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A mostrar mensagens de Julho, 2007

Boas Férias a Todos(as)

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ALVITO - AMIGOS DO CANTE - NOVA SEDE

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No próximo dia 3 de Agosto, pelas 20h, será inaugurada a nova Sede do Grupo Coral “Amigos do Cante” de Alvito.
Este Grupo Coral, fundado em 2002, pelo saudoso José Luís Fragoso, que deu alma também ao grupo da Associação do Grupo de Canto Coral Alentejano de Alvito, tem grande actividade e consegue agora instalar a sua Sede numa antiga taberna de Alvito, (Luís da Venda) depois de algumas obras de melhoramento do espaço, que contaram com o apoio logístico da Câmara Municipal de Alvito.

Sede do Grupo Coral Amigos do Cante
Rua do Salvador nºs 24-26, em Alvito

ANTÓNIO SARDINHA - POETA DE MONFORTE DO ALENTEJO

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Pintura-Jean-Hippolyte Flandrin-1809-1864

VELHO MOTIVO

Soneto de Jacob, pastor antigo,
– soneto de Raquel, serrana bela...
Oh! quantas vezes o relembro e digo,
pensando em ti, como se foras Ela!

O que eu servira para viver contigo,
– tão doce, tão airosa e tão singela!
Assim, distante do teu rosto amigo,
em torturar-me a ausência se desvela!

E vou sofrendo a minha pena amarga,
– pena que não me deixa nem me larga,
bem mais cruel que a de Jacob pastor!

Raquel não era dele, e sempre a via,
enquanto que eu não vejo, noite e dia,
aquela que me tem por seu senhor!



Foto Carla Salgueiro

NO DESERTO

Chegaram os camelos junto ao poço,
Quando Rebeca tinha a urna cheia.
Foram momentos esses de alvoroço,
Bem raros de encontrar em terra alheia.

Também meu coração, menino moço,
Nos cardos do caminho se golpeia.
Ouço-te os passos, dentro de alma eu ouço
O eco dos teus passos sobre a areia.

Busquei-te no deserto longamente...
Como Rebeca outrora, condoída,
Surgiste, calma, na poeira ardente.

De ânfora baixa, à b…

MÁRIO BEIRÃO - POETA DE BEJA

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foto João Espinho



CASTELO DE BEJA




Castelo de Beja,
No plaino sem fim;

Já morto que eu seja,
Lembra-te de mim!



Castelo de Beja,
De nuvens toucado;

A luz que te beija
É sol do Passado!



Castelo de Beja,
Espiando o inimigo;

Te veja ou não veja,
Sempre estou contigo!



Castelo de Beja,
Feito de epopeias;

Um sonho flameja,
Nas tuas ameias!



Castelo de Beja,
Subindo, lá vais...
Tu fazes inveja
Às águias reais!



Castelo de Beja,
Lembra-te de mim:

Saudade que adeja,

No plaino sem fim...



foto trekeart




Barros de Beja

Ledos campos de Outrora! em plena festa.
Por onde a minha infância,
Ditosa, decorreu,
Entre fumos de cálida fragrância,
Deslumbramentos, extases do Céu.
Que resta
Desse inefável, em que tudo abria
Em flor e lumes siderais,
Desse inefável de algum dia ?
Vago, indistinto
Sorrir de pôr-do-sol -um sonho extinto...
Uma saudade a desfolhar-se em ais.

Pudesse eu regressar
A mim, volver
Ao intimo do ser,
Ao Anjo em que vivi transfigurado,
De longe em longe, como absorto, a errar...

Plainos de oiro de Beja do Passado,
Da minha clara infânci…

ANRIQUE PAÇO D'ARCOS - UM POETA PORTUGUÊS...

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foto de Jean Jacques André


Saudade é querer viver o já vivido,
Querer amar e ter amado já…
Sentindo o coração anoitecido,
Querer beijar a luz que o sol lhe dá.


Saudade é ver fugir o bem perdido,
Não podendo ir com ele onde ele vá;
Ai, saudade afinal é ter nascido
Na certeza que a vida acabará!


Horizontes sem fim, novas paisagens…
Saudade é vago espelho onde as imagens
Têm vida para além da realidade.


Saudade é tudo enfim que me rodeia;
Um relevo de passos pela areia;
A morte, a vida, o amor, tudo é saudade…



foto de Gerhardt Thompsonz


Ó meu saudoso olhar, penumbra triste
Que da alma das coisas se enamora,
Onde o riso se extingue e aonde chora
A lágrima de tudo quanto existe.


Ó meu saudoso olhar, relembra agora
Aquela doce luz que um dia viste
Iluminar-te a vida e que persiste
Em deslumbrar-te ainda, como outrora.


