domingo, agosto 26, 2007

TERNURA



Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar
extático da aurora.


Poema de Vinicius de Moraes

Foto de Jacek Pomykalski

5 comentários:

Kalinka disse...

AMIGO

VINICIUS DE MORAES - SEMPRE.
BELA POESIA.

Mais um fim de semana que passou e eu, continuo negra por dentro...mas, a tua companhia virtual faz pequenas maravilhas nas 24 horas do dia.
Desta vez, recebi mais um prémio e um «desafio» respondi o melhor que pude, que foi revelar os 7 acontecimentos marcantes na minha vida! Podem ser marcados pela positiva como pela negativa.

Boa semana.
Beijitos azuis (em homenagem ao meu neto que faz esta semana o seu 1º aninho de Vida).

MARIA disse...

Olá Lumife,
Sempre linda a poesia que nos dedicas.
Os poetas são sempre extraordinários : para o amor não há qualquer perdão. Para a falta de amor é que deverá haver. Só deve ser perdoado quem não ame , ou não se permita ser amado.
Um beijinho
Maria

Papoila disse...

nos braços da ternura eu repousei.. e também pedi perdão.

beijinhos
BF

Vieira Calado disse...

Ouvir o Zeca e ler Vinicius, que melhor para esta noite de segunda feira?
Um abraço.

Anónimo disse...

Excelente......!!!
Aprovado.....pela Intemporalrs