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A mostrar mensagens de 2006
ATÉ SEMPRE

MEUS AMIGOS


….é verdade o “BEJA” vai encerrar.
Desde Junho de 2004 até Julho de 2005, no SAPO, foi uma etapa muito interessante, uma novidade e uma série de descobertas. Depois passou para o Blogspot onde se tem mantido até hoje com grande aceitação dos amigos comentadores
.
Este blog foi muito importante para mim pois foi com ele que tive o gosto de conhecer muitos amigos virtuais e com o tempo tive o prazer de partilhar pessoalmente grandes amizades.

Também este espaço – através da vertente poética – teve uma importância tamanha na viragem da minha vida. Permitam-me que neste ponto fique por aqui…

Outros projectos irei tentar levar por diante e para eles preciso de mais tempo do que disponho actualmente.

Na hora da partida não posso deixar de fazer uma série de referências aos Amigos que aqui encontrei :

Começarei por um grupo que me acompanhou desde o primeiro momento e assim se conseguiu levar por diante, com muito êxito, um projecto chamado: I ENCONTRO DE BLOGS EM ALVITO:

D…
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André Gonçalves (1686-1762)-Adoração dos Magos s/ data, óleo sobre tela - Museu Nacional de Machado de Castro - Coimbra


NATAL ALENTEJANO

O Natal também se celebra em Portugal sem a Missa do Galo. Apesar desta ser o centro de todo o ciclo comemorativo e comandar as demais manifestações, a tradição – muito viva no Alentejo – de representar os chamados “presépios vivos” pode assumir o seu lugar, como acontece na paróquia da Trindade, Beja.

A iniciativa partiu dos próprios fiéis e mesmo as gentes que há muito saíram da aldeia para ganharem a vida acabam por se deslocar propositadamente aos ensaios. O que se faz é contar a história toda do nascimento em verso.

Os autos de Natal inserem-se na tradição do teatro popular e representavam-se primariamente ao ar livre, na noite de Natal, das 21h às 06h00. Hoje o auto de Natal continua a demorar horas, mas já é feito no salão paroquial.

A Missa do Galo continua, ainda assim, a ser a principal protagonista da noite cristã no Alentejo. O tributo ao Deus…

ALVITO - NOTÍCIAS

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ALVITO NA SÉRIE " A ALMA E A GENTE

No passado dia 9 de Novembro, o Prof. José Hermano Saraiva esteve no Concelho de Alvito com o objectivo de gravar um dos programas da Série “A alma e a gente”.


O programa sobre Alvito passa no próximo dia 3 de Dezembro, na RTP2, pelas 21:30h.











TERRAS SEM SOMBRA

3º Festival de Música Sacra do Baixo Alentejo
O 3º Festival de Música Sacra do Baixo Alentejo- Terras Sem Sombra, está a decorrer desde o passado dia 15 de Novembro e prolonga-se até ao dia 24 de Março de 2007.
Este evento financiado pelo Instituto das Artes/ Ministério da Cultura, com o patrocínio da Delta, conta com os seguintes apoios: Câmaras Municipais de Almodôvar, Alvito, Beja, Castro Verde, Santiago do Cacém e Sines; Fundação Caloute Gulbenkian; Fundação das Casas de Fronteira e Alorna; Institut Franco Portugais; Governo Civil do Distrito de Setúbal e Região de Turismo da Planície Dourada.
“O Festival(...) propõe desde 2003 uma programação de qualidade internacional de concertos de músi…
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Foto de Robert Socha



NOSTALGIA




Quantos sóis e luas passaram
Anos e anos feneceram,
Quantas marés teve o mar
Quantos amores se perderam?

Se a Lua pudesse contar
As noites de abandono,
Contava ondas do mar
Que nunca têm retorno.

Mesmo o sol iluminando
O mais azul dos céus,
Um amor e desenganos
Escurecem um lindo véu.

Anos e anos passados
Presente em pensamento,
Estiveste a meu lado
Mesmo estando ausente.

As marés que teve o mar
Nunca ninguém as contou,
Os beijos que te quis dar
Foi o vento que os levou.

