sábado, novembro 25, 2006

Retrato de um Amor

Autor da foto Curtis Forrester







Iluminas
a sombra dos meus dias
neste mundo que abrimos devagar
entre o corpo e a alma, sempre mais
secretos no abismo que os devora.

Maior do que este amor nada haverá
até ao fim dos tempos: os teus olhos
respondem ao destino, à sua eterna
graça que paira sobre as nossas vidas
agora a transbordarem numa única
razão feita de luz. a tua boca
inunda a minha língua com o sabor
de todos os sentidos que mergulham
a noite numa água sem retorno.

Para ti absorvo o hálito de um verão
em cada beijo cego, surdo e mudo
respirando de súbito em uníssono:
enigma revelado num só frémito,
insónia submersa que , em silêncio,
regressa pouco a pouco aos nossos braços
afogados na espuma do seu mar.

Perto do teu sorriso há uma fonte
embriagada e pura- meu amor,
dá-me esse coração, essa primeira
raiz de todo o fogo, esse relâmpago
onde cresce para nós a flor de um grito;
segreda-me às escuras mais um sonho
antes de adormeceres sobre o meu ombro.


Fernando Pinto do Amaral

15 comentários:

Arte por um Canudo 2 disse...

Que hei-de dizer..vou repetir-me, Lindissimo.Belo poema de amor.Os nossos sentidos alteram-se ao ler um poema assim.Boa semana.

mfc disse...

Quem dera que todos os amores assim pudessem ser e mais... e assim pudessem perdurar!

Mily disse...

"segreda-me às escuras mais um sonho antes de adormeceres sobre o meu ombro"

Amigo, tens o dom especial de nos trazer a cultura de teu país através da poesia, da música, pintura, presenteando-nos com o melhor de todos eles. Daí parte a vontade de conhecer mais e mais, quando o artista entra no nosso foco de preferência. Como já fiz com tantos outros por ti indicados, procurarei conhecer também o Fernando Pinto do Amaral, pois esse poema "Retrato de um Amor" é de uma beleza ímpar.

Estive acometida durante a semana por uma virose que me obrigou a um repouso forçado. Por conta disso estive a pesquisar programas na TV a cabo (coisa que raramente faço devido à exiguidade de tempo)e me deparei com uma emissora portuguesa transmitindo um programa de nome CONTACTO, que estava sendo dirigido por Rita Ferro (me parece em substituição ao titular do programa). O que me chamou a atenção foi ver a cantora Maria da Fé como convidada especial. Passei a admirá-la desde que fui apresentada a ela, musicalmente, por uma amiga conterrânea tua. Quando ela se apresentou cantando um fado, lembrei-me de todos os meus queridos amigos portugueses, e a sua música foi como um laço a mais estreitando as amizades. Foi um momento lindo, cuja lembrança tem-me levado a um comentário com os amigos de além-mar, quer seja no blog ou através de emails, pois foi algo que me trouxe muita alegria.

Desculpe o alongado do comentário, mais quis que soubesses que todos os meus queridos amigos portugueses estiveram comigo naquele momento mágico onde a Maria da Fé me trouxe numa bandeja de prata a música de Portugal.

Deixo-te sorrisos na alma, flores no olhar e um beijo no coração, com o desejo de um domingo iluminado de alegria e paz, de amor e poesia, juntos aos seus familiares queridos.

Mily disse...

retificando:

... mas quis que soubesses...

(coisas da febre... rss)

António disse...

Olá!
E continuas a divulgar poetas alentejanos, presumo.
Acho uma boa ideia e apresento uma sugestão: que tal uma pequena biografia depois do nome do autor?
Esta minha ideia vem a propósito do esclarecimento que me prestastes e que agradeço.
Obrigado por continuares a ler a(s) minha(s) história(s).

Um abraço

MARIA VALADAS disse...

Que lindo poema de amor!

Lumife, a tua sensibilidade a toda a prova está aqui neste post.

A escolha do poema e a divulgação do poeta, é de um carácter tão nobre na tua qualidade de ser humano...que só me resta fazer uma vénia!

Uma boa semana para ti e toda a familia....sem esquecer de enviar um beijinho á Carolina!

Abraço amigo da..........
Maria

Paulo Sempre disse...

PROSTITUTA
«Posto o sol da esperança
O medo acaricia-lhe os olhos
Ao espelho as meias pretas
Atenuam-lhe as nódoas roxas dos cifrões» (Do ventre da Terra-António Manuel Vilhena nascido em Beja a 14/10/1960- Ed. Edilber)
Abraço
Paulo

Lmatta disse...

Lindo poema
gostei do conjunto
beijos

Barão da Tróia II disse...

Excelente. Obrigado pelos mails, boa semana.

Thiago Forrest Gump disse...

Luís, o poema é belo.


Tenha uma ótima semana

batista filho disse...

belo poema, que apreciei ao desmaiar de tarde, noite se vestindo de chuva.

um abraço fraterno.

analfabeto disse...

Olá!
Boa noite!

" Maior do que este amor nada haverá até ao fim dos tempos " ...
...lindo poema de amor!

Um abraço analfabeto

O Chaparro disse...

passei pra desejar uma boa semana. abraço

augusto disse...

O poema é tão lindo, que não tenho adjectivos para o classificar.
Abraço.

Charlie disse...

Hoje visitei as vielas dos teus lábios.
Nesse bairro de ruas mudadas,
voltas trocadas, fachadas pintadas,
e Cafés de sabores vários.
Trazias um ramo florido a espreitar
Por trás da cortina da retina
E brilhavas cidade vadia,
na paixão-vento que te invadia,
voando pelas Avenidas,
em folhas novas de calendário...
Entra uma luz doce pelas janelas.
Devolves-ma em pétalas.
Papéis inventados e amarelos.
Gosto destes gostos ao contrário.
Saber que tens enganos.
e ser eu que ao ser enganado
te engano com o meu fingir
de beco calmo e atraiçoado…