sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Beja





O município de Beja vai propor ao Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) a classificação "pioneira" do centro histórico da cidade como "Património Nacional" para valorizar uma intervenção de salvaguarda de imóveis que começou há 20 anos.
Ana Ramôa, da Divisão de Administração Urbanística da autarquia, disse que a proposta deverá ser entregue no IPPAR até ao final do primeiro semestre deste ano.
De acordo com a responsável, trata-se de uma proposta de classificação "diferente e pioneira" porque, explicou, as actuais três classificações do IPAAR só são aplicáveis a imóveis ou monumentos singulares.
"É a primeira vez que um núcleo de edifícios é candidato a Património Nacional", precisou, acrescentando que, com esta candidatura, a autarquia propõe também a criação daquela nova classificação, que poderia ser "aplicável a conjuntos de imóveis", como o centro histórico de Beja.
A ideia de avançar com a proposta, segundo Ana Ramôa, surgiu da "vontade da autarquia em valorizar o Plano de Salvaguarda do centro histórico da cidade", o primeiro do género a surgir em Portugal e considerado um "exemplo de conservação do património imobiliário".
Através do plano, que entrou em vigor em 1985, foram inventariados 2.023 edifícios no centro histórico de Beja, dos quais 240 estão devolutos e 87 parcialmente ocupados.
Deste universo inventariado, muitos imóveis já foram alvo de intervenções qualificadas de recuperação, conservação, restauro e outros projectos de execução ao abrigo do Plano de salvaguarda.
"O trabalho desenvolvido permitiu dar ao centro histórico uma qualidade e uma dignidade que, juntamente com os outros valores patrimoniais, merecem ser reconhecidos como Património Nacional", defendeu.
Segundo Ana Ramôa, ao longo os últimos 20 anos, o plano enfrentou vários constrangimentos, como a "falta de iniciativa particular na recuperação de imóveis degradados, muitas vezes associada a dificuldades financeiras".
No entanto, acrescentou a responsável, para ultrapassar este tipo de constrangimentos, a autarquia criou uma "Brigada de Obras", que, em vários casos, "substituiu os inquilinos e os proprietários na recuperação dos edifícios".
Noutros casos, continuou, para garantir intervenções mais eficazes, "a autarquia prestou ajuda financeira a pessoas com dificuldades, permitindo o pagamento dos empréstimos de forma faseada".
Apesar de reconhecer que "tem sido fácil convencer os proprietários ou inquilinos a recuperar os edifícios do centro histórico", Ana Ramôa defendeu que "chegou a altura da autarquia passar da contenção à intervenção, ou seja, deixar de recomendar e passar a exigir".
"Queremos, sobretudo, um centro histórico com qualidade de vida capaz de evitar a saída dos que lá moram e cativar novos habitantes", concluiu.


(in Diário do Alentejo)