Quando a lua tapa o sol
O dia fica em escuridão,
O amor que não vivi
Tornou a vida em solidão.


(Olinda Bonito 05/06)

Retrato de um Amor

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Autor da foto Curtis Forrester






Iluminas
a sombra dos meus dias
neste mundo que abrimos devagar
entre o corpo e a alma, sempre mais
secretos no abismo que os devora.

Maior do que este amor nada haverá
até ao fim dos tempos: os teus olhos
respondem ao destino, à sua eterna
graça que paira sobre as nossas vidas
agora a transbordarem numa única
razão feita de luz. a tua boca
inunda a minha língua com o sabor
de todos os sentidos que mergulham
a noite numa água sem retorno.

Para ti absorvo o hálito de um verão
em cada beijo cego, surdo e mudo
respirando de súbito em uníssono:
enigma revelado num só frémito,
insónia submersa que , em silêncio,
regressa pouco a pouco aos nossos braços
afogados na espuma do seu mar.

Perto do teu sorriso há uma fonte
embriagada e pura- meu amor,
dá-me esse coração, essa primeira
raiz de todo o fogo, esse relâmpago
onde cresce para nós a flor de um grito;
segreda-me às escuras mais um sonho
antes de adormeceres sobre o meu ombro.


Fernando Pinto do Amaral
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foto de Brigitte Carnochan



na hora de pôr a mesa, éramos cinco:
o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs
e eu, depois, a minha irmã mais velha
casou-se. depois, a minha irmã mais nova
casou-se. depois, o meu pai morreu. hoje,
na hora de pôr a mesa, somos cinco,
menos a minha irmã mais velha que está
na casa dela, menos a minha irmã mais
nova que está na casa dela, menos o meu
pai, menos a minha mãe viúva, cada um
deles é um lugar vazio nesta mesa onde
como sozinho, mas irão estar sempre aqui.
na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco.
enquanto um de nós estiver vivo, seremos
sempre cinco.


(José Luís Peixoto – A Criança em Ruínas)
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Foto de João Espinho



Eh, como está triste o mar!
Faz lembrar um animal
Muito manso
E doente.

As ondas mal se mexem.
Parece mesmo
Que tiveram uma avaria.

Dá-me a impressão que o mar
teve algum desgosto
para assim estar…

Ou será a minha solidão que o contagia?

*************

Retrospectiva

Debruço-me para a infância.
Demoro.
Lá faz bom tempo. Há sempre um dia
Novo que começa.

A realidade zanga-se
E ordena-me que recolha.

… o sonho é um carro de bois
que nunca tem pressa

*******************


Antigamente os velhos caiaram a vila,
os velhos mondaram o trigo,
antigamente carregaram o trigo,
amassaram o pão.

Os velhos hoje deixam
cair uma lágrima,
como o suor antigamente
nas terras do patrão.

Chora a lágrima dos velhos
suas pernas seus braços rijos dantes,
seu único bem que já não torna.

Hoje os velhos vão pedindo pelos montes,
hoje os velhos vão metendo no alforge
o pão e o toucinho da reforma

***************

A minha vida é um poema aos bocados
e quando ela terminar
o dobrar dos meus finados
é que o há-de recitar




(Sebastião Penedo…
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AMIGOS


Amigos,
Companheiros do amor e da alegria,
repartindo entre si a ansiedade
e às vezes frustrações dum dia a dia.
Amigos, amigos de verdade…
cavalgam juntos o corcel das ilusões,
dividem entre si, sonhos, prazer,
estudando em conjunto soluções,
rindo felizes nas horas de lazer.


Amigos,
Morrendo um pouco quando um deles morre.
Sofrendo silêncios quando um deles cai.
Seguindo-lhe os passos se algum deles corre
atrás de qualquer sonho que se esvai.
Amigos, amigos de verdade…
não traiem, não falam desabonos,
não quebram um só elo da amizade,
enfrentando juntos, da vida, o frio Outono…


Amigos,
ninguém desfaz as suas ambições!
Ninguém parte a corrente estabelecida!
Nem o tempo. Só a morte ou os turbilhões
sempre imponderáveis que há na vida!
Amigos, amigos de verdade…
Caminham lado a lado pelos anos,
fazendo do convívio o grande abraço;
esquecendo as diferenças, desenganos,
sem ódios, sem mentiras… sem cansaço.



