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Poema do regresso

Foto de Stanmarek (One Photo)


Venho do fundo escuro de uma noite implacável,
e contemplo os astros com um gesto de assombro.
Ao chegar à tua porta me confesso culpável,
e uma pomba branca se me pousa no ombro

Meu coração humilde se detém em tua porta,
com a mão estendida como um velho mendigo;
e teu cachorro me late de alegria na horta,
porque, apesar de tudo segue sendo meu amigo.

Ao fim cresceu o roseiral aquele que não crescia
e agora oferece suas rosas atrás da grade de ferro;
Eu também hei mudado muito desde aquele dia,
pois não tem estrelas as noites do exílio.

Talvez tua alma está aberta atrás da porta fechada;
porém ao abrir tua porta, como se abre a um mendigo,
olha-me docemente, sem perguntar-me nada,
e saberás que não hei voltado... porque estava contigo.



José Angel Buesa
Tradução Maria Teresa Almeida Pina

Comentários

jorge vicente disse…
tenho um desafio para ti no meu blog.

um abraço
jorge
RCataluna disse…
Bem bonito!

Abraço e bom fim-de-semana!
MARIA disse…
Olá Lumife.
Gostei muito do poema de hoje.
A bem da verdade, gosto sempre dos poemas que seleccionas.
No caso do poema de hoje, eu que tenho sempre a porta da minha alma aberta para um amor sempre presente nessa minha alma aberta, não podia deixar de me sentir particularmente tocada por estas palavras tão bonitas.
Desejo-te, meu amigo, um excelente fim de semana.
Um beijinho da tua amiga
Maria
Barão Van Blogh disse…
Adorei passar nesta página tão especial .

"Nas gotas de água a espelhar
O formoso corpo na envolvência
Do exaltante perfume a emanar"

Bom fim de semana .
Olhos de mel disse…
É verdade mesmo. Muitas vezes, mesmo a distancia, estamos ao lado de quem amamos. Lindo!
Bom fim de semana! Fique com Deus!
Beijos
Outro belíssimo reencontro; mais medroso, mais melancólico...
Épocas e autores diversos; mas com Poesia que me enche a alma!


Bj


Maria Mamede
Entre linhas... disse…
Uma noite implacável com barreiras a obstruirem os sonhos de uma rosa sem brilho.
bom fim de semana
Bjs Zita

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.
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.
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.
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.
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Por que não dizer baixinho, como quem reza:
- Ó doce e incorruptível Aurora...
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Emílio Guimarães Moura (14 de agosto de 1902Dores do Indaiá28 de setembro de 1971Belo Horizonte) foi um poetamodernista, integrante do grupo de modernistas mineiros que ajudaram a revolucionar a literatura brasileira na década de 1920. Foi redator de cadernos literários dos periódicos Diário de Minas, Estado de Minas e A Tribuna de Minas Gerais. Moura foi também professor universit…

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António Botto
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