Tudo é silêncio e dor; tudo é saudade.
E lembro o meu amor e o seu encanto,
Os seus olhos de estranha claridade.


Ó meu bendito amor! Bendita luz!
Por quem eu dava a vida e tudo quanto
Além da própria vida…

A MORTE DE MADRUGADA

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UMA CERTA madrugada
Eu por um caminho andava
Não sei bem se estava bêbedo
Ou se tinha a morte n’alma
Não sei também se o caminho
Me perdia ou encaminhava
Só sei que a sede queimava-me
A boca desidratada.
Era uma terra estrangeira
Que me recordava algo
Com sua argila cor de sangue
E seu ar desesperado.
Lembro que havia uma estrela
Morrendo no céu vazio
De uma outra coisa me lembro:
... Un horizonte de perros
Ladra muy lejos del río...




De repente reconheço:
Eram campos de Granada!
Estava em terras de Espanha
Em sua terra ensangüentada
Por que estranha providência
Não sei... não sabia nada...
Só sei da nuvem de pó
Caminhando sobre a estrada
E um duro passo de marcha
Que em meu sentido avançava.
Como uma mancha de sangue
Abria-se a madrugada
Enquanto a estrela morria
Numa tremura de lágrima
Sobre as colinas vermelhas
Os galhos também choravam
Aumentando a fria angústia
Que de mim transverberava.



Era um grupo de soldados
Que pela estrada marchava
Trazendo fuzis ao ombro
E impiedade na cara…

MOMENTOS DE EXCELÊNCIA

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Há momentos excelentes na nossa vida.
A generosidade de Maria Valadas-PALAVRAS AO VENTO atribuiu-nos o selo "MOMENTOS DE EXCELÊNCIA, contribuindo assim para um desses momentos.
Não habituado a tais "mimos" não posso deixar, no entanto, de agradecer a intenção da amiga Maria Valadas, ela sim merecedora de tudo que premeie a sua obra bem patente no blog PALAVRAS AO VENTO.
Retribuo com um beijo amigo.

Como é da praxe vou oferecer o mesmo selo a alguns dos blogs que me têm dado momentos excelentes:

--ALICIANTE

--PRAÇA DA REPÚBLICA EM BEJA

--VIDAS

--WEB CLUB

--ART & DESIGN DE ISABEL FILIPE

--A DESENHAR

--ALENTEJANICES

--AVEC LE TEMPS

--BARÃO DA TRÓIA II

--POLIEDRO

--POESIA PORTUGUESA

--ESTRANHOS DIAS E CORPO DO DELITO

--CABANA DE PALAVRAS

--ESCRITOS OUTONAIS

--FANTASIAS

--GASTR'EAT

--SULISTA





RETRATO

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Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
A minha face?


Cecília Meireles


Foto de Piotr Kovalik

A INVENÇÃO DO AMOR

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Em todas as esquinas da cidade
nas paredes dos bares à porta dos edifícios públicos nas janelas dos autocarros
mesmo naquele muro arruinado por entre anúncios de aparelhos de rádio e detergentes
na vitrine da pequena loja onde não entra ninguém
no átrio da estação de caminhos de ferro que foi o lar da nossa esperança de fuga
um cartaz denuncia o nosso amor

Em letras enormes do tamanho
do medo da solidão da angústia
um cartaz denuncia que um homem e uma mulher
se encontraram num bar de hotel
numa tarde de chuva
entre zunidos de conversa
e inventaram o amor com caracter de urgência
deixando cair dos ombros o fardo incómodo da monotonia quotidiana

Um homem e uma mulher que tinham olhos e coração e fome de ternura
e souberam entender-se sem palavras inúteis
Apenas o silêncio A descoberta A estranheza
de um sorriso natural e inesperado

Não saíram de mãos dadas para a humidade diurna
Despediram-se e cada um tomou um rumo diferente
embora subterraneamente unidos pela invenção conjunta
de um amor subitamente impe…

"PARAÍSO"

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Deixa ficar comigo a madrugada,
para que a luz do Sol me não constranja.
Numa taça de sombra estilhaçada,
deita sumo de lua e de laranja.

Arranja uma pianola, um disco, um posto,
onde eu ouça o estertor de uma gaivota...
Crepite, em derredor, o mar de Agosto...
E o outro cheiro, o teu, à minha volta!

Depois, podes partir. Só te aconselho
que acendas, para tudo ser perfeito,
à cabeceira a luz do teu joelho,
entre os lençóis o lume do teu peito...

Podes partir. De nada mais preciso
para a minha ilusão do Paraíso.

