terça-feira, outubro 20, 2009

TRISTEZAS DA LUA






Divaga em meio à noite a lua preguiçosa;
Como uma bela, entre coxins e devaneios,
Que afaga com a mão discreta e vaporosa,
Antes de adormecer, o contorno dos seios.

No dorso de cetim das tenras avalanchas,
Morrendo, ela se entrega a longos estertores,
E os olhos vai pousando sobre as níveas manchas
Que no azul desabrocham como estranhas flores.

Se às vezes neste globo, ébria de ócio e prazer,
Deixa ela uma furtiva lágrima escorrer,
Um poeta caridoso, ao sono pouco afeito,

No côncavo das mãos toma essa gota rala,
De irisados reflexos como um grão de opala,
E bem longe do sol a acolhe no seu peito.


(Charles Baudelaire)



2 comentários:

Paula Raposo disse...

Isto é Poesia!!! Beijos.

Brancamar disse...

Que bela surpresa Lumife!
Como diz a Paula, isto é realmente poesia, de pura água, da melhor e adorei recordar Baudelaire que fazia parte do programa obrigatório de literatura francesa dos meus tempos de escola, sem tradução, claro.
Obrigada por tantas coisas boas que nos trazes.
Beijinhos.
Branca