(Orlando Fernandes – Fronteiras do Sonho)
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Falls embrace de Lauri Blank




AMORES DE VERÃO


A areia era branca,
Plumas de gaivota
Leves e fugidias
Adornavam a praia.

Uma praia de sonho.

O nosso amor ali,
Puro como a areia
Que o mar lança nas ondas,
Incandescente e forte
Como o vermelho do céu
No pôr-do-sol à noitinha.

E,quando a noite chegava
E brisa ligeira surgia,
A adrenalina da felicidade
Fazia voar os pensamentos,
E juntos sonhávamos no tempo.

O Inverno aproximou-se.

Com ele a tristeza dos dias,
A brisa tornou-se forte
Afastou as plumas das gaivotas,
As ondas em turbilhão
Levaram a areia e os sonhos.

O Sol arrefeceu.

Não havia pôr-de-sóis rubros,
E destruídos pelo vento gélido
Foram-se os sonhos ardentes
E o amor veemente,
Que nos deixaram na alma
A melancolia da desilusão,
Dum amor enterrado na areia
Numa praia de sonho
Adornada de plumas de gaivota.


(Olinda Bonito -08/06)
Problemas no campo informático não me têm permitido manter as visitas regulares aos amigos.
Espero que em breve sejam sanados estes contratempos.

Beijos e abraços

Até breve
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FEIRA DOS SANTOS 2006

11ª MOSTRA DE PRODUTOS E SERVIÇOS LOCAIS E REGIONAIS



A Câmara Municipal de Alvito organiza, entre os dias 28 de Outubro e 01 de Novembro de 2006, a 11ª Mostra de Produtos e Serviços Locais e Regionais / Feira dos Frutos Secos. Esta mostra, que decorre no Largo das Alcaçarias é já um importante certame económico que anualmente acolhe mais de 60 expositores, constituindo uma óptima oportunidade de negócio e promoção para todas as empresas e entidades que nela participam.

A tradicional Feira dos Santos, acontece entre os dias 31 de Outubro a 02 de Novembro, em toda a envolvente do Castelo de Alvito e tem associado um programa de actividades culturais, que inclui exposições temáticas, animação de rua, espectáculos nocturnos, e o II Encontro – ROTA DO FRESCO, em que será abordado o património arquitectónico como recurso do desenvolvimento sustentável em zonas do interior de Portugal.

Mais informações, poderão ser obtidas através do e-mail nuno.pereira@cm-alvito.pt

PROGR…
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Sobre os cadernos da escola
Sobre a carteira e as árvores
Sobre a areia sobre a neve
Escrevo o teu nome

Sobre as páginas já lidas
Sobre as páginas em branco
Pedra papel sangue ou cinza
Escrevo o teu nome

Sobre as imagens douradas
Sobre as armas dos guerreiros
Sobre a coroa dos reis
Escrevo o teu nome

Sobre a floresta e o deserto
Sobre os ninhos e as giestas
Sobre o meu eco da infância
Escrevo o teu nome

Sobre os encantos das noites
Sobre o pão branco dos dias
Sobre as estações mescladas
Escrevo o teu nome

Sobre os meus trapos de azul
Sobre o tanque sol melado
Sobre o lago lua viva
Escrevo o teu nome

Sobre os campos e o horizonte
E sobre as asas dos pássaros
Sobre o moinho das sombras
Escrevo o teu nome

Sobre a sopro duma aurora
Sobre o mar e sobre os barcos
Sobre a montanha demente
Escrevo o teu nome

Sobre as espumas de nuvens
Sobre o suor da tormenta
Sobre a chuva espessa e vã
Escrevo o teu nome

