Avançar para o conteúdo principal

HELENA DOMINGUES

Foto de Thais Salinas


GOTA



Roubou-me o vento ao mar...
Levou-me de viagem...

Fez de mim nuvem passageira,
Sombra escondida,
Estrela cadente de brilho breve,
Caída dos céus sem aviso
E me afundou no teu rio
No teu sorriso

De novo, levou-me ao mar
O meu mar...
Que abafou meu silêncio gritante
E me cantou cantigas de embalar
Que me pegou ao colo
Me conduziu à praia
E a fez brilhar.
E nessa noite escura,
Noite sem luar
Como que por magia
A noite se fez dia

E o areal que de mim fora privado
Transformou-se no mais belo céu estrelado





GAIVOTA

Como a gaivota que busca o alimento
Eu busco em teus gestos o amor.
Se tropeço em terra, subo em voo lento
E atinjo alturas breves de condor.

E pairo nesse céu que é o teu mar,
E mergulho já louca de paixão
Nesse líquido azul do teu olhar
Aí despedaçando o coração.

E de condor-gaivota, a tropeçar
Ouço ao longe ainda alguns harpejos
Recordo com saudade esse mar,
E o sal, em meus lábios, dos teus beijos.





RENASCER


Longínquo é o passado
Das areias
Ainda que o julguemos
Próximo.
Tempestade de mim
E de palavras.
Expurguei-me de voz
E de sentires
Dançando com elas
Em louco turbilhão.
Renasci
Das inquietas areias
Tal Phoenix, das cinzas
Ao Caos seguiu-se a Ordem
A calma possuiu-me
E sou Outra
Em paz comigo
E com o Mundo


HELENA DOMINGUES

Apresentamos hoje três trabalhos de Helena Domingues "roubados" do seu blog ORION.
Recomendamos vivamente uma visita demorada a esse blog.

Comentários

Menina_marota disse…
Uma excelente escolha estes poemas da Helena Domingues, minha Amiga pessoal e que eu estimo e respeito muito.

A sua poesia que eu não me canso de admirar e que ela por timidez ou discrição, não consegue divulgar é uma óptima escolha que muito apreciei!

Grata por a partilhares.

Um abraço e um bom início de semana ,)
Beatriz disse…
Lumife, meu querido amigo, desculpe pela demora em vir responder ao teu comentário no meu blog, mas o tempo que posso dedicar ao mundo blogueiro é exíguo. Não imaginas a alegria sentida ao ver o teu nome e a demonstração de carinho ali deixada. Perdi o registro de muitos amigos da época do Canto da Calunguinha, e quando retornei não havia como contactá-los. O refúgio onde me encontraste foi criado como uma forma de não romper laços valiosos criados no passado, uma espécie de ligação com um mundo descoberto para além do tempo... Resolvi criá-lo usando meu próprio nome, mas confesso que, quando um dos antigos amigos me tratam por Calunguinha (ou Mily) desperta em mim uma certa nostalgia e um carinho imenso por estes apelidos que, numa outra época, soavam-me aos ouvidos como um doce acorde musical (rs).

Dei uma passeada pelo teu espaço e enterneceu-me saber que prossegues na tua generosidade em divulgar as coisas da tua terra, a promover eventos culturais, a publicar a poesia de outros poetas, enfim, que continuas na tua luta em prol de uma divulgação cultural de primeira. Mas estranhei, dentre tantos poemas aqui expostos, não encontrar nenhuma poesia tua, pelo menos até onde o tempo me permitiu procurar. Bem sabes o quanto eu gostava dos teus poemas que, já naquela época, publicavas com tanta parcimônia (rs). Deixaste de os produzir? Ou optaste em 'esconder' os tesouros da tua alma debaixo de sete chaves? Gostaria de saber, meu amigo!

Agora que já descobriste meu caminho (e que redescobri o teu), espero que não nos percamos mais de vista. Pessoas como tu, bem sabes, são jóias raras neste mundo blogueiro, e tua amizade será sempre um precioso mimo que nos é ofertado sem que, muitas vezes, tenhamos feito por merecê-lo.

