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ALÉM DA MORTE





ALÉM DA MORTE

Fecho os olhos num sonho que me leva

Às paragens divinas da saudade,

Lá onde a noite é apenas claridade

Dando origem talvez a nova treva.


Fecho os olhos e avisto a Eternidade,

Lá onde um sol fantástico se eleva

Num perpétuo fulgor, sem que descreva

Sua órbita de luz na imensidade.


Fecho os olhos e vejo a minha imagem

Anoitecendo os longes da paisagem,

Como a única sombra que persiste...

Sou eu! sou eu aquele vulto errando!

Sou eu, além da morte ainda sonhando

Na tua graça e neste amor tão triste!...


Anrique Paço d'Arcos



Henrique Belford Corrêa da Silva, com o nome de poeta Anrique Paço d' Arcos, nasceu em 1906, na cidade de Lisboa, vindo a falecer em Luanda, no ano de 1993.
Escritor simples e elegíaco, legou-nos livros de poesia como Versos sem Nome (1923), Divina Tristeza (1925), Mors-Amor (1928), Peregrino da Noite (1931), Cidade Morta (1939), Estrada sem Fim (1947), História de Jesus (1962), Círculos Concêntricos (1965), Voz Nua e Descoberta (1981) e Poesias Completas (1993).


Foto de Dionísio Leitão

Comentários

Paula Raposo disse…
Um belíssimo poema que aqui nos trazes. Uma não menos bela foto de um grande fotógrafo! Beijos.
QUERIDO LUMIFE, BELÍSSIMO POEMA... ADOREI AMIGO... UM GRANDE ABRAÇO DE CARINHO E TERNURA,
FERNANDINHA
J.Carmo Moura disse…
"Sou eu! sou eu aquele vulto errando!"
Aqui o cerne da alma alentejana.Somos um povo errante,pela diáspora,mas até na própria Terra Mãe...
Gostei meu amigo dos lindos versos com que nos agraciaste.
Um abraço,
J.Carmo Moura
Olhos de mel disse…
Lindíssimo poema, meu amigo lindo! Divino!
Boa semana! Beijos
antónio prates disse…
Quando a Voz dos Poetas se solta a nossa alma reproduz o que as palavras agradecem... Por isso mesmo gosto de passar por este espaço para me cultivar mais um pouco. Obrigado!

este António
Lisa disse…
Triste...mas não deixa de ter o seu encanto...o poema...

PS: Sobre o template...obrigada pelo elogio...

Caso tu queira é só me dizer como quer "imagem e cor"...mas confesso que ainda não fiz um template masculino...rsrs...

Uma linda semana pra vc...

Beijusss...
jorge vicente disse…
olá, amigo! mas que belo poema nos dás!!!

eu tenho estado um pouco ausente dos blogs, acima de tudo por causa do trabalho e porque, antes, também via os blogs em casa, mas agora só no escritório.

vamos lá ver se regresso em força!

um grande abraço
jorge

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Cantiga para não morrer de Ferreira Gullar

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me leve. 
.
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me leve no coração.
.
Se no coração não possa
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.
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menina branca de neve,
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.
Ferreira Gullar

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- Renasceste: liberta-te!

Se eu estava só, só e desesperado,
por que gritar tão alto?
Por que não dizer baixinho, como quem reza:
- Ó doce e incorruptível Aurora...
se só as estrelas é que me entenderiam?

Emílio Moura



Emílio Guimarães Moura (14 de agosto de 1902Dores do Indaiá28 de setembro de 1971Belo Horizonte) foi um poetamodernista, integrante do grupo de modernistas mineiros que ajudaram a revolucionar a literatura brasileira na década de 1920. Foi redator de cadernos literários dos periódicos Diário de Minas, Estado de Minas e A Tribuna de Minas Gerais. Moura foi também professor universit…

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