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RAUL DE CARVALHO






MESA DA SOLIDÃO


Mortas na boca as palavras demoram
A refluir aos lábios

Elas esperam que o Amor as ajude
Que o Amor lhes sirva
De ponte

Que o Amor lhes dê a conhecer
A boca que as espera


A ofegante boca que as espera .


RAUL DE CARVALHO




Raul Maria de Carvalho nasceu em Alvito, Baixo Alentejo, a 4 de Setembro de 1920. As memórias da infância passadas nesse local manifestam-se em todos os seus livros de cunho autobiográfico. Chegou a Lisboa na década de 40 e tornou-se frequentador do café Martinho da Arcada, contactando com personalidades do meio literário.

Preocupado com a condição dos mais desfavorecidos, assumiu algumas afinidades com os neo-realistas. Conjugou esta preocupação com a aprendizagem de uma liberdade surrealista. Foi colaborador das revistas Távola Redonda, Cadernos de Poesia e Árvore, de que foi co-director (1951-1953).

Em 1956 foi premiado com o «Prémio Simon Bolívar», no Concurso Internacional de Poetas de Siena, em Itália.

Morreu a 3 de Setembro de 1984, no Hospital de São João, no Porto.





Algumas obras:

As Sombras e as Vozes (1949)

Poesia 1949-1958 (1965)

Tudo é Visão (1970)

A Casa Abandonada (1977)

Elsinore (1980)

Um mesmo livro (1984)



No blog ALVITO pode ler um trabalho sobre Raul de Carvalho da autoria do Homem de Letras ANTÓNIO REBORDÃO NAVARRO

Comentários

MARIA disse…
Não conhecia o poema. É lindo.
Obrigada pela partilha do poeta.

Um beijinho sempre amigo.

Maria

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me leve. 
.
Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.
.
Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.
.
E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.
.
Ferreira Gullar

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Por que não dizer baixinho, como quem reza:
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António Botto
Foto de Aleksandr Krivickij