terça-feira, setembro 13, 2005

Alentejo ai Alentejo ...




.............Foto e título de Lobo da Ponte.........


(Clique sobre a foto para ver esta maravilha em todo o seu pleno)

Gosto, Não Gosto ...Em Alvito

Ermida de S. Sebastião - Rossio in "Ensaio Fotográfico -Alvito Dourado"

Foto de Izhar Perlman

"Gosto de ter chegado a Alvito atrás de um sonho. Não gosto de sentir que, por vezes, a realidade é afinal distante. Gosto de pensar que ainda posso viver o tal sonho. Gosto de gostar de Alvito. Não gosto de, às vezes, ser obrigada a não gostar. Não gosto de não poder dizer o que penso. Gosto de lutar por aquilo em que acredito. Não gosto de não poder acreditar em certas pessoas. Gosto do céu muito azul das manhãs de primavera em Alvito. Gosto das cores das flores na primavera de Alvito. Gosto dos vizinhos da minha rua e também de outros de outras ruas que não a minha. Gosto de ver o Castelo da minha janela. Gosto de viver numa vila com Castelo. Não gosto de pensar que os Alvitenses vivem à sombra do Castelo. Gosto muito da lua cheia e intensa a espreitar no céu negro do meu quintal. Gosto das luzes da Matriz e de S. Sebastião. Não gosto da falta de luz de Sta. Luzia e Sto. António. Gosto de descer em passo de corrida a Rua do Salvador e atravessar o Rossio e as Alcaçarias ao ondular da brisa das manhãs. Gosto dos nomes das Ruas em Alvito. Não gosto de ver paredes com falta da cal branquinha. Gosto dos portais e janelas manuelinas. Gosto dos frescos das nossas igrejas e capelas. Não gosto que as pessoas não percebam a importância e o valor que eles têm. Não gosto de gente cheia de certezas. Gosto de gente que vê mais longe. Gosto da História de Alvito e de pessoas que fazem com que as memórias do concelho sejam revisitadas. Gosto dos velhinhos que se sentam ao pé da fonte. Não gosto quando alguém não responde aos meus bons dias. Gosto de ouvir pardais e rouxinóis a cantar e esvoaçar por cima da amoreira. Não gosto que tapem o Largo das Alcaçarias. Gosto de perceber que mesmo com o largo tapado, as pessoas nos descobrem. Gosto quando os viajantes saem de Alvito com o desejo de voltar. Não gosto das "vistas curtas" e da inércia de algumas pessoas. Gosto de muitas pessoas de cá. Não gosto que muitas se desliguem das coisas da sua terra. Gosto quando alguém me diz que se interessa. Gosto de "Água de Peixes". Não gosto de ter de dizer que a entrada é proibida. Gosto de me entusiasmar quando alguém percebe o meu gosto... por Alvito. Não gosto que não gostem de Alvito. Gosto de acreditar que Alvito vai seguir em frente. Gosto de ser uma forasteira que veio com os seus dois amores atrás do sonho... para Alvito.





Escrito em Agosto, 2002.
Revisto em Junho, 2003. (Curiosamente, quase um ano depois continuo a gostar e a não gostar das mesmas coisas... mas como se percebe pelos “gostos” o balanço é francamente positivo)!





Transformado em “Post” em Setembro, 2005. Quando tudo permanece na mesma…"


NOTA DO "BEJA":

Transcrevi este belo texto, com sua permissão, do blog GASTR'EAT

Só quem sente a realidade pode viver estas palavras. Como se fossem ditadas por mim elas surgiram muito melhor escritas por Ludinais que além dos amores que já transportavam para Alvito aqui criaram nova paixão por esta terra. Que Alvito os saiba acolher com a sua característica hospitalidade. Por certo encontrarão alguns escolhos mas passai ao largo. Há-os em todo o lado e só existem para perturbar a harmonia e o amor. Amor que nunca sentiram e nem sabem o que é.
Pela minha parte e como Alvitense de coração recebo-os de braços abertos num amplexo de amizade e reconhecimento.