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ROMANTISMO




As Gôndolas de Nadir Afonso

Nadir Afonso nasceu em Chaves em 1920.

Diplomou-se em Arquitectura na Escola Superior de Belas-Artes do Porto.

Em 1946, estuda pintura na École des Beaux-Arts de Paris, e obtém por intermédio de Portinari uma bolsa de estudo do governo francês.

De 1946 até 1948 e em 1951 foi colaborador do arquitecto Le Corbusier, nomeadamente no projecto da cidade radiosa de Marselha, e serviu-se algum tempo do atelier de Fernand Léger.

De 1952 a 1954, trabalha no Brasil com o arquitecto Óscar Niemeyer.

Nesse ano, regressa a Paris, retoma contacto com os artistas orientados na procura da arte cinética, desenvolvendo os estudos sobre pintura que denomina «Espacillimité» e faz parte do grupo da galeria Denise René juntamente com Herbin, Vasarely, Mortensen.

Na vanguarda da arte mundial expõe em 1958 no Salon des Réalités Nouvelles «espacillimités» animado demovimento.

Em 1965, Nadir Afonso abandona definitivamente a arquitectura; consciente da sua inadaptação social, refugia-se pouco a pouco num grande isolamento e acentua o rumo da sua vida exclusivamente dedicada à criação da sua obra.

Prémio Nacional de Pintura em 1967 e Prémio Amadeo de Sousa-Cardoso em 1969. Medalha de ouro da cidade de Chaves, membro da Ordem Militar Santiago de Espada e da Academia Nacional de Belas-Artes.

Homenageado por ocasião dos 25 anos da Bienal de Cerveira em 2003 e atribuído o prémio Nadir Afonso na 2.ª feira de Arte Contemporânea do Estoril.

Sobre Nadir Afonso foi realizado um filme da autoria de Jorge Campos para a Radiotelevisão Portuguesa.

Está representado em Museus de Lisboa, Porto, Amarante, Rio de Janeiro, S. Paulo, Budapeste, Paris (Centre Georges Pompidou), Wurzburg, Berlim entre outros. Prémio Nacional de Pintura em 1967 e Prémio Amadeo de Sousa-Cardoso em 1969. Medalha de ouro da cidade de Chaves, membro da Ordem Militar Santiago de Espada e da Academia Nacional de Belas-Artes.

Artista homenageado na 2.ª Feira Internacional do Estoril e a atribuição do Prémio Nadir Afonso.






A lua é uma gôndola doirada,

Onde em sonhos de amor, um dia, me embarquei

Contigo, ó meu amor, ó linda Bela-Amada,

Que um dia imaginei!



E partimos os dois na gôndola do Sonho...

Na Veneza do Amor, onde íamos vogando,

Tudo era lento e triste e doce como um sonho,

Como o sonho de Amor que ia sonhando!



Mas perdeu-se na bruma a gôndola doirada,

Onde em sonhos de amor, um dia, me embarquei!

E morreste na espuma, ó linda enamorada,

E desfez-se, na espuma, o sonho em que te amei!



Ai, a lua é a gôndola doirada,

Onde embarquei contigo e onde, sem ti, voltei!


Anrique Paço d'Arcos



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