terça-feira, agosto 04, 2009

TALVEZ

Mendigo de Rembrant




Dá-me os andrajos vis com que mendigas,
E empresta-me o teu gesto à minha mão.
Das minhas mãos faz tuas mãos amigas,
E ensina-me a cantar essa canção.

Empresta-me os ouvidos com que escutas,
Mais tristes do que as tuas amarguras,
As gargalhadas dessas prostitutas
Que choram escondidas, às escuras.

Ensina-me a passar, como tu passas,
Medindo a imensidão de mil desgraças,
Por onde a dor, e sempre a dor, persiste.

Talvez que eu me contente com bem pouco,
E fique menos pobre e menos louco,
E o céu, ao meu olhar, bem menos triste.


António Celso – Asas Cinzentas


9 comentários:

Susana disse...

Olá Alvito!

Agosto é o mês das festas E TRADIÇÕES.

Tenho um desafio para si:

Desafio-o a participar na próxima blogagem colectiva "Festas e tradições" a decorrer em Agosto de 10 a 31. É um boa oportunidade para partilhar connosco as vossas festas e tradições únicas da sua terra, e quem sabe, ainda ganha admiradores visitantes para as conhecer.

Para participar, basta enviar, até dia 8 de Agosto, um e-mail com um texto original( Máx 25 linhas) e uma fotografia para : aminhaldeia@sapo.pt

Conto consigo!

Abraço, Susana

Andresa disse...

Talvez que eu me contente com bem pouco,
E fique menos pobre e menos louco,
E o céu, ao meu olhar, bem menos triste


Muito verdade... expetacular , adorei...



Andresa Araujo

mfc disse...

a vida é assim...

MARIA disse...

O poema é muito bonito.
Por vezes observando outra dor avaliamos melhor a dimensão da nossa.
Contudo isso não nos consola : só cada um é que sabe o que lhe trás sofrimento e, o que, mesmo pouco significando para terceiros, pode trazer-lhe um pouco de céu na terra...


Um beijinho, Lumife.

Maria

dida disse...

...também eu me contento com pouco. talvez.
visita-me.

antonior disse...

Gostei da sensibilidade que passa como um fio condutor por todo o conteúdo deste espaço.
Gostei deste post. Do poema e do desenho de Rembrandt.
Os clássicos são o esqueleto em que a contemporaneidade se deve estruturar.

Até breve.

Isabel-F. disse...

achei lindo este poema ... que não conhecia

bjs

Pjsoueu disse...

É sempre retemperante" voltar a este lugar, lendo os nossos poetas...

Lumife, obrigado!

Abraço

Pj

leonor costa disse...

Não conhecia este poema e achei interessante, pois abre-nos janelas parar vermos além de nós.Precisamos de dar mais valor à vida e, para isso, temos de olhar à nossa volta, em vez de nos centrarmos em nós próprios. Há muito que não vinha aqui...
Um abraço