Sobre as formas cintilantes
E sobre os sinos das cores
Sobre a verdade palpável
Escrevo o teu nome

Sobre as veredas traçadas
Sob…
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Foto de José Luis Mendes - Pontos de Vista



ALENTEJO REVISITADO


Ele queria ser sinónimo de Alentejo velho


foi-lhe dito que a urze quando nasce
é o lápis que risca a roxo a linha do montado
e divide em horizonte o Céu e o resto do mundo;
foi-lhe dito que a geografia duma azinheira
termina em cabelos de fogo e que seus braços
espreguiçados ao calor são o descanso da terra


falaram-lhe que as ribeiras soltas tinham vida
e que cada gota cheirava a suor e lágrimas
presas à lâmina pujante duma enxada na semente;
alguém lhe disse que os riachos eram de sabão
e que emanavam cânticos de mulheres selvagens
protegendo os filhos debaixo dos aventais lavados


contaram-lhe que as tardes eram só os dias longos
enrolados no vento maestro das searas espigadas
só à espera do ouro para alimentarem os alforges;
disseram-lhe que os açudes do rio eram o sisal
que cingia o trigo secado e embalado nos braços
de uma ceifeira quase morta pelo cansaço


foi-lhe dito que os espinhos da esteva são aves
e deles brotam flores alvas formando …
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Outono - Pintura de José Malhoa (1919)


SETEMBRO

Na poeira dourada
Que o tempo criou,
As vidas, sem vida
Voam procurando
As folhas do passado,
Que em nossas vidas
Como folhas de Outono
Douradas p`lo Sol
E quentes de saudade,
Recordam o tempo
Dos amores presentes,
Que por leves brisas
Na ironia da vida
Tornámos ausentes.

Ao chegar Setembro
Na doce calma
Dum Outono ardente,
Nossos olhos fitos
Em recordações,
São beijos trocados
Por namorados,
Que em folhas douradas
Voaram no tempo.



(Olinda Bonito - 08/06)
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Foto de Brigitte Holz







ALENTEJO

A região do Alentejo está situada numa extensa área dominada por planícies a sudeste de Portugal abrangendo as cidades de Évora e Beja. A economia se baseia em criação de gado, agricultura e a indústria da madeira. Os produtos típicos desta região são o trigo, os girassóis, frutos, vegetais, azeitonas, vinhos, cortiça, eucaliptos, cordeiro, porco, cabrito, minerais, granito, xisto e mármore.
Topograficamente a região possui importantes variações, do Sul do Alentejo até às elevadas zonas do nordeste, que fazem fronteira com a Espanha. Na maioria de origem vulcânica cujo solo é composto de granito, quartzo e xisto vermelho.

São os horizontes largos que caracterizam a paisagem alentejana. Os relevos são brandos, os campos abertos e os trigais a perder de vista. A planície, na sua esplendorosa imensidão, marca decisivamente toda esta magnífica região do Alentejo. Pouca chuva, clima seco e quente, especialmente nos meses de verão, transformam esta zona do interio…
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foto de Sergey Ryztkov



RECORDAÇÃO


Lembro Setembro. Um dia a que foste.
Era domingo. Era tua alma casta.
As uvas doces, lembro, de teu corpo inteiro
Onde o rosto as põe, onde o rosto basta.


Lembro tão bem, como se fosse hoje,
tua fala ingénua, tuas mãos sadias.
E era em teus lábios puros que eu escutava
a música do ar com que sorrias.



Sebastião Penedo - Poesia
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Caronte, o barqueiro do Hades - Gravura de Gustavo Doré


ARCO – ÍRIS


No longe mais longe dos longes do mar
Andava um barqueiro a remar… a remar…

Não via mais nada: só águas e céu
E nuvens e astros que Deus acendeu.

Sozinho consigo, sonhava… sonhava…
Nos fundos mistérios que o fundo guardava.

Passavam as ondas, e, uma por uma,
Beijavam-lhe os remos com lábios de espuma.

Os ventos pintavam, com nuvens e sol,
mil quadros a tintas de fresco arrebol.