Deixo-te flores e estrelas tecendo sorrisos no teu caminhar, um beijo no coração, e o desejo de que os teus dias alcancem o horizonte dos teus projetos e sonhos.

Feliz por te reencontrar, amigo querido!
Olhos de mel disse…
Nossa lindinho! A escolha dos poemas foi perfeita! Em alguns pairam um ar de tristeza, mas com certeza, de uma real beleza!
Boa semana! Beijos
Paula Raposo disse…
Uma óptima escolha!! Gosto dos seus poemas. Beijos.
peciscas disse…
Já conheço, desde há muito , o talento da minha amiga Helena.
E esta escolha ilustra bem esse talento.
helena disse…
Lumife,
Gentileza tua de colocares esses meus trabalhos, aqui no teu espaço.
Fico grata por os teres partilhado com quem te visita.
Um beijinho
Helena
Sophiamar disse…
Não conhecia a Helena Domingues e fiquei fascinada. O mar e as gaivotas temas que me são muito queridos como é obvio.
Importante a divulgação que fazes da poesia.

Bem hajas!

Beijinhos
leonor costa disse…
Gostei de conhecer Orion, assim como gostei da poesia. è bonito esse seu gesto de dar a conhecer novos poetas. Há muito que não vinha aqui. Parabéns pelo excelente blog.

Um abraço

HOJE E AMANHÃ
Da Helena Domingues, com quem me parece ter sido este o meu primeiro "encontro", gostei especialmente do último poema. Profundo.

Bj

Maria Mamede
Marcos disse…
Primeiramente queria reverenciar o conteúdo deste Blog. Muito bom. Sou editor e responsável pelo blog Cultura Nordestina: http://culturanordestina.blogspot.com/, nele divulgo os diversos ramos de nossa cultura popular nordestina e brasileira. Venho propor uma parceria na troca de links entre nossos blogs. Caso tenha interesse, é só avisar. Abraços.

Mensagens populares deste blogue

Cantiga para não morrer de Ferreira Gullar

Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve. 
.
Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.
.
Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.
.
E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.
.
Ferreira Gullar

Como a noite descesse...

Como a noite descesse e eu me sentisse só,
só e desesperado diante dos horizontes que se fechavam,
gritei alto, bem alto: ó doce e incorruptível Aurora!
e vi logo que só as estrelas é que me entenderiam.
Era preciso esperar que o próprio passado desaparecesse,
ou então voltar à infância.
Onde, entretanto, quem me dissesse
ao coração trêmulo:
- É por aqui!

Onde, entretanto, quem me disesse
ao espírito cego:
- Renasceste: liberta-te!

Se eu estava só, só e desesperado,
por que gritar tão alto?
Por que não dizer baixinho, como quem reza:
- Ó doce e incorruptível Aurora...
se só as estrelas é que me entenderiam?

Emílio Moura



Emílio Guimarães Moura (14 de agosto de 1902Dores do Indaiá28 de setembro de 1971Belo Horizonte) foi um poetamodernista, integrante do grupo de modernistas mineiros que ajudaram a revolucionar a literatura brasileira na década de 1920. Foi redator de cadernos literários dos periódicos Diário de Minas, Estado de Minas e A Tribuna de Minas Gerais. Moura foi também professor universit…

SE FOSSES ...

Se fosses luz serias a mais bela De quantas há no mundo: – a luz do dia! – Bendito seja o teu sorriso Que desata a inspiração Da minha fantasia! Se fosses flor serias o perfume Concentrado e divino que perturba O sentir de quem nasce para amar! – Se desejo o teu corpo é porque tenho Dentro de mim A sede e a vibração de te beijar! Se fosses água – música da terra, Serias água pura e sempre calma! – Mas de tudo que possas ser na vida, Só quero, meu amor, que sejas alma!

António Botto
Foto de Aleksandr Krivickij