segunda-feira, janeiro 30, 2006

Foto de Piotr Kowalik (Fotografia na Net)



"Em cada página,o teu olhar,em cada montanha,
a tua voz.Deixa-me falar contigo.
Lembro-me tão bem de tudo o que me disseste.

As palavras existem.Eu quero encontrar-te sempre,
em cada noite,sobre a mesa dos papéis desarrumados
onde limpo a nossa vida.

Em página,os céus,em cada montanha,tu a chamares.
As páginas são,outra vez,o dia em que nasceste.
Lembraste tão bem de tudo.

Passam anos sobre as palavras.Os dias existem.
Seguro o livro como se segurasse a tua voz e,
quando alguém diz o teu nome,
eu continuo a responder."

(José Luís Peixoto)

(Um beijo para Lena/Cabana de Palavras pela maravilhosa oferta)

sábado, janeiro 28, 2006





"não me arrependo das horas que perdi a esperar-te quando ainda havia a esperança.
a esperança que havia ainda quando, a esperar-te, perdi horas de que não me arrependo.

um instante na memória de chegares é mais valioso do que jardins.
do que montanhas. do que anos de tempo.

arrependo-me de ficar ao sol, de sorrir, de esquecer que devagar passam os dias.
os dias passam devagar, esquecendo-se de sorrir ao sol e de ficar onde me arrependo."

(José Luís Peixoto, A Casa, a Escuridão)

quarta-feira, janeiro 25, 2006




ADEUS…


Além longe, atrás daquele monte,
lá bem fundo,onde o Sol se esvai,
há searas doiradas,e defronte
um rio ,salgueiros e cantam pardais.



Há vida, há Natureza,há calor,
deste lado o Mundo arrefeceu,
o Homem destruiu sem amor
tudo o bom que a Natureza deu.




Foi-se o verde lindo dos trigais,
a mancha vermelha das papoilas,
a água a correr nos milheirais,
não se ouvem cantigas de moçoilas.



Há máquinas infernais assobiando,
o seu som por entre a pedraria,
escavam,partem e vão levando
o ventre da Terra, dia após dia.



Há fumo, cinza, desilusão,
A Terra esventrada dá tristeza,
Há estradas, um Mundo de betão,
Deixou de se ouvir a Natureza.

OLINDA
01/06

terça-feira, janeiro 24, 2006





Lançamento do livro

“TERRITÓRIO E DESENVOLVIMENTO LOCAL”

No próximo dia 28 de Janeiro, pelas 16h00, terá lugar no Auditório do Centro Cultural de Alvito, o lançamento da obra “Território e Desenvolvimento Local”.

Esta publicação, da autoria do Doutor José Francisco Ferragolo de Veiga, surge como resultado da sua tese de doutoramento, cuja componente prática é um caso de estudo aplicado ao concelho de Alvito.

No âmbito deste evento, irá realizar-se um debate sobre as perspectivas de desenvolvimento futuro do Concelho de Alvito.

O Município de Alvito convida todos os interessados nestas temáticas a participarem no mencionado evento.





EM VIDA, IRMÃO, EM VIDA


Se queres feliz fazer
Alguém a quem queiras muito…
Diz-lhe, hoje, o teu querer
Fá-lo em Vida, Irmão, em Vida…

Se desejas dar uma flor,
Não esperes que ela murche
Manda-lha, hoje, com amor…
Fá-lo em Vida, Irmão, em Vida…

Se desejas dizer “gosto de ti”
À gente da tua casa, que te é querida,
Ao amigo perto ou longe,
Fá-lo em Vida, Irmão, em Vida…

Não esperes pela sepultura
Das pessoas, para as amar
E dar-lhes a sentir a tua ternura
Fá-lo em Vida, Irmão, em Vida…

Ser venturoso mereces
Se aprenderes a fazer felizes
A todos os que conheces
Em Vida, Irmão, em Vida…

Nunca visites panteões
Nem enchas tumbas de flores
Enche de amor corações
Em Vida, Irmão, em Vida…


(Poema publicado por indicação da Olinda. A Autora é a sua amiga Júlia)

segunda-feira, janeiro 23, 2006





PEDRA FILOSOFAL

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é Cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

António Gedeão






Desmistificação


Trago nos pés o cansaço

que há em todas as estradas!

Palmilhei-as passo a passo

e nunca as dei por andadas!...





Descansei junto aos valados

Dormia comigo a lua,

e a meu lado, toda nua,

os dois, num só, abraçados!





O sol vinha com o orvalho,

acordar-nos!

