ESCREVO O TEU NOME




Escrevo o teu nome e um pássaro levanta-se da terra -
sobre o seu voo contariam os teus olhos mil histórias
que eu escutaria com o mesmo silêncio admirado
com que na boca cai um beijo ou a noite atira o amor
para cima das camas. Mas o lápis rola subitamente

sobre a mesa e pára a sepultar as palavras que nunca
te direi - porque o rio não regressa à cidade que primeiro
beijou, nem o navio ruma jamais ao porto que o viu largar.


Maria do Rosário Pedreira

In O Canto do Vento nos Ciprestes

Foto de Vigen Hakhverdyan

Comentários

Menina Marota disse…
Adoro a poesia da Maria do Rosário Pedreira e este livro "O Canto do Vento nos Ciprestes" conjugando com o "A Casa e o Cheiro dos Livros" são os 2 meus preferidos.

Grata por a partilhares e pela escolha do poema que gosto muito.
Beijo

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