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CARTAS...




numa vontade de te ver
na vulgar noite vazia
onde espero sentada sem sono
vejo o papel, olhar para mim
o mesmo que tantas vezes enviei
como a pedir-me, para te escrever

num entreabrir dos meus olhos
onde escorriam lágrimas
de saudade,
deixo arrastar comigo o desejo
de sede de ti, no deambular deste silêncio

procuro cartas que outrora escrevi,
cartas onde o nosso amor
esteve sempre presente,
tal como hoje,
apesar de distantes
onde a saudade tinha sempre o nosso nome

escrevi-te de novo
para te enviar a minha mão,
entregar meus lábios
dizer-te que o nosso amor ainda perdura
e me sinto de novo especial,
nesta carta que só tu percebes

e nasceu a carta, mesmo sabendo
que pode ser imaginária…

l.maltez


Poema da Amiga Lena, retirado do seu blog CABANA DE PALAVRAS que merece ser visitado.

Comentários

Marta disse…
Quantas vezes...escrevemos e não enviamos as cartas...
Às vezes, por medo, por desilusão..
Lindo....
Gostei muito...
Até já
Beijos e abraços
Marta
MARIA disse…
É lindo o poema e o blog da amiga Lena, Lumife.
A imagem também como sempre singularmente escolhida com bom gosto.
Mas sabes, amigo : não gosto de cartas. Não gosto da distância que pressupõem as cartas. Gosto do toque das minhas mãos sobre os que quero bem, dos sorrisos próximos, dos olhares cúmplices . Gosto da comunicação sem palavras escritas, por vezes até mesmo as palavras ditas na proximidade são demais.
Dirás, mas na falta de proximidade, uma carta sempre nos leva um pedacinho de alguém. É verdade.
Mas nessa falta, eu prefiro derrubar distâncias.

Um beijinho para ti meu amigo
E uma semana feliz.

Maria
Paula Raposo disse…
Eu sou profundamente admiradora, desde sempre, da poesia da querida Lena. Adoro lê-la. Beijos.
Olá querido Lumife, adorei o poema, vou visitar o blogue da tua amiga...
Muitos beiinhos de carinho,
Fernandinha

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.
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.
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.
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.
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