sábado, abril 23, 2011

ADEUS





Como se houvesse uma tempestade
escurecendo os teus cabelos,
ou, se preferes, minha boca nos teus olhos
carregada de flor e dos teus dedos;

como se houvesse uma criança cega
aos tropeções dentro de ti,
eu falei em neve - e tu calavas
a voz onde contigo me perdi.

Como se a noite se viesse e te levasse,
eu era só fome o que sentia;
Digo-te adeus, como se não voltasse
ao país onde teu corpo principia.

Como se houvesse nuvens sobre nuvens
e sobre as nuvens mar perfeito,
ou, se preferes, a tua boca clara
singrando largamente no meu peito.

EUGÉNIO DE ANDRADE

3 comentários:

Sam. disse...

Sei que estás em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo pra mim
Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor do teu jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também que é preciso, pá
Navegar, navegar
Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim.

(Chico Buarque de Hollanda)

Feliz Dia da Liberdade!
Feliz 25 de Abril!

Isamar disse...

Não conhecia este poema de Eugénio de Andrade apesar de o admirar profundamene e de o ler muitas vezes. Adeus é uma palavra muito forte, carregada de simbolismo que condiz na perfeição com a imagem.

Bem-hajas!

Beijinhos

BRANCAMAR disse...

Querido amigo,

Para mim reler Eugénio, é como lê-lo sempre pela primeira vez. Foi um dos primeiros poetas por quem me interessei desde muito jovem, até hoje.
A sua poesia é sempre inebriante e inspiradora.
Obrigada. Beijos.