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A mostrar mensagens de Agosto 5, 2005

Poema Mestiço

escrevo mediterrâneo

na serena voz do índico

sangro norte

em coração do sul

na praia do oriente

sou areia náufraga

de nenhum mundo

hei-de

começar mais tarde

por ora

sou a pegada

do passo por acontecer


Mia Couto


Não podia deixar de colocar aqui o comentário do Charlie. Agradeço as suas palavras e insisto para que crie o seu próprio blog..E no passo por acontecer, nesse lapso de tempo
sem medida,
acontece sempre o nada
Coisa que está no inicio de tudo.
Avanças!
Pensas que fazes Historia.
Pé ao fundo esmagando a areia que lhe toma a
forma e que o vento depois cantará no eterno
exercicio da criação desfazendo a eternidade dum
passo criando a tela para os passos seguintes.
Das gentes que hão de vir.
De passos tão eternos quanto o horizonte infinito,
mas que acaba mesmo ali.
Onde os nossos sonhos começam e acabam.
Levados pelos ventos. .Charlie

Alentejo, debruado a Arraiolos

Na dourada planície alentejana
Onde o sol penetra e tudo queima
A falta de água mísera e insana
Quebra a vontade abate a alma

Nessa imensa e dourada pradaria
O vento de suão seca a cortiça
Leva consigo, numa lenta agonia,
O suor a que chamam de preguiça

Mas o Alentejo é belo e majestoso
Quem o ama chama-lhe de formoso
Quem parte volta, nunca diz adeus

Por isso há sempre vozes em coro
Cântico alentejano em vez de choro
A alma alentejana tem a força de Deus


Poemas de Amor e Dor
Rogério M. Simões
19-04-2005Foto feita perto de Vila Nova da BaroniaA.C.Vera Cruz -(Montra Digital)