À noite, não quadros que o vento arrebata,
Mas lua beijando cardumes de prata.

E o poeta barqueiro remava a sonhar
Nos fundos mistérios do fundo do mar.

Que tempos passaram!! Já nem se lembrava
De quando partira! Remava… remava…

Às ondas suaves: - «Mais longe, mais longe,
(Pediam as nuvens) levai este monge!»

E o monge poeta, com mais energia,
Remava nas ondas da luz que acendia,

Que a luz era o sonho que o monge habitava,
Bebendo os silêncios que a alma cantava.

E as horas passaram felizes… velozes!
Cantaram os galos, ouviram-se vozes,

O sol levantou-se, rompeu a manhã
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Pensamento


Além longe ,onde o sol se põe,
Não se vislumbra o firmamento,
Em nossa ilusão,o pensamento
Abala, acaba , não se repõe.

Quando a luz enfim desaparece,
Além longe ,atrás daqueles montes,
Chega até nós , o barulho das fontes,
As palavras doces do entardecer.

Hora dos amantes que com agruras,
Misturam seu amor e amarguras,
Sentem noite em seus pensamentos.

Beijam-se sequiosos de prazer,
E não sentindo a alma sofrer,
Esquecem a noite e o sofrimento.


(Olinda Bonito -Agosto 05)
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A L V I T O

FESTAS POPULARES EM HONRA DE NOSSA SENHORA DA ASSUNÇÃO


Vão-se realizar, nos dias 25, 26 e 27 de Agosto, as já tradicionais Festas da Vila de Alvito. Sendo este ano, a organização da responsabilidade da Associação Juvenil Nova Geração. As principais atracções, das Festas Populares em Honra de Nossa Senhora da Assunção, serão as Garraiadas, o Grupo de música tradicional “Adiafa”, os tradicionais bailaricos e uma sessão de autógrafos com os actores “Bia” e “Lourenço” da série Morangos com Açúcar .

Tu eras também...

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Foto de Katrin Tarpke



Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.


(Pablo Neruda)

ESTA MANHÃ ENCONTREI O TEU NOME NOS MEUS SONHOS...

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Foto de Paulo Cesar-Olhares



Esta manhã encontrei o teu nome nos meus sonhos
e o teu perfume a transpirar na minha pele. E o corpo
doeu-me onde antes os teus dedos foram aves
de verão e a tua boca deixou um rasto de canções.

No abrigo da noite, soubeste ser o vento na minha
camisola; e eu despi-a para ti, a dar-te um coração
que era o resto da vida - como um peixe respira
na rede mais exausta. Nem mesmo à despedida

foram os gestos contundentes: tudo o que vem de ti
é um poema. Contudo, ao acordar, a solidão sulcara
um vale nos cobertores e o meu corpo era de novo
um trilho abandonado na paisagem. Sentei-me na cama

e repeti devagar o teu nome, o nome dos meus sonhos,
mas as sílabas caíam no fim das palavras, a dor esgota
as forças, são frios os batentes nas portas da manhã.



Maria do Rosário Pedreira
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Foto de Stefan Haffner




TARDE



É tarde?...não sei…

Muitos ocasos passaram,
Mas madrugadas claras
Renovam-se todos os dias,
E dentro de nós a paixão
Que tu ou eu não quisemos,
E que julgámos passado
É uma dor latente
Que nos torna em ausentes
Do mundo que agora nosso
Sentimos não nos pertence.

A madrugada clara,
Que deixámos abalar,
Tornou-se escuridão
Que não queremos aceitar.

Embora com luz difusa
Os dias vão-se passando,
O teu olhar, esse não,
Não me sai do pensamento,
E os beijos que nesse tempo
Procurávamos ansiosos,
São hoje a recordação
Que sentimos bem presente
Do tempo que radioso
Tornámos escuridão.



OLINDA-05/06
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AGUARELA


Quando, a esta hora, o dia abala lentamente
pelo Tejo fora, num barco distraído,
a tarde deixa no crepúsculo penas de vermelho
do sol que voou, pousando do céu para o mar.


