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SOLITÁRIO

Foto de F. Monteiro




Como um fantasma que se refugia
Na solidão da natureza morta,
Por trás dos ermos túmulos, um dia,
Eu fui refugiar-me à tua porta!

Fazia frio e o frio que fazia
Não era esse que a carne nos conforta…
Cortava assim como em carniçaria
O aço das facas incisivas corta!

Mas tu não vieste ver minha Desgraça!
E eu saí, como quem tudo repele,
- Velho caixão a carregar destroços -

Levando apenas na tumbal carcaça
O pergaminho singular da pele
E o chocalho fatídico dos ossos!


Augusto dos Anjos

Comentários

MARIA disse…
Meu querido amigo, como ficou lindo o blogue neste novo formato!
Gostei imenso .
O poema também é lindo, ainda que triste.
Um doce beijinho sempre amigo

Maria
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Cantiga para não morrer de Ferreira Gullar

Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve. 
.
Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.
.
Se no coração não possa
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me leve no seu lembrar.
.
E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
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me leve no esquecimento.
.
Ferreira Gullar

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Foto de Aleksandr Krivickij