quinta-feira, abril 17, 2008

CONTRA A INDIFERENÇA E O MEDO,

O Grito - Munch - 1893



Na primeira noite, eles se aproximam
e colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.


Na segunda noite, já não se escondem,
pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.


Até que um dia, o mais frágil deles, entra
sòzinho em nossa casa, rouba-nos a lua,
e, conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.


E porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada.



Vladimir Maiakovski



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Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro


Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário


Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável


Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei


Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo


Bertold Brecht



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Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.


No dia seguinte, vieram e levaram
meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei.


No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.


No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar...


Martin Niemoller



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Primeiro eles roubaram nos sinais, mas não fui eu a vítima,

Depois incendiaram os ônibus, mas eu não estava neles,

Depois fecharam ruas, onde não moro,

Fecharam então o portão da favela, que não habito,

Em seguida arrastaram até a morte uma criança, que não era meu filho...



Cláudio Humberto

12 comentários:

Marta disse...

Poemas bem elucidativos...
Obrigada pela partilha...
Beijos e abraços
Marta

Entre linhas... disse...

Poemas que demonstram bem o flagelo...obgridado pelo testemunho.
Bjs Zita


Ontem também fiz um post sobre as faculdades cogntivas "dispersadas"á quel tem a ver com a sociedade em que vivemos.

José Gomes disse...

Poemas sempre actuais... pena é que o pessoal continue ainda hoje a assobiar para o céu, fazendo de conta que tudo está bem.
Obrigado pela partilha.
Um abraço,
José Gomes

jorge vicente disse...

nem tudo está bem, mas temo-nos uns aos outros.

a poesia é sempre para partilhar, assim como a pele e o coração

um abraço forte
jorge

Odele Souza disse...

É preciso rebelar-se contra esta situação de inércia do tipo "não foi comigo, vou ficar quieto, calado, indiferente!.

Temos que soltar a voz e nos rebelarmos contra todo e qualquer desrespeito aos direitos humanos, seja ele praticado conosco ou com o parente, o vizinho, o amigo.
É preciso ir com tudo e com todos 'CONTRA A INDIFERENÇA E O MEDO".

Um abraço.

Peter disse...

Só conhecia o do Brecht e o do Niemoller.
Obrigado pelos pps que me vais enviando.

José Rasquinho disse...

Basteante incisivas e, infelizmente, bastante reais!!!!!
Gritos que precisam ser ouvidos!!!!
Abraço.

aDesenhar disse...

oportuno o teu post,
em tempos conturbados
onde proliferam
a indiferença e o medo
em sociedades que se dizem civilizadas!

abraço

Brancamar disse...

Belo post Lumife!
Já tinha recebido por e-mail, mas nunca é demais reler e dar a conhecer a toda a gente. São textos fortes que nos abanam a conscência e nos obrigam a estar mais alerta.
Fica bem.
Beijinhos

TMara disse...

sempre um murro no estômago porque iinfelizmente as cabeças continuam com estas dicotomias criadoras de preconceitos e discriminações.
bja amigo

Paula Raposo disse...

Excelentes...nunca nos devemos calar.

Tiana de Souza disse...

Retratou bem o medo que invade a sociedade. Parabéns!