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QUANDO QUISERES


Quando quiseres, serei vento!
Que soprará nos teus cabelos
os aromas bebidos nas flores.


Quando quiseres, serei rio!
Que correrá no teu corpo
cantando as águas transparentes.


Quando quiseres, serei ave!
Que voará nos teus pensamentos
pelas sombras dum fim de tarde.


Quando quiseres, serei madrugada!
Que ao de leve acordará em ti
os sonhos dum tempo sem idade.


Quando quiseres, serei mágoa!
Que chorará nos teus olhos
os dias de desencanto.

Quando quiseres, serei primavera!
que enfeitará de rosas vermelhas
a quietude da tua alma ferida.

Quando quiseres, serei vida!
Basta que te rendas num aceno…
e nascerei de novo nos teus braços!



(Orlando Fernandes in Alentejo… e outros poemas)




Comentários

nana disse…
a natureza do sentir: alentejana.

:o)
segurademim disse…
... palavras fortes, muita emoção! um querer ser aceite, disposto a todas as possibilidades

beijo :)
Isabel-F. disse…
Não conhecia.
como habitualmente uma bonita escolha, de que gostei muito.
bj
wind disse…
Belíssimo post!
Lindo poema com bonitas fotos:)
Beijos
Menina_marota disse…
Quando quiseres... serei um abraço... grata por tanta beleza.

Abraço carinhoso ;)
Jofre Alves disse…
Passei para ver e apreciar este blogue que gosto imenso visitar.
Lisa disse…
Oiiiii Luuuu...

Linda poesia...e as rosas estou levando comigo...rsrsrs...

"Quando quiseres, serei vida!
Basta que te rendas num aceno…
e nascerei de novo nos teus braços!"...

Desejo a ti uma semana super recheado de ternura e amor...

Beijinhus pra ti e para a linda Carolzinha...
Teresa David disse…
Floriste os teus blogs com flores que quae se consegue sentir o cheiro através das palavras líricas.
Bjs
TD
peciscas disse…
É bom descobrir novos poetas!
agua_quente disse…
Muito bonito este poema! É assim que se ama.
Obrigada pela tua presença amiga nestes 2 anos do Gato na Paisagem.
Beijos

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