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A mostrar mensagens de Maio, 2012

SEI QUE O SILÊNCIO MORDE A MINHA BOCA

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Sei que o silêncio morde a minha boca.
Hoje, na melancolia de um fim de tarde,
Chamei por uma estrela solitária.
Essa que morreu antes de chamar pelo teu nome.
Sei hoje que a tua ausência
É a voz do silêncio do meu corpo,
O tempo que faltou ao nosso encontro,
Se pudesse ser outro que não eu
Talvez me pudesse despir de antigas mortes
E olhar-te na madrugada súbita dos teus olhos
E dizer-te que amanhã
É sempre o dia em que te procuro.
Amanhã, será sempre o dia em que te digo
"Amo-te" .

PAULO EDUARDO CAMPOS

In "Na serenidade dos rios que enlouquecem"

SONHOS

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Sonho-te que sonhando-me sonhas-me, em teus braços, mil beijos sussurrados

 Sonho-te e sonhando-me amo-te no rasgar da pele buscando carícias longas entregando-me 
 Sonho-te no abraço incontido corpo entregue vencido em noites de vendaval 
 E esse perfume errante --- seiva quente --- dá vida dá alento mesmo que não passando de ilusão, que se desfaz em nada, tal qual nuvem em tarde de verão. 
 Sonho-te que sonhando-mesonhas-me... 

 amando-te... OTÍLIA MARTEL 
 Foto de Julia Nikonchuk

CANTIGA

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Deixa-te estar na minha vida
Como um navio sobre o mar.

Se o vento sopra e rasga as velas
E a noite é gélida e comprida
E a voz ecoa das procelas,
Deixa-te estar na minha vida.

Se erguem as ondas mãos de espuma
Aos céus, em cólera incontida,
E o ar se tolda e cresce a bruma,
Deixa-te estar na minha vida.

À praia, um dia, erma e esquecida,
Hei, com amor, de te levar.
Deixa-te estar na minha vida.
Como um navio sobre o mar.


CABRAL DO NASCIMENTO

1897/1978


Foto de Svetlana Melik-Nubarova

BALADA DO GELO

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há nestas noites perdidas a dor gelada do teu corpo ausente do abraço das tuas pernas fendidas desabrochando num sorriso quente.
é a saudade dolorida das tuas mãos cruéis que me rasgam a pele ferida, desenhando no meu corpo o mapa do teu desejo, a mordedura da tua boca salgada percorrendo-me insaciada na tortura de um longo beijo.
sempre nestas noites perdidas, a dor gelada do teu corpo ausente, da prisão das tuas pernas rendidas desabrochando num gemido quente.
e quando o sol começa a despontar e eu consigo adormecer, juro-te, minha querida, que nunca mais quero acordar.

ANTÓNIO MAGA

Foto de Alexander Eliseev


MARIA

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Todo o passado, para mim, é morto,
e, no futuro, há só esperança infinda
que eu sinto n' alma quando lembro, absorto,
essa mulher divinamente linda.

Queria viver, nas sombras de algum horto,
longe do mundo, o sonho que não finda !
Viver com ela, viver nela, e absorto,
morrer com ela, enamorado ainda !

Que a vida, sem amor, é desventura ;
e, se a não vejo, eu vejo fatalmente,
em toda a parte, a dor que me tortura.

Ah, mas se a vida é o seu amor somente,
porque sinto, meu deus, esta amargura
de a não poder amar eternamente ?


GUILHERME DE FARIA

1907/1929



TE AMO

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MULATA

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corpo de mulata corpo de batuques e luar corpo de serpente a enroscar-se na árvore corpo de mel e malícia onde mãos buscam frementes poemas de luz e cor onde beijos estremece entre seios ponteagudos onde o sexo é uma flor a oferecer as sementes aos quatro cantos do mundo corpo esguio e feiticeiro por onde passa o amor e fica ainda mais belo. 

 MARIA OLINDA BEJA 
 Maria Olinda Beja Martins Assunção, nasceu em Guadalupe em 1946 (São Tomé e Príncipe), sendo porém de nacionalidade portuguesa. Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas (Português/Francês) pela Universidade do Porto, Olinda Beja é docente do Ensino Secundário desde 1976. Ensina também Língua e Cultura Portuguesa na Suíça, é assessora cultural da Embaixada de São Tomé e Príncipe e dinamizadora cultural. Publicou os livros de poemas 'Bô Tendê?', 'Leve, Leve', 'No País do Tchiloli', 'Quebra-Mar' e 'Água Crioula', os romances 'A Pedra de Villa Nova', '!5 Dias de Regresso&#…

NINGUÉM

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Embriