sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Évora





Universidade de Évora no feminino


Chamam-se Marias, são portuguesas e são oriundas do Centro e Sul de Portugal. Estudam a tempo inteiro, integram-se no estrato social médio e decidiram concorrer ao Ensino Superior, mais precisamente à Universidade de Évora, pela primeira vez, com o objectivo de conseguir um bom emprego. Alunas com um sucesso escolar reconhecido, visto que fizeram o percurso educacional sem qualquer interrupção, escolheram esta instituição por influência familiar, mas também por esta se situar próxima das suas áreas de residência. Decidiram-se pelo curso para o qual entraram, na primeira opção, por vocação e esperam encontrar nesta Universidade um ensino de qualidade propiciado por bons professores e garante de saídas profissionais. São jovens, e como a própria idade indica, sonham com o seu futuro todos os dias, ansiando por uma formação necessária à vida profissional. É este o perfil dos ingressados na Universidade de Évora no presente ano lectivo.

Este perfil foi encontrado após um estudo realizado pela Pró-Reitoria para a Avaliação da Universidade de Évora, mais precisamente da autoria do Pró-Reitor Prof. Doutor Carlos Vieira e pela técnica superior Dr.ª Mónica Brito, revelando-se como uma verdadeira ferramenta de apoio à decisão estratégica da Universidade, num cenário em que o dinamismo e a versatilidade das políticas, e a sua transformação em medidas e acções concretas, é de fundamental importância para garantir a qualidade exigida pela sociedade actual.

Neste momento, em que a competitividade entre as universidades é cada vez maior, quando as diversas instituições do sistema de ensino superior português procuram um equilíbrio concorrencial que lhes assegure o sucesso ou pelo menos a sobrevivência a médio e longo prazo, este estudo sobre os ingressados, a definição do seu perfil e a padronização do seu comportamento, dos seus motivos e das suas expectativas, auxilia a definição das linhas estratégicas a implementar no presente e no futuro.

“O desenvolvimento do sistema de ensino superior não deve passar somente pela harmonia quantitativa, traduzida numa proporcionalidade dinâmica entre a oferta e a procura, mas sobretudo por estratégias que lhe permitam uma adequação, em tempo real, às áreas de formação eleitas pelos candidatos e que cada vez mais traduzem a selectividade do mercado de trabalho”, sustentam os autores do estudo.

Em seu entender, a Universidade de Évora é uma das instituições onde se procura uma adaptação constante à nova realidade do mercado de colocações no ensino superior. Recorrendo à reformulação curricular, à extinção de algumas licenciaturas e criação de outras, e à redução do número de vagas em áreas menos procuradas, esta instituição procura responder aos desafios, tentando antecipar-se à própria mudança. Daí que este estudo anual dos ingressados na Universidade de Évora constitua um importante canal de comunicação entre os potenciais candidatos ao ensino superior e a organização, na medida em que identifica preferências e expectativas dos estudantes, permitindo uma maior adequação entre a postura da organização e o seu público-alvo.

“Os objectivos deste estudo incidem na caracterização sócio-económica dos ingressados na Universidade de Évora, na determinação da sua origem geográfica e no conhecimento das razões que conduziram estes alunos ao ensino superior. Pretende-se ainda conhecer os motivos que os levaram a incluir a Universidade de Évora e a licenciatura em que ingressaram entre as seis opções que lhes eram permitidas, bem como as suas expectativas em relação ao estabelecimento que os vai receber”, explicam os responsáveis por este análise.

Caracterização sócio-económica dos ingressados

O universo em causa é constituído pelos 832 estudantes ingressados na Universidade de Évora no ano lectivo de 2005/2006 através da primeira, segunda e terceira fases do Concurso Nacional de Acesso, bem como dos Concursos Especiais, tendo o inquérito sido feito por questionário de administração directa.

Este grupo é maioritariamente constituído por elementos do sexo feminino (61,5 por cento), jovens com idade inferior a vinte anos (59,2 por cento dos respondentes), e com uma média de idades de 21,2 anos. Dos estudantes ingressados na Universidade de Évora em 2005, apenas 6,6 por cento não são de nacionalidade portuguesa. Entre os estudantes de nacionalidade estrangeira seis têm nacionalidade europeia e cinco são oriundos dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa.

O distrito de Évora é o mais bem representado entre os alunos ingressados na Universidade de Évora em 2005/2006 pois, de acordo com a informação disponibilizada pelos 774 estudantes respondentes, 34,6 por cento dos agregados familiares residem nesse distrito. Com uma representação também significativa surgem os distritos de Lisboa, Santarém e Beja, constituindo a origem geográfica de, respectivamente, 11,8 por cento; 9,9 por cento e oito por cento dos inquiridos.

A prevalência das regiões anteriormente constatada sugere que a localização geográfica é um dos factores responsáveis pela determinação da área de influência da Universidade de Évora, dado que a maior parte dos estudantes residem ou no distrito de Évora ou nos distritos mais próximos a este.

A maioria dos elementos deste grupo de ingressados não exerce qualquer actividade remunerada, pois apenas 14,4 por cento dos respondentes são trabalhadores-estudantes.

A perspectiva de um bom emprego, a consciência da necessidade de formação e o gosto pelo estudo, foram os factores mais determinantes na escolha deste grupo. A maioria dos estudantes colocados na Universidade de Évora optou por concorrer a mais do que uma licenciatura aquando do seu processo de candidatura ao ensino superior. Apenas 34,8 por cento dos inquiridos concorreram a uma só graduação, na Universidade de Évora ou noutro estabelecimento de ensino superior.

Genericamente, este grupo de estudantes privilegia, num estabelecimento de ensino superior, a existência de professores de qualidade e uma formação suportada por infra-estruturas de qualidade, que lhes garantam um futuro profissional bem sucedido. Extrapolando as suas expectativas para a Universidade de Évora, estes estudantes esperam uma formação académica que seja adequada à sua vida profissional futura e que, desta forma, lhes propicie a garantia de um emprego.



Sexta, 03 de Fevereiro de 2006 - 14:52

Fonte: NA/Universidade de Évora - Jornalista :

(Notícias do Alentejo)