comentários:

Mocho Falante disse...

Muito bem pensado, ainda por cima imaginando este texto sob um fom de tarde numa planicie alentejana...é perfeito

batista filho disse...

... ao invés de "afundar", bom mesmo seria mergulhar e mergulhar, mas, quando em vez, vir à tona, e maravilhado com a beleza do céu/terra, exclamar que nem Gagarin: "A terra é azul!"
Um abraço fraterno, pra ti.

paper life disse...

Magnífico texto!

Obrigada pela partilha e também pelo que deixaste no rain maker.

Beijos matinasis.

:)

wind disse...

Bela prosa poética. beijos

Menina_marota disse...

Dei uma "volta" pelo Blog, novamente e, como sempre, encantou-me!
Um abraço e boa semana :)

Isabel-F. disse...

Alô Lumife...

Gostei muito deste texto...mas fez-me tb imaginar incêndios...

Obrigada pelo comentário hoje deixado no meu Blog... fiquei feliz...

Bjs

paper life disse...

:) era: matinal.

sonhos sonhados disse...

hello Beja
bom dia...

pelo Norte
o sol também aquece cheio de força.

gostei muito do teu texto
e
da inversão nele sugerida.
quem sabe o céu é o mar
e
o mar é o céu?
...e...
...ao partir nos afundámos nele...

quem sabe?
...sabe o poeta
que tão bem o diz.

beijux létinha.

sonhos sonhados disse...

hello Beja
bom dia...

pelo Norte
o sol também aquece com força.

gostei muito do teu texto
e
da inversão nele presente.
quem sabe o céu é o mar
e
o mar é o céu?

sabe o poeta
que tão bem o diz.

beijux létinha.