E lá no horizonte, as velas das nuvens,
que demoram, ainda agora, acesas na claridade,
dão tempo às luzes dos candeeiros das avenidas
e aos pássaros boémios das árvores da cidade.



(Sebastião Penedo – Poesia)

PENÉLOPE

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foto de Dave Levingston



Penélope

mais do que um sonho: comoção!
sinto-me tonto, enternecido,
quando, de noite, as minhas mãos
são o teu único vestido.

e recompões com essa veste,
que eu, sem saber, tinha tecido,
todo o pudor que desfizeste
como uma teia sem sentido;
todo o pudor que desfizeste
a meu pedido.

mas nesse manto que desfias,
e que depois voltas a pôr,
eu reconheço os melhores dias
do nosso amor.



David Mourão Ferreira
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Foto de A. M. Catarino - 1000 Imagens



À Beira-Mar Plantada


A casa até parece não ter dono!
Sem portas, sem janelas e sem telhas,
Já nem é casa, são paredes velhas
Nas insensíveis mãos do abandono.


Não satisfeito com a pouca sorte
Daquilo que foi casa e são ruínas,
Atira-lhe palavras assassinas
Durante toda a noite o vento norte.


Os mochos, e outras aves agoirentas,
Vêm ferir, nas horas sonolentas,
O sono que era bem que fosse um grito…


E entre palhuço, terra e velhos cacos,
As ratazanas criam nos buracos
Das míseras paredes que eu habito.



António Celso
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Foto de João Carlos Espinho




ALENTEJO

No meio da planura
De céu azul e carmim
Cresci eu, a desventura
E uma réstea de esperança,
Que as Primaveras vividas
Felizes e bem sentidas,
Fossem auroras claras
Dum Verão ardente
Num Alentejo bem quente,
Que incendeia o coração
E a alma desta gente,
Que olha o Outono
Não, como um retorno,
Mas como a aventura
Duma nova viagem,
Tendo em si a miragem
Que do castanho do arado
Virá uma vida nova,
Que a todos lembrará
Que a vida, como o Alentejo
É esperança e amargura,
Coragem e renovação,
Como a força desta gente
Que está sempre presente
P`ra que o trigo dê pão.



(Olinda Bonito - 06/06)
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Foto Sensitivelight


AMAR

Amar é sentir,
Sentir o teu coração.

Amar é dar,
Oferecer o meu olhar.

Amar é perder,
Quando sentimos sofrer.

Amar é vaidade,
Na hora da mocidade.

Amar é dor,
Se não nos dão amor.

Amar é repartir,
O meu e o teu sentir.

Amar é beleza,
Se amamos sem tristeza.

Amar é perdão,
Se nos ferem o coração.

Amar é viver,
Dar e receber.

Amar é felicidade,
Juntos pela idade.

Amar é doação.
Entrega total
E muita dedicação.



(Olinda Bonito 03/06)

BOM FIM DE SEMANA

Suão

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Foto de Joâo Espinho







A terra sequiosa, gretada de sede,
deitada num mar amarelo de restolho,
queda-se adormecida até ao por do sol
nos silêncios da planície.


Os sobreiros angustiados,
ardendo na febre do suão,
erguem aos céus os ramos secos
feitos mãos em súplica.


As aves, esvoaçando inquietas,
choram gritos de sede
nas margens desalentadas
de ribeiras sem água.


Um Alentejo queimado,
de entranhas em fogo,
mastiga em desespero,
a poeira quente, das últimas eiras.


Na charneca, prisioneira do suão,
calando amarguras,…ainda cantam
as cigarras, os grilos, os moscardos…
e os homens alentejanos!



(Orlando Fernandes – Alentejo … e outros poemas)





A L V I T O

5ª EDIÇÃO - JOGOS FLORAIS

Prazo de entrega dos trabalhos:

01 de Setembro de 2006





ALJUSTREL


Teatro ao Largo



Viúva Astuta nas 4ªs à Noite



O anfiteatro da Piscina Municipal de Aljustrel recebe no próximo dia 26 de Julho, pelas 22h00, a peça Viúva Astuta representada pelo grupo de Teatro ao Largo em mais uma sessão das 4ªs à Noite.

