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A mostrar mensagens de Setembro 1, 2009

Recordando FERNANDO PEIXOTO

Colher a sensação das arestas redondas
das areias escaldantes das minhas dúvidas
respirar a maresia das ideias
que transpira na crista das ondas
das minhas incertezas súbitas
enormes rumorosas e cheias

Provar os sabores salgados
da espuma na minha mão
junto à proa do navio
e respirar os ventos desgarrados
que se espraiam na rebentação
e sentir na pele um arrepio

Impelido por ventos de desnorte
sentir na carne o desconforto
de ter um mundo imenso à minha frente
e um silvo de silêncio como a morte
a lembrar-me que está longe o porto
no oposto preciso do nascente


Penetrar no horizonte distante
nessa linha que me afasta de ti
e perceber a impotência dos braços
que me sustêm na orla hesitante
que ainda me retêm aqui
incapaz de quebrar meus próprios laços

desafiar Neptuno o deus gigante
que roça os rochedos agressivos
impelido por Zéfiro implacável
e pressentir naquele mesmo instante
que há medos de tal forma possessivos
que a vontade se torna vulnerável

Deitar-me no areal já ressequido
e queimar-me no sol do meio-dia
son…