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Mensagens

A mostrar mensagens de Novembro, 2005

"Ainda Refulge ..."

Ainda refulge a chama

que perturbou um dia meus sentidos?



Não se apaga jamais

a luz de certo olhar que em segredo amei?



Chora, em meu coração,

a nostalgia do bem com que sonhei?



Da noite, abismo imenso,

oiço indistinta voz chamar por mim?



O que me falta e inquieta

serás tu, de quem não sei o nome?



Ou todo o sonho erguido é cinza ao vento,

estrela fria, cada vez mais longe

do puro silêncio em que se esvai a vida?



(Luís Amaro)

Triste Outono

Que triste o fim da tarde vai ficando
com árvores a chorar ramos despidos,
e as folhas amarelas esvoaçando…
São pássaros perdidos!
Com o rosto colado na vidraça
mergulho neste céu meio pardacento,
manto dum tempo, insípido e sem graça…
Nostálgico e cinzento!
Murmúrios sem calor, soltos no ar
povoam um crepúsculo de Outono
e as vozes das gaivotas sobre o mar…
São gritos de abandono!
Pudesse eu agarrar a fé perdida,
gritando ao triste Outono: quem me dera,
que minha alma, que no mundo anda perdida…
Encontre a Primavera!
Quem sabe, se na contra luz do espaço,
dum igual fim de dia tão agreste,
não nascerá espontâneo o teu abraço…
Como uma flor silvestre!
A noite vem caindo, mansamente,
um odor a chão molhado anda no ar,
sereno, cerro meus olhos docemente…
E deixo-me embalar!




(Orlando Fernandes in Alentejo ... e Outros Poemas)

MANUEL ALEGRE o Nosso CANDIDATO

Manuel Alegre em entrevista ao Público

Esta candidatura é um facto novo que desarruma os hábitos e o sistema

Por Maria José Oliveira e José Manuel Fernandes
24.11.2005


Manuel Alegre assume que o seu "contrato presidencial" apresenta propostas concretizáveis e defende que realizar um pacto económico e social não é uma aproximação ao "bloco central". Para além da estabilidade política, é necessário dar prioridade
ao combate a tensões sociais que possam surgir com a crise económica. Por isso, o candidato entende que o Presidente da República deve ter um papel mais interventivo, tentando restabelecer a confiança dos portugueses no sistema político-partidário. Alegre advoga ainda que o magistério não deve ser apenas de influência, mas também de "essência"



A alternativa Manuel Alegre
O passado de luta de Manuel Alegre, a sua postura política e o prestígio de que goza como poeta e escritor permitem-lhe ambicionar um resultado positivo e eventualmente a passagem a uma …

Grande Edgar

Ilustração de Artur de Carvalho


Já deve ter acontecido com você.

— Não está se lembrando de mim?

Você não está se lembrando dele. Procura, freneticamente, em todas as fichas armazenadas na memória o rosto dele e o nome correspondente, e não encontra. E não há tempo para procurar no arquivo desativado. Ele esta ali, na sua frente, sorrindo, os olhos iluminados, antecipando sua resposta. Lembra ou não lembra?

Neste ponto, você tem uma escolha. Há três caminhos a seguir.

Um, curto, grosso e sincero.

— Não.

Você não está se lembrando dele e não tem por que esconder isso. O "Não" seco pode até insinuar uma reprimenda à pergunta. Não se faz uma pergunta assim, potencialmente embaraçosa, a ninguém, meu caro. Pelo menos entre pessoas educadas. Você deveria ter vergonha. Passe bem. Não me lembro de você e mesmo que lembrasse não diria. Passe bem. Outro caminho, menos honesto mas igualmente razoável, é o da dissimulação.

— Não me diga. Você é o... o...

