sexta-feira, agosto 31, 2007

MUITAS VEZES TE ESPEREI...






Muitas vezes te esperei, perdi a conta,
longas manhãs te esperei tremendo
no patamar dos olhos. Que me importa
que batam à porta, façam chegar
jornais, ou cartas, de amizade um pouco
- tanto pó sobre os móveis tua ausência.

Se não és tu, que me pode importar?
Alguém bate, insiste através da madeira,
que me importa que batam à porta,
a solidão é uma espinha
insidiosamente alojada na garganta.
Um pássaro morto no jardim com neve.

Nada me importa; mas tu enfim me importas.
Importa, por exemplo, no sedoso
cabelo poisar estes lábios aflitos.
Por exemplo: destruir o silêncio.
Abrir certas eclusas, chover em certos campos.
Importa saber da importância
que há na simplicidade final do amor.

Comunicar esse amor. Fertilizá-lo.
"Que me importa que batam à porta..."
Sair de trás da própria porta, buscar
no amor a reconciliação com o mundo.

Longas manhãs te esperei, perdi a conta.
Ainda bem que esperei longas manhãs
e lhes perdi a conta, pois é como se
no dia em que eu abrir a porta
do teu amor tudo seja novo,
um homem uma mulher juntos pelas formosas
inexplicáveis circunstâncias da vida.

Que me importa, agora que me importas,
que batam, se não és tu, à porta?

Fernando Assis Pacheco
(de Cuidar dos Vivos)

Foto de Galerie von Karl-Heinz

9 comentários:

MARIA disse...

Lumife,
Que sorte tão grata a minha, abrir, agora, esta página e ler este poema maravilhoso, conjugado com o poema da música de fundo que tens colocado e que é também belíssimo.É isso mesmo, os olhos do nosso amor são sempre janelas abertas sobre o infinito ...
Eu, Maria, também certifico, com amizade, que neste blog se abrem aos amigos janelas para o infinito ! E para demonstrá-lo, deixei-te outro certificado no meu blog...
Beijinhos
Maria.

Teresa David disse...

Mais um escritor com obra meritória que há muita ninguém fala, logo, acho muito positivo teres aqui trazido um dos seus poemas, embora lhe prefira a prosa.
Bjs
TD

Lisa disse...

Oi Lu...

Muito lindo o post...

PS: "Muitas vezes te esperei, perdi a conta,
longas manhãs te esperei tremendo
no patamar dos olhos."

Lu...salvei a imagem pra mim tá?!

Lindo final de semana com doçura pra ti...

Beijoss...

jorge vicente disse...

caro amigo,

tão bonito este poema!!

um grande abraço
jorge

Um Momento disse...

Lindo poema , tão intenso
Gostei imenso...
Beijo de dia lindo agradecido por tão intensos sentires
(*)

peciscas disse...

O Fernado foi um homem e um poeta que viveu intensamente e depressa. Mas deixou rasto!

Palavras ao vento disse...

Não tenho palavras para descrever o poema que escolheste para partilhar connosco!

Meu amigo, Obrigada pelas palavras deixadas no meu cantinho... Mas vai buscar o certificado.. Foi oferecido a todos..

Vá.. Vai lá!!!

Beijinhos da

Maria valadas

TMara disse...

foi bom trazeres hoje o Assis Pacheco. Andamostão "distraídos"...
e um belo poema dos muitos k ele escreveu.
Bjs de luz e paz e bom f.s amigo

Papoila disse...

Lindo poema ..
Esperamos sempre abrir a porta da nossa vida a quem nunca se lembra de nela bater e, não ouvimos quem a medo pede que a deixemos encostada.

Beijinhos Lumife