Eu voltava ao meu trabalho;

ela, ao céu, já manhã cedo.

Até que à noite, em segredo,

vinha de novo abraçar-nos...


(José Augusto de Carvalho- Natural de Viana do Alentejo)

segunda-feira, janeiro 16, 2006




Voltar a acreditar neste País
Voltarmos a regar nossa raiz
Voltarmos a sorrir
Sem nuvens a tapar
O sol que vai brilhar no nosso olhar.

Voltar a inventar este lugar
Viver de novo a vida sem esperar
Sonhar o velho sonho
Que temos adiado
E ver este País a acordar.

Livre e Fraterno Portugal
Justo e Alegre Portugal
País feito do mar,
País feito do amor,
País do nosso sonho
Portugal

Voltarmos a cantar este País
Que espera para voltar a ser feliz
Que a Praça da Canção
Não seja uma ilusão
E possa ser refrão dentro de nós.

Livre e Fraterno Portugal
Justo e Alegre Portugal
País feito do mar,
País feito do amor,
País do nosso sonho
Portugal



*****


É PRECISO UM PAÍS


Não mais Alcácer Quibir.
É preciso voltar a ter uma raiz
um chão para lavrar
um chão para florir.
É preciso um país.


Não mais navios a partir
para o país da ausência.
É preciso voltar ao ponto de partida
é preciso ficar e descobrir
a pátria onde foi traída
não só a independência
mas a vida.



Manuel Alegre



Lembramos Martin Luther King Jr (I have a dream) no SABIA QUE...?


O POÉTICUS publica A INIGUALÁVEL
de Mário de Sá Carneiro.

domingo, janeiro 15, 2006

22-ABRIL-2.006








ENCONTRO DE BLOGS EM ALVITO


ESTAMOS PREPARANDO O PROGRAMA QUE SERÁ PUBLICADO EM BREVE


AGENDA A TUA IDA A ALVITO



CONTAMOS CONTIGO

terça-feira, janeiro 10, 2006

SABIA QUE ... ? publica O Exemplo Vem de Cima, de António Barreto.

e no POÉTICUS O Melro de Guerra Junqueiro

segunda-feira, janeiro 09, 2006

MANUEL ALEGRE - O NOSSO CANDIDATO

Foto Expresso Online-António Pedro Ferreira


VOTAR

em

MANUEL ALEGRE


Para ganhar um

PAÍS

feliz


"É possível falar sem um nó na garganta
é possível amar sem que venham proibir
é possível correr sem que seja a fugir.
Se tens vontade de cantar não tenhas medo:

CANTA.

"






NA NOITE DE ARRANQUE DA CAMPANHA ELEITORAL

ALEGRE dirige saudação a todos os apoiantes

Esta noite, apoiantes de Manuel Alegre reunem-se nas sedes em todo o país para celebrarem com poesia e canções o arranque da campanha eleitoral.

Veja aqui o vídeo da saudação





"LIVRE E FRATERNO PORTUGAL"

Fernando Guerra fez a música e a letra, Paulo de Carvalho cantou, a Digitalmix fez os arranjos e a produção. Eis um hino que vai acompanhar toda a campanha de MANUEL ALEGRE e vai ficar nos ouvidos dos portugueses.


Voltar a acreditar neste País
Voltarmos a regar nossa raiz
Voltarmos a sorrir
Sem nuvens a tapar
O sol que vai brilhar no nosso olhar.

Voltar a inventar este lugar
Viver de novo a vida sem esperar
Sonhar o velho sonho
Que temos adiado
E ver este País a acordar.

Livre e Fraterno Portugal
Justo e Alegre Portugal
País feito do mar,
País feito do amor,
País do nosso sonho
Portugal

Voltarmos a cantar este País
Que espera para voltar a ser feliz
Que a Praça da Canção
Não seja uma ilusão
E possa ser refrão dentro de nós.

Livre e Fraterno Portugal
Justo e Alegre Portugal
País feito do mar,
País feito do amor,
País do nosso sonho
Portugal

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Sebastião Penedo um Poeta de Alvito


Sebastião Penedo. Um amigo que já não está entre nós mas que deixou obra feita e apreciada que terei todo o prazer em publicar neste blog. Esta a minha homenagem.

Sebastião Penedo é natural de Alvito.

De entre as obras que deixou chegou-me às mãos o Poesia (Edição da Câmara Municipal de Alvito) que iremos a pouco e pouco colocando para vossa apreciação.

