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Poema de: Rogério Martins Simões - Uma eternidade nos espera






Surgiu agora na net, em vídeo, um trabalho de Misteriosa do Brasil. É uma homenagem ao amigo Rogério Martins Simões que continua a deslumbrar-nos com a sua poesia no blog POEMAS DE AMOR E DOR .

Associo-me com todo o gosto a essa homenagem transcrevendo o poema e colocando o vídeo.




UMA ETERNIDADE NOS ESPERA…

Rogério Martins Simões

Quando tu e eu saltávamos em andamento,
Numa corrida estreita, para a existência,
Havia um brilho, intenso, que cegava a escuridão externa.

Falávamos em língua redonda,
Imperceptível,
Que nos deixava latejar à distância do universo das palavras.
Éramos nada!
Éramos tudo!
Frequentávamos os mesmos colégios ricos,
Onde a riqueza se media pelo contágio,
Em resultado das vidas passadas.

Fazíamos parte de um grupo,
Sem forma,
Grande aos sentidos,
E sabíamos que iríamos viajar em busca da luz.
Éramos uma luz ténue…
E procurávamos um brilho permanente.

Entrámos por uma porta estreita
Onde formas sem luz
Reproduziam uma língua quadrada,
Sem nexo, herança de uma Torre de Babel,
Que tivemos de aprender.

Estamos a ficar cansados!
Não importa…
Tomámos o caminho recto e certo
E partiremos na luz…

Falta pouco meu amor.
Uma eternidade nos espera…

Lisboa, 30 de Abril de 2009

Comentários

Paula Raposo disse…
Sou fã da poesia do Rogério!! Este poema não foge à regra de tão belo!! Beijos.
MARIA disse…
Eu não conhecia Lumife, muito obrigada por partilhares.
É lindoooo.

Beijinhos

Maria
ROMASI disse…
Boa noite a todos vós,
Quero agradecer ao Lumife por ter colocado aqui o bonito vídeo bem elaborado pela “Misteriosa do Brasil”. Sem me conhecer teve a delicadeza de me informar, aliás, como o fez quando publicou outro vídeo com o meu soneto “Destino ou coragem”.
São momentos como estes, e não aqueles quando descobrimos que os nossos poemas foram plagiados, que nos dão alguma alegria para superar as horas amargas.

Aproveito para agradecer à minha amiga e poetiza de grande talento, Paula Raposo. Paula desculpa não te ter contactado. A minha Parkinson avançou demais e quase me obrigou a desistir… Deixei de andar e foi graças ao aumento da dosagem dos medicamentos que vou retomando a escrita. Estou com atestado médico tremendo e temendo muito. Só no Meco me consigo “esconder” e foi lá que já recuperei alguma coisa.
Para a Maria segue tb o meu agradecimento.
Mais uma vez obrigado a todos
Rogério Martins Simões

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.
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.
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António Botto
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