segunda-feira, agosto 03, 2009

Um dia...





um dia, quando a ternura for a única regra da manhã,
acordarei entre os teus braços, a tua pele será talvez demasiado bela.
e a luz compreenderá a impossível compreensão do amor.
um dia, quando a chuva secar na memória, quando o inverno for
tão distante, quando o frio responder devagar com a voz arrastada
de um velho, estarei contigo e cantarão pássaros no parapeito da
nossa janela. sim, cantarão pássaros, haverá flores, mas nada disso
será culpa minha, porque eu acordarei nos teus braços e não direi
nem uma palavra, nem o princípio de uma palavra, para não estragar
a perfeição da felicidade.

José Luís Peixoto –A Criança em Ruínas



4 comentários:

dida disse...

gosto desta regra.

:)

MARIA disse...

Não conhecia o texto. É muito bonito.
Para quem ama, a perfeição cabe, efectivamente, no colo da plenitude dos braços de quem se ama.


Um beijinho amigo
Lumife

Dois Rios disse...

Lindo. Sublime. Soberbo!

Belíssima escolha. Adoro esse texto assim como todas as poesias de amor de José Luis Peixoto.

Beijo,
Inês

Su disse...

gostei.

gosto de jlp


jocas maradas