quinta-feira, setembro 08, 2005

Meus Oito Anos



Oh! que saudades que tenho

Da aurora da minha vida,

Da minha infância querida

Que os anos não trazem mais!

Que amor, que sonhos, que flores,

Naquelas tardes fagueiras

À sombra das bananeiras,

Debaixo dos laranjais!





Como são belos os dias

Do despontar da existência!

— Respira a alma inocência

Como perfumes a flor;

O mar é — lago sereno,

O céu — um manto azulado,

O mundo — um sonho dourado,

A vida — um hino d'amor!





Que aurora, que sol, que vida,

Que noites de melodia

Naquela doce alegria,

Naquele ingênuo folgar!

O céu bordado d'estrelas,

A terra de aromas cheia

As ondas beijando a areia

E a lua beijando o mar!





Oh! dias da minha infância!

Oh! meu céu de primavera!

Que doce a vida não era

Nessa risonha manhã!

Em vez das mágoas de agora,

Eu tinha nessas delícias

De minha mãe as carícias

E beijos de minhã irmã!





Livre filho das montanhas,

Eu ia bem satisfeito,

Da camisa aberta o peito,

— Pés descalços, braços nus —

Correndo pelas campinas

A roda das cachoeiras,

Atrás das asas ligeiras

Das borboletas azuis!





Naqueles tempos ditosos

Ia colher as pitangas,

Trepava a tirar as mangas,

Brincava à beira do mar;

Rezava às Ave-Marias,

Achava o céu sempre lindo.

Adormecia sorrindo

E despertava a cantar!





................................





Oh! que saudades que tenho

Da aurora da minha vida,

Da minha infância querida

Que os anos não trazem mais!

— Que amor, que sonhos, que flores,

Naquelas tardes fagueiras

A sombra das bananeiras

Debaixo dos laranjais!



Com toda a amizade dedico este poema de Casimiro de Abreu ao Batista Filho (Ilha dos Mutuns)


(Pintura de J.Lopes)

10 comentários:

Cristina disse...

Olá lumife,
Quando chegamos a uma certa idade, temos todos saudades da nossa infância, eu tenho muitas vezes...
Lindo texto
:)
beijinhu

batista filho disse...

Meu amigo, meu mui obrigado!
Te confesso uma coisa: na minha idade, 47 anos, dessa feita, nunca imaginei que pudesse, através das palavras encontrar tantos amigos, encontrar tanta generosidade e carinho. Por diversas vezes, em menos de um mês, meus olhos se encheram de lágrimas, não de tristeza, mas da mais pura emoção.
Inclusive declamei este poema de Casimiro de Abreu quando eu era criança, lá no Grupo Escolar Félix Pacheco, em Teresina, Piauí.
Mais uma vez, grato, meu irmão.
Um abraço carinhoso.

Isabel-F. disse...

OI Lumife...

Bonito este poema em homenagem ao Batista Filho...que encontrei nesta Blogosfera e que tb prezo muito...

Bjs

wind disse...

Lindo este poema que dedicaste ao Baptista:) Bonita imagem. beijos

sonhos sonhados disse...

kerido Lumife

a imagem... é linda!

o poema... um hino!

a homenagem ao nosso amigo poeta...
um momento especial.

beijux létinha.

Nilson Barcelli disse...

Pois, também eu...
Muito bonito este teu trabalho.
Parabéns

Nilson Barcelli disse...

Pois, também eu...
Muito bonito este teu trabalho.
Abraço

segurademim disse...

Ai Lumife que gesto tão bonito!!! Beijos

soldeinverno disse...

que bela dedicatória...

não temos todos saudades da infãncia?

jinhuz

TMara disse...

um belo poema. Mas o + importante é termos tido o privilégio de ter tido uma infância assim...Bjs e;)