Avançar para o conteúdo principal

Sem Saída

Foto de Alex Krivtsov





Da tua sombra nasce a minha luz
do teu puro silêncio a minha fala
e ainda é teu o olhar que me seduz
no presságio do sono que me embala


Queria poder amar-te sem motivo
já sem corpo nem alma nem passado
quando só tu me provas que estou vivo
no teu sorriso mais que desesperado


Vem ter comigo, vem, enquanto a vida
nos abandona à flor do seu segredo:
ambos sabemos que não há saída


fora do nosso amor – ainda é cedo
e a noite é uma criança distraída
até ficarmos sós: não tenhas medo



Fernando Pinto do Amaral (A Luz da Madrugada)





Fernando Pinto do Amaral nasceu em Lisboa em 1960. Frequentou a Faculdade de Medicina, mas abandonou o curso, vindo a licenciar-se em Línguas e Literaturas Modernas, concluindo o Mestrado e o Doutoramento em Literatura Portuguesa.

É Professor do Departamento de Literaturas Românicas da Faculdade de Letras de Lisboa. Publicou, desde 1990, cinco livros de poesia, dois volumes de ensaio e traduziu poemas de Baudelaire, Verlaine, Jorge Luis Borges e Gabriela Mistral.

Prefaciou edições de poesia de Camões, Bocage, Antero de Quental, Cesário Verde, Ruy Cinatti, Tomaz Kim e Luís Miguel Nava, entre outros. Alguns dos seus poemas estão traduzidos e publicados em espanhol, francês, neerlandês, alemão, checo, inglês, búlgaro e turco.

Área de Serviço e Outras Histórias de Amor é a sua estreia no domínio da ficção narrativa.

A Luz da Madrugada é o seu mais recente livro de poesia.


Comentários

Peter disse…
O poeta tem razão:
"não há saída"

Obrigado pelo currículo do Francisco Simões e obrigado pela visita ao "Peter's", de vez em quando lembro-me que ele existe, pois passo o tempo no "conversas".
MARIA disse…
Meu querido amigo LUMIFE :
Parabéns antes de mais por este post. É lindo o poema, a imagem. Há uma conjugação harmónica de ambos perfeita que resulta num belo momento estético.
Mas olha, meu amigo, o teu Poeta precisa passar numa loginha para melhor graduação dos óculos...
Há sempre para tudo uma saída. Se não a vemos, importa perceber o que nos perturba a visão das coisas.
Para o amor então, há sempre uma saída. Pelo menos entrada, garantidamente há...
Depois ... depois é só ir vivendo...
Um beijinho.
Um dia feliz como maior ânimo que o teu Poeta...
Maria
E que lindo que é este poema!

"Da tua sombra nasce a minha luz
do teu puro silêncio a minha fala"
Algo que vou guardar...

Beijinhos!
Olhos de mel disse…
Um poema doce e lindo que nos oferece. Obrigada, viu? Da tua sombra nasce a minha luz... Precisa dizer mais?
Fique com Deus!
Beijos
Um Momento disse…
Lindo Poema
Grata pela divulgação:))
Belo Post:))

Deixo um beijo
(*)
Lisa disse…
Olá Lu...

"Da tua sombra nasce a minha luz
do teu puro silêncio a minha fala
e ainda é teu o olhar que me seduz
no presságio do sono que me embala"


Mto lindo o poema...

Desejo pra vc dia lindo com ternura...

Beijoss...
jorge vicente disse…
muito bom poema!!!

um grande abraço
jorge
Mais um momento de poesia de qualidade, partilhada por ti!

Foi bom conhecer o curriculum deste poeta, assim como o poema!

Obrigada meu querido amigo Lumife.

Beijos da

Maria
Alexandre disse…
Fotografei há uns tempos atrás o Fernando na apresentação de um livro de Isabel Moreira, filha de Adriano Moreira, e achei-o uma pessoa fantástica, de uma cultura e uma postura irrepreensíveis!

Fiquei com curiosidade em ler o livro dele!

Um abraço!!!
disa disse…
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

Mensagens populares deste blogue

Cantiga para não morrer de Ferreira Gullar

Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve. 
.
Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.
.
Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.
.
E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.
.
Ferreira Gullar

Como a noite descesse...

Como a noite descesse e eu me sentisse só,
só e desesperado diante dos horizontes que se fechavam,
gritei alto, bem alto: ó doce e incorruptível Aurora!
e vi logo que só as estrelas é que me entenderiam.
Era preciso esperar que o próprio passado desaparecesse,
ou então voltar à infância.
Onde, entretanto, quem me dissesse
ao coração trêmulo:
- É por aqui!

Onde, entretanto, quem me disesse
ao espírito cego:
- Renasceste: liberta-te!

Se eu estava só, só e desesperado,
por que gritar tão alto?
Por que não dizer baixinho, como quem reza:
- Ó doce e incorruptível Aurora...
se só as estrelas é que me entenderiam?

Emílio Moura



Emílio Guimarães Moura (14 de agosto de 1902Dores do Indaiá28 de setembro de 1971Belo Horizonte) foi um poetamodernista, integrante do grupo de modernistas mineiros que ajudaram a revolucionar a literatura brasileira na década de 1920. Foi redator de cadernos literários dos periódicos Diário de Minas, Estado de Minas e A Tribuna de Minas Gerais. Moura foi também professor universit…

SE FOSSES ...

Se fosses luz serias a mais bela De quantas há no mundo: – a luz do dia! – Bendito seja o teu sorriso Que desata a inspiração Da minha fantasia! Se fosses flor serias o perfume Concentrado e divino que perturba O sentir de quem nasce para amar! – Se desejo o teu corpo é porque tenho Dentro de mim A sede e a vibração de te beijar! Se fosses água – música da terra, Serias água pura e sempre calma! – Mas de tudo que possas ser na vida, Só quero, meu amor, que sejas alma!

António Botto
Foto de Aleksandr Krivickij