"Não me diga", no caso, quer di…

Traz Outro Amigo Também

Amigo
Maior que o pensamento
Por essa estrada amigo vem
Não percas tempo que o vento
É meu amigo também

Em terras
Em todas as fronteiras
Seja benvindo quem vier por bem
Se alguém houver que não queira
Trá-lo contigo também


Aqueles
Aqueles que ficaram
(Em toda a parte todo o mundo tem)
Em sonhos me visitaram
Traz outro amigo também

(Zeca Afonso)

Porque Volto

Foto aérea de ALVITO retirada do livro O CASTELO DE ALVITO com texto de Fialho de Almeida - Edição da Fundação da Casa de Bragança - 1946


Volto,
porque há dias antigos
que ainda nos agarram
com o cheiro da terra lavrada,
onde em cada ano,
enterrávamos os pés e os sonhos.


Volto,
porque os olhos dos pastores,
continuam chorando
estios sem pastagens,
onde na terra gretada
o rosmaninho já secou.


Volto,
porque me doem as recordações
dos lugares perdidos,
onde há nomes de gentes,
que me deixaram marcas,
sulcadas na pele e na alma.


Volto,
porque ainda quero correr,
atrás das cotovias
que cantavam nas eiras,
quando o pão de trigo,
nascia nas mãos dos homens.


Volto,
porque em tardes de sol,
há espaços na planície quente,
onde velas de moinhos decadentes,
ainda gritam o teu nome ao vento,
enquanto moem saudades velhas.


Volto,
porque ouço canções tristes,
que os últimos cantadores,
penduram nas oliveiras abandonadas,
e que se arrastam comigo,
embalando nostalgias
fechadas dentro de mim.


Volto,
porque o verde dos trigais
é da cor da …

Manuel Alegre no Porto

Foto de Dias dos Reis


Liberdade



Aqui nesta praia onde

Não há nenhum vestígio de impureza,

Aqui onde há somente

Ondas tombando ininterruptamente,

Puro espaço e lúcida unidade,

Aqui o tempo apaixonadamente

Encontra a própria liberdade.



(Sophia de Mello Breyner Andresen)




Alegre quer sacudir o País como Humberto Delgado
Para evocar 'general sem medo', candidato até foi à varanda da sede saudar apoiantes
[david mandim / DN, 17.11.2005]


Manuel Alegre apressou-se a confessar uma "certa emoção" por estar na cidade do Porto. Mais ainda, por inaugurar a sua sede de campanha num segundo andar de um edifício da Praça Carlos Alberto, muito perto da varanda, onde, em 1958, o general Humberto Delgado "deu uma grande sacudidela no medo e abalou o regime" salazarista.
Na abertura da sede portuense, Alegre teve ao lado figuras como Jorge Costa e Pedro Abrunhosa.

Volvidos 47 anos, Alegre propõe também uma "sacudidela", agora "no marasmo, no seguidismo" e "renovar …

Alentejo

A luz que te ilumina,
Terra da cor dos olhos de quem olha!
A paz que se adivinha
Na tua solidão
Que nenhuma mesquinha
Condição
Pode compreender e povoar!
O mistério da tua imensidão
Onde o tempo caminha
Sem chegar!...


(Miguel Torga)

Castro Verde



VII Aniversário do Lumière


Além da habitual programação cinematográfica e, à semelhança de anos anteriores, voltamos a ter entre nós personalidades do panorama cinematográfico português. A convite do Lumière, o actor Nicolau Breyner vai partilhar connosco pormenores desse magnifico mundo que é o cinema e falar-nos dos seus mais recentes projectos. A presença do actor está agendada para dia 22 de Novembro, pelas 21h30, no Fórum Municipal. A propósito da presença do actor, volta a ser exibido o filme os “Imortais” de António Pedro Vasconcelos, dia 18 de Novembro, na Antiga Fábrica Prazeres & Irmão.

No dia 25 de Novembro, o Cine-Teatro Municipal (21h30) recebe o espectáculo Melodias da Disney, uma proposta musical para toda a família que reúne as mais be…

Contrato Presidencial

Contrato Presidencial

Candidatura à Presidência da República
de Manuel Alegre de Melo Duarte

Lisboa, 4 de Novembro de 2005


Razões da candidatura

A leitura do texto integral pode ser feita aqui no site do Candidato

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Abaixo el-rei Sebastião

É preciso enterrar el-rei Sebastião
é preciso dizer a toda a gente
que o Desejado já não pode vir.
É preciso quebrar na ideia e na canção
a guitarra fantástica e doente
que alguém trouxe de Alcácer Quibir.