David Mourão-Ferreira


Foto: Deviantart-Wondershine

QUANDO EU MORRER

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Quando eu morrer, não digas a ninguém que foi por ti.
Cobre o meu corpo frio com um desses lençóis
que alagámos de beijos quando eram outras horas
nos relógios do mundo e não havia ainda quem soubesse
de nós; e leva-o depois para junto do mar, onde possa
ser apenas mais um poema - como esses que eu escrevia
assim que a madrugada se encostava aos vidros e eu
tinha medo de me deitar só com a tua sombra. Deixa


que nos meus braços pousem então as aves (que, como eu,
trazem entre as penas a saudades de um verão carregado
de paixões). E planta à minha volta uma fiada de rosas
brancas que chamem pelas abelhas, e um cordão de árvores
que perfurem a noite - porque a morte deve ser clara
como o sal na bainha das ondas, e a cegueira sempre
me assustou (e eu já ceguei de amor, mas não contes
a ninguém que foi por ti). Quando eu morrer, deixa-me

a ver o mar do alto de um rochedo e não chores, nem
toques com os teus lábios a minha boca fria. E promete-me
que rasgas os meus versos em pedaços tão pequ…

De onde me chegam estas palavras?

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De onde me chegam estas palavras?

Nunca houve palavras para gritar a tua ausência

Apenas o coração
Pulsando a solidão antes de ti
Quando o teu rosto doía no meu rosto
E eu descobri as minhas mãos sem as tuas
E os teus olhos não eram mais
que um lugar escondido onde a primavera
refaz o seu vestido de corolas.

E não havia um nome para a tua ausência.

Mas tu vieste.

Do coração da noite?
Dos braços da manhã?
Dos bosques do Outono?

Tu vieste.
E acordas todas as horas.
Preenches todos os minutos.
acendes todas as fogueiras
escreves todas as palavras.

Um canto de alegria desprende-se dos meus dedos
quando toco o teu corpo e habito em ti
e a noite não existe
porque as nossas bocas acendem na madrugada
uma aurora de beijos.

Oh, meu amor,
doem-me os braços de te abraçar,
trago as mãos acesas,
a boca desfeita
e a solidão acorda em mim um grito de silêncio quando
o medo de perder-te é um corcel que pisa os meus cabelos
e se perde depois numa estrada deserta
por onde caminhas nua.



JOAQUIM PESSOA

Joaquim Pessoa canta o mundo, o…

NOITE

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Noites africanas langorosas,
esbatidas em luares...,
perdidas em mistérios...
Há cantos de tungurúluas pelos ares!...


Noites africanas endoidadas,
onde o barulhento frenesi das batucadas,
põe tremores nas folhas dos cajueiros...

Noites africanas tenebrosas...,
povoadas de fantasmas e de medos,
povoadas das histórias de feiticeiros
que as amas-secas pretas,
contavam aos meninos brancos...

E os meninos brancos cresceram,
e esqueceram
as histórias...

Por isso as noites são tristes...
Endoidadas, tenebrosas, langorosas,
mas tristes... como o rosto gretado,
e sulcado de rugas, das velhas pretas...
como o olhar cansado dos colonos,
como a solidão das terras enormes
mas desabitadas...

É que os meninos brancos...,
esqueceram as histórias,
com que as amas-secas pretas
os adormeciam,
nas longas noites africanas...

Os meninos-brancos... esqueceram!...


1948-Outubro (Poemas1966)



Poema de:

ALDA LARA

(Benguela, Angola, 9.6.1930 - Cambambe, Angola, 30.1.1962. Frequentou as Faculdades de Medicina de Lisbo…

Maria

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Tenho cantado esperanças…
Tenho falado d' amores…
Das saudades e dos sonhos
Com que embalo as minhas dores…

E eu cuidei que era poesia
Todo esse louco sonhar…
Cuidei saber o que é vida
Só porque sei delirar…

Eram fantasmas que a noite
Trouxe, e o dia levou…
À luz da estranha alvorada
Hoje minha alma acordou!

Esquece aqueles cantos…
Só agora sei falar!
Perdoa-me esses delírios…
Só agora soube amar


[Poema"Maria" de Antero de Quental]
Foto Oleg Kosirev

ALVITO - A FESTA DO BARÃO

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Fotos e vídeos de Luís Milhano


A Festa do Barão foi um êxito. Tanto na condução e realização do espectáculo a cargo da Vivarte, como na parte gastronómica da responsabilidade da Escola Profissional de Alvito.
O Sector de Turismo da Câmara Municipal de Alvito está de parabéns por ter conseguido levar a efeito com brilhantismo este evento.
Centenas de pessoas aqui se deslocaram e com agrado geral assistiram a esta Festa do Barão.
Aguardemos a próxima edição.


NOTA: Para ver diversas fotos da Festa do Barão visite o blog ALVITO-BAIXO ALENTEJO