quinta-feira, julho 02, 2009

SOPHIA - CINCO ANOS DE SAUDADE




Sophia de Mello Breyner morreu há cinco anos, cumpridos hoje.


A hora da partida soa quando
Escurece o jardim e o vento passa,
Estala o chão e as portas batem, quando
A noite cada nó em si deslaça.

A hora da partida soa quando
as árvores parecem inspiradas
Como se tudo nelas germinasse.

Soa quando no fundo dos espelhos
Me é estranha e longínqua a minha face
E de mim se desprende a minha vida.



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Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo

Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa



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Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.

Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.


4 comentários:

Paula Raposo disse...

Como já deixei num outro comentário, a Poesia é imortal! Muitos beijos.

Brancamar disse...

Nao resisti a vir revisitar Sofia, nunca resisto à sua poesia nem à sua personalidade, quer como mulher de letras, quer como política e cidadã.
Tenho mesmo uma predilecção por passar e conhecer os espaços da sua infância e juventude, aqui pelo Porto, uma senhora que cresceu numa quinta grandiosa, quase com um bosque lá dentro, de tal maneira que o seu irmão caçava dentro da quinta, talvez por isso algumas das suas histórias falem de árvores e bosques. Hoje parte desses terrenos estão ocupados pela auto-estrada, mas muito desse espaço ficou, onde é hoje o Jardim Botânico e outros serviços, no Campo Alegre. Também a praia da Granja, muito frequentada na sua juventude era sítio de encontro de muitos nomes de letras e não só. Lá nasceu, segundo dizem "A menina do Mar"
Uma mulher que apesar de ter tudo, teve sempre a consciência e o sentido de defesa da liberdade e dos mais desfavorecidos.
Beijinhos para ti.

MARIA disse...

E como não venerar Sofia?!...
Bonita homenagem, Lumife!
Será no mínimo de uma fada que provêm estas palavras :

" PARA TI CRIAREI UM DIA PURO.
LIVRE COMO O VENTO E REPETIDO "

Para a beleza e profundidade destas palavras não encontro qualquer adjectivo.

Tomara ter assim o dom de fadar de amor e felicidade aqueles a que quero bem.

Um beijinho amigo.

Maria

dida disse...

:)