Eu digo que está morto.
Deixai em paz el-rei Sebastião
deixai-o no desastre e na loucura.
Sem precisarmos de sair o porto
temos aqui à mão
a terra da aventura.

Vós que trazeis por dentro
de cada gesto
uma cansada humilhação
deixai falar na vossa voz a voz do vento
cantai em tom de grito e de protesto
matai dentro de vós el-rei Sebastião.

Quem vai tocar a rebate
os sinos de Portugal?
Poeta: é tempo de um punhal
por dentro da canção.
Que é preciso bater em quem nos bate
é preciso enterrar el-rei Sebastião.

Manuel Alegre






Da Weasel triunfa no Olympia …
Desejo-vos um bom dia de S. Martinho e um óptimo fim de semana, com muitas castanhas e alguma "água-pé". Cuidado com a estrada.

Lembro que o SABIA QUE ...? continua a editar temas importantes. Não deixe de o visitar.



Também e a pedido de um grande amigo convido-vos a visitarem POÉTICUS o blog que lembra os nossos Poetas.

Porque

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.



(Sophia de Mello Breyner Andresen)

Manuel Alegre - O Nosso Candidato

«Trova do Vento que Passa»


Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te …

SABIA QUE...?

A par do "Beja" SABIA QUE...?é o novo blog que vos apresento. Serão ali tratados os mais diversos assuntos de interesse geral: saúde, política, informática, economia, música, etc. etc.

Convido todos os amigos a uma visita a este sítio e agradeço a todos que já me visitaram e deixaram palavras de incentivo e amizade.

Naquele Tempo

Naquele tempo,
ainda haviam amoras nos silvados
à beira de ribeiras transparentes.

Naquele tempo,
ainda haviam papoilas nos trigais
para enfeitar os cabelos das ceifeiras.

Naquele tempo,
mergulhávamos nos pegos das herdades,
onde em paz nadavam as pardelhas.

Naquele tempo,
os morangos cheiravam na boca
e as maçãs amadureciam nos ramos.

Naquele tempo,
os primeiros versos envergonhados
eram escondidos nos cadernos da escola.

Naquele tempo,
éramos inocentes, generosos e simples,
como as aves que cruzavam o azul do céu.


Mas isso… era naquele tempo,
porque as nossas almas ainda estavam brancas!


Orlando Fernandes in Alentejo...e Outros Poemas

Os Montes

Vieram de longe
montados em “jeeps
novinhos de ver.

Com ares de cidade
e dinheiro batido,
compraram-te os montes
velhos de cem anos …

Pintaram de cores,
o branco caiado.

Nem poiais de pedra,
nem barras azuis.

Mármores, cantaria,
madeiras pau-santo.

Bancos de baloiço,
mesas em forjado.

Há vinhos franceses,
charutos cubanos,
e amigos de longe,
nos fins-de-semana.

Alentejo, meu país,
não chores as tuas mágoas
atráz dos chaparros velhos …
que essa gente não é tua !

Compram-te as casas,
arruinadas pela pobreza,
e mudam-te as terras de pão,
em jardins …

Moram-te os espaços,
mas não te habitam a alma,
nem sabem cantar como nós …
o lírio roxo do campo !




In POIESIS – Antologia de Poesia e Prosa Poética Portuguesa Contemporânea. Ed. Minerva, Out./1999
ORLANDO FERNANDES - in Alentejo ... e Outros Poemas

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Feira dos Santos em Alvito



Que bom fim de semana prolongado passei em Alvito para assistir à Feira dos Santos. Nem a chuva que copiosamente caiu nos dias anteriores e que já é uma tradição impediu uma multidão de visitantes d…