Depoimentos:

-“Sebastião Penedo é um poeta marcado pela terra que julgamos nativa e os seus melhores poemas foram-lhe segregados pela planície heróica. A sedução do Alentejo é conhecida. Os poetas de lá são como as casas: francos, receptivos. Um belo livro que de contínuo nos empurra para o meio de uma província muito amada “
João Maia


-“Em certos passos da sua poesia não sabemos bem se ele nos fala das coisas ou dos elementos, tão intimamente se conjugam nos seus versos a obra do homem com a obra da natureza.
Sagrado ou não pela crítica, a verdade é que Sebastião Penedo tem desde já lugar entre os mais castiços líricos da poesia portuguesa do seu tempo.”
João Gaspar Simões


-“Uma torrente de poemas que cantam como a água dos açude do Guadiana, que falam com sotaque alentejano, que são furos legítimos, desambiciosos e, ás vezes, em sua singeleza, muito belos, muito ricos, de imensas coisas: vida, amor, fraternidade, luz”
Urbano Tavares Rodrigues


******

CEGUINHO SEM MÚSICA


No passeio, a meu lado,
vai indo
uma criança cega
pela mão de alguém.


Mas é minha dor silenciosa
que pela rua fora a conduz
e lhe vai contando
uma história.
Escuta, menino:
Era uma vez a luz…


E uma espécie de aragem,
estranha,
que não sei donde vem,
traz à minha dor
a fina música,
prolongada e triste,
de um violino
que o menino ainda não tem.





A NOITE ALENTEJANA


A planície já pôs sua roupagem
nocturna. Agora dorme, sem sentir,
um sono entre acordada e a dormir.
À noite, o Alentejo é a paisagem


dum brando sonho: a lua mira os olhos
ao espelho nos pegos das ribeiras.
Há malteses deitados pelas eiras,
além, uma queimada nos restolhos.


Ouvem-se as rãs nos poços coaxar.
Um cão vigia os gados ao relento
e o pastor dorme à porta da cabana.


Cheio de vultos, grilos e luar
e de rumores e de encantamento,
oh, como é grande a noite alentejana!




P O E S I A


Quando nós éramos crianças e morria
alguém amigo ou de família, o avô, lembro,
punham-nos uma tarja preta na manga
verde-axadrezada do bibe mais bonito.


Era o fumo no braço – sinal de finados.
O distintivo, o rótulo para certo tempo de luto,
conforme o grau de parentesco, a proximidade.


Era proibido rir, cantar e assobiar,
como se a morte castrasse o sentimento,
ou as lágrimas da vontade despida de chorar.


Não se sabia que não há luto por um grande amigo.
Não se sabia que a dor pode vestir aliviado,
verde, de todas as cores, vermelho e azul,
e pode, naturalmente, chorando, apetecer cantar.


Sebastião Penedo

quarta-feira, janeiro 04, 2006

4 de Janeiro- Dia Mundial do Braille



SABIA QUE...? colocou um post sobre Louis Braille.

POÉTICUS publica Os Treze Anos (cantilena) de António Feliciano de Castilho, poeta invisual.

Amanhã aqui no "BEJA" uma visita ao Baixo Alentejo.

domingo, janeiro 01, 2006




OBRIGADO À VIDA



Obrigado à vida
que me deu tanto
Deu-me dois olhos
que quando os abro
perfeito distingo
o preto do branco
no alto céu seu fundo estrelado
e nas multidões a mulher que amo.

Obrigado à vida
que me deu tanto
Deu-me o ouvido
que em toda sua extensão
grava noite e dia
grilos e canários
martelos, turbinas, latidos, chuvaradas
e a voz tão terna da minha bem amada

Obrigado à vida
que me deu tanto
Deu-me o som
e o abecedário
com ele as palavras
que penso e declaro
"mãe, amigo, irmão"
e a luz, iluminando
o rumo da alma de quem estou amando

Obrigado à vida
que me deu tanto
Deu-me a marcha
dos meus pés cansados
com eles andei
cidades e charcos
praias e desertos, montanhas e planos
tua casa, tua rua e teu pátio.

Obrigado à vida
que me deu tanto
Deu-me o coração
que agita seu marco
quando olho o fruto
do cérebro humano
quando olho o bom tão longe do mal
quando olho o fundo de teus olhos claros

Obrigado à vida
que me deu tanto
Deu-me a risada
e deu-me o pranto
assim distingo
felicidade de fraqueza
os dois materiais que formam meu canto
o canto de todos que é mesmo canto
o canto de todos que é meu próprio canto

Obrigado à vida!



(Autora Violeta Parra)
(Adaptado da tradução de Maria Teresa Almeida Pina)