quinta-feira, novembro 17, 2005

Manuel Alegre no Porto

Foto de Dias dos Reis




Liberdade



Aqui nesta praia onde

Não há nenhum vestígio de impureza,

Aqui onde há somente

Ondas tombando ininterruptamente,

Puro espaço e lúcida unidade,

Aqui o tempo apaixonadamente

Encontra a própria liberdade.



(Sophia de Mello Breyner Andresen)






Alegre quer sacudir o País como Humberto Delgado
Para evocar 'general sem medo', candidato até foi à varanda da sede saudar apoiantes
[david mandim / DN, 17.11.2005]


Manuel Alegre apressou-se a confessar uma "certa emoção" por estar na cidade do Porto. Mais ainda, por inaugurar a sua sede de campanha num segundo andar de um edifício da Praça Carlos Alberto, muito perto da varanda, onde, em 1958, o general Humberto Delgado "deu uma grande sacudidela no medo e abalou o regime" salazarista.
Na abertura da sede portuense, Alegre teve ao lado figuras como Jorge Costa e Pedro Abrunhosa.

Volvidos 47 anos, Alegre propõe também uma "sacudidela", agora "no marasmo, no seguidismo" e "renovar os ideais do 25 de Abril". E não resistiu, qual candidato sem medo, a ir à varanda saudar a meia centena de apoiantes que estavam na praça portuense.

Com uma candidatura que "é um acto de liberdade", Manuel Alegre seguiu a evocação de Humberto Delgado para criticar aqueles que estão na política "menos por convicção que por carreirismo e não por fidelidade à democracia". "Não me candidato contra ninguém. Tenho uma causa e um projecto", assegurou, ladeado pelo futebolista Jorge Costa - "se fosse treinador seria sempre primeira escolha" -, pelo músico Pedro Abrunhosa -a quem, por engano, chamou Rui - e pelo arquitecto Manuel Correia Vicen- te, seu mandatário distrital. Também o escritor Mário Cláudio enviou uma mensagem de apoio.

"Cumprir e fazer cumprir a constituição" é o objectivo do candidato que recusa ser menorizado. "Estou a lutar para ser eleito. Não sou um candidato marginal. Quero evitar a eleição de Cavaco Silva na primeira volta, para na segunda volta, com toda a esquerda e com todos os portugueses" ser eleito presidente, disse o deputado socialista, consciente que o "combate é difícil, porventura desigual, mas vale a pena".

"Mas não há vencedores antecipados", afirmou. "Quiseram coroar o candidato Cavaco Silva, mas ele vai ter que ir à luta, aos debates, disputar a eleição com outros candidatos", acrescentou, para logo completar "Mas não é apenas para travar um candidato, é ter um projecto." E neste projecto encaixa "um presidente da República que deve ter um papel activo, que seja um provedor da democracia".

Por isso, se chegar a Belém, Alegre promete "não falar das forças do bloqueio" e questionar logo a Assembleia da República se "candidatos pronunciados pela Justiça poderão ser eleitos para cargos públicos". Alegre considera que é mau "Não creio que seja um acto prestigiante para a democracia."

Na sua intervenção, insistiu que é o único a correr sem o "apoio de nenhum partido" e sem "nenhuns interesses por detrás". Isto para dizer que a candidatura tem poucos meios mas é apoiada por gente sincera e com causas. "Comovo-me muito quando chegam cheques de cinco ou dez euros", disse.

Caso seja eleito, pretende lutar por tornar "os direitos políticos inseparáveis dos direitos sociais". É tempo de mudar, porque "há trinta anos se pedem sacrifícios ao povo". Agora, Alegre deseja que "os custos das mudanças sejam repartidos por todos".

Foi o final de um dia totalmente passado no Porto. De manhã, Alegre visitou a delegação do Instituto Português de Sangue, onde criticou o aumento das taxas moderadoras, anunciado pelo ministro Correia de Campos. "Temos de ter consciência que temos um País com dois milhões de cidadãos em estado de pobreza, mais meio milhão de desempregados e muita gente a viver de um salário mínimo que é dos mais baixos da Europa", justificou.

No dia temático da inovação, o candidato defendeu uma aposta no conhecimento tecnológico e científico, patente na actividade do instituto. À tarde, e depois de um almoço com dirigentes da Federação de Associações Juvenis, visitou uma empresa de informática em Perafita, Matosinhos, que definiu como um bom exemplo de empreendedorismo.
(...)

16 comentários:

gato_escaldado disse...

um abraço. força. um poeta á presidência

segurademim disse...

... uma agenda bem preenchida! vamos a isto!
Beijo

MARIA VALADAS disse...

Ohhh Lumife...encanta-me ler tudo o que você escreve........
Informação:
A informação que o país precisa de ter conhecimento!
Continuação de mais....venho espreitar...
Braço de uma Alentejana.......
maria

Anónimo disse...

vim dar mais uma espreitadela. como sempre, saio preenchido e informado. um abraço.

nota: prometo que da próxima virei com menos correria, até porque esse poema da Sophial, de certo modo inspirou-me :).

Ruy disse...

vim dar mais uma espreitadela. como sempre, saio preenchido e informado. um abraço.

nota: prometo que da próxima virei com menos correria, até porque esse poema da Sophial, de certo modo inspirou-me :). para além disso, repeti pq esqueci-me de identificar-me :).

BomDeBola disse...

O nosso objectivo!

O objectivo de Alegre é passar à segunda volta e depois vencer as eleições.
O nosso é mais simples.
Fazer eleger Manuel Alegre como Presidente da República.

A nossa rede pode ser alimentada de coisas tão simples como mandar de cada um dos nossos telemóveis um SMS a todos os amigos para os saudar.
Eles gostarão, por exemplo, de saber que:

Ando Alegre
www.manuelalegre.com
Abraço

É fácil e os amigos gostarão de saber do nosso estado de espírito.

Anónimo disse...

O MITO COM PÉS DE BARRO

Nestes últimos tempos, perante os nossos estupefactos olhos, foi sendo desenvolvida uma curiosa e inverosímil candidatura do impossível. Sem que se ousasse sequer questionar, um homem surgia como o redentor dos males portugueses, como se dominasse uma qualquer varinha de condão.
Acontece porém, que a estratégia esqueceu um pormenor, significativo: o próprio candidato.
Embalado pela vertigem do seu ego, embalado pelo canto de sereia dos seus apoiantes, Cavaco Silva surgiu, esta semana, no pequeno ecrã. Vinha preparado para se glorificar, explicar que é “um homem de palavra”, vender a fantasia de que a sua imagem (que o próprio considera de rigor e autoridade) valeria uma eleição.
Sucede que uma entrevista não é um tempo de antena. Confrontado com questões prementes e óbvias, Cavaco Silva não foi capaz de ir além de vacuidades e fugas inexplicáveis à formulação de opiniões.
Falou do passado, do seu passado, vangloriou-se, foi incapaz de projectar o futuro para além de si próprio.
A entrevista terminou com um momento revelador: ignorando que a realidade não corresponde à ilusão que criou, pareceu genuinamente estupefacto quando a jornalista lhe lembrou os seus ataques contundentes a Jorge Sampaio há dez anos - semelhantes, de resto, aos comentários que hoje considera ataques pessoais – Cavaco ainda ensaiou uma negação, uma dúvida, refugiando-se num arrazoado incompreensível, falando do “mundo” e das mudanças ocorridas numa década.
Pouco sobrou desta entrevista, para além da leveza e fragilidade. Ainda que involuntariamente, Cavaco Silva demonstrou que o mito tem, afinal, … pés de barro!

Anónimo disse...

INENARRÁVEL
Que estranho sopro terá levado um homem inteligente a executar uma rudimentar tentativa de contorcer a realidade, escrevendo esta frase inacreditável: “No entanto, como ele só fala de coisas ‘sérias’, acaba por favorecê-lo, gerando um efeito de veracidade. Aquele homem está nervoso porque está preocupado e está preocupado por nós.” (sic).
Pacheco Pereira escreveu esta pérola hoje no Público, sem sombra de ironia, comentando a entrevista de Cavaco Silva à TVI.
É este o nível de argumentação: o mais vil e ridículo endeusamento, recorrendo a textos laudatórios primários.

Mais Alegre!

alentejodive disse...

Vamos a ver no que isto vai dar.
Se a campanha passar aqui pelo Alentejo .....

Quanto ao resto, em Janeiro lá estaremos.

O Micróbio disse...

Personagem que é prova demonstrada que nem sempre a arte se conjuga bem com a política... eis aqui um grande poeta!

batista filho disse...

Como é bom ter esperança nessa área! - como é bom ter Esperança!

wind disse...

Boa introdução com um poema de Sophia de Mello Breyner, para continuares, com o candidato que merece vencer:) beijos

Henrique Santos disse...

Alegre veio arejar a nossa política, e mostrar o quanto os nossos políticos estão errados...
É bom que eles se revejam neste espelho "Alegre"... seria bom... seria bom...
Um abraço, Ricky

Nilson Barcelli disse...

Será que vamos ter poeta a presidente?
Confesso que o meu voto estaria muito indeciso ainda, se eu não soubesse que não vou votar (porque não posso).
Abraço.

Arte por um Canudo 2 disse...

Que o "Alegre" dê alegria, força e uma sacudidela no marasmo da politica que se vai praticando por cá.Que todos vejam nele o ideal já esquecido do 25 de Abril.Bom fim de semana. Abraço.

Anónimo disse...

ESQUECIMENTOS
Para o candidato Cavaco Silva, a campanha para as eleições presidenciais constitui uma óbvia maçada – etapa desnecessária que dispensaria de bom grado.
Lá no recato em que se resguarda, entenderá que tudo está dito. Bastou-lhe a apresentação do seu programa de governo em forma de manifesto (de que, inexplicavelmente, se orgulha) e a promessa (ameaça?) de “estar muito atento à actividade do Governo” : eis o que considera ser fundamental para ser eleito Presidente da República Portuguesa.
A estratégia da sua candidatura está gizada: poucas ou nenhumas declarações, uma sempre oportuna vitimização - utilizando o patético aviso aos demais candidatos de que não responderá a ataques pessoais - e generalidades óbvias (partilhadas, certamente, por todos os candidatos) quando afirma desejar uma “campanha digna”.
É confrangedoramente pobre para quem pretende exercer o magistério presidencial, nestes tempos turbulentos, neste mundo que recusa maniqueísmos.
É pouco, muito pouco, repete-se. Contudo, não constitui novidade nem surpresa: Cavaco, apresenta-se como sempre foi, refugiando-se nos silêncios, nos enigmas, tabus e ausências. Evidentemente, não alterará o seu registo, manter-se-á agarrado a ideias que não permitem discussão, vincando teimosa e perigosamente a sua visão predefinida do mundo.
Cavaco não mudou, uma boa parte da população portuguesa é que parece estar esquecida!