A divertida comédia do italiano, Carlo G…
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Foto de Katrin Taepke - (enjoy the silence)




VAZIO



Olho,
Não te vejo.

Falo,
Não te ouço.

Quero-te?
Não sei.

Existes?
Só em sonho.

E é para ti
Este poema…
Sem voz,
Mas com amor.

Sem olhar,
Mas com ternura.

Com tristeza.
Sem rancor.

Com saudade
Do teu calor.

Sei…
Sei que te quis.

Sei que és
A ilusão
Duma ternura
Doce e pura,
Que não terá amanhã.

06/07



(Olinda Bonito)
Manif: Trabalhadores do Grupo Pestana (Pousada de São Francisco, em Beja).




Trabalhadores do Grupo Pestana manifestam-se esta sexta-feira (21 de Julho), frente às unidades hoteleiras. Em Beja a concentração é junto à Pousada de São Francisco.


Os trabalhadores do Grupo Pestana, que inclui as Pousadas de Portugal, manifestam-se nesta sexta-feira (21 de Julho), frente às unidades hoteleiras, no caso de Beja a concentração tem como cenário a Pousada de São Francisco, desde as 8 horas.

Segundo a Federação dos Sindicatos da Agricultura, Alimentação Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal (FESAHT), os trabalhadores do Grupo Pestana são dos mais mal pagos, com salários na ordem dos 470 euros mensais, a que se junta o facto de não serem aumentados hà mais de 18 meses.

Os sindicalistas acusam a administração da empresa de piorar as condições de trabalho, recusando-se a negociar a revisão do Acordo de Empresa.

Num documento que está a distribuir aos clientes do Grupo Pestana, a FESAHT, explica as ra…
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Foto de Nuno M. Batista - Olhares





Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.


(Alexandre O'Neill)

ALVITO - CONCERTO

SONIC KITCHEN
Concerto

Jardim dos Livros, Biblioteca Municipal do Alvito
22 DE JULHO
21H 30M


Numa cozinha instalada ao ar livre prepara-se uma refeição destinada ao público. Verifica-se o gume das facas, batem-se ovos e massa, voam farinhas, repetem-se gestos tantas vezes iguais, usam-se garfos e facas, varinhas e batedeiras, ligam-se lumes e luzes.
Desta cozinha saem continuadamente sons, amplificados, transformados, trabalhados, projectam-se imagens em redor. É assim o concerto que os Sonic Kitchen trazem a Portugal. Uma cozinha com sons num espectáculo divertido e generoso. A encerrar o espectáculo, os espectadores transformam-se em convidados de um jantar que viram e ouviram preparar. E, depois de ver este espectáculo, cozinhar não voltará a ser o que era!




mais informações, em http://www.escritanapaisagem.net/2006/geral.html; tel.: 284 285 440(Posto de Turismo de Alvito)

BOAS FÉRIAS !

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A FESTA DO BARÃO -


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Sei agora como nasceu a alegria,
como nasce o vento entre barcos de papel,
como nasce a água ou o amor
quando a juventude não é uma lágrima.

É primeiro só um rumor de espuma
à roda do corpo que desperta,
sílaba espessa, beijo acumulado,
amanhecer de pássaros no sangue.

É subitamente um grito,
um grito apertado nos dentes,
galope de cavalos num horizonte
onde o mar é diurno e sem palavras.

Falei de tudo quanto amei.
De coisas que te dou para que tu as ames comigo:
a juventude, o vento e as areias.




Obra de Eugénio de Andrade /2, in «Até Amanhã» , Fundação Eugénio de Andrade

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foto de Anke M.-Fotocommunity




Na solidão na penumbra do amanhecer

Via você na noite, nas estrelas, nos planetas,
Nos mares, no brilho do sol e no anoitecer
Via você no ontem, no hoje, no amanhã...
Mas não via você no momento

Que saudade...




(Mário Quintana)




foto de Suzana Ferreira - 1000 Imagens