O PALÁCIO DA VENTURA




Sonho que sou um cavaleiro andante.
Por desertos, por sóis, por noite escura,
Paladino do amor, busco anelante
O palácio encantado da Ventura!


Mas já desmaio, exausto e vacilante,
Quebrada a espada já, rota a armadura...
E eis que súbito o avisto, fulgurante
Na sua pompa e aérea formosura!


Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o Vagabundo, O deserdado...
Abri-vos, portas d’ouro, ante meus ais!


Abrem-se as portas d’ouro, com fragor...
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão – e nada mais!


Autor - Antero de Quental


Foto - William Chapman

Comentários

Isa&Luis disse…
Boa noite, com poesia!

Boa escolha! Gostei muito de reler :))

Beijinhos

Isa
MARIA disse…
Olá Lumife,
Como é bonito e profundo este poema de Antero de Quental. Também muito triste.
Espero que não seja esse o teu estado de alma. Ou, caso seja, que logo , logo, alguma coisa tão bela como o poema, traga conforto e amor, que substituam nos ultimos versos as palavras mais tristes.
Um beijinho
Maria
jorge vicente disse…
todos somos cavaleiros andantes, no meio do silêncio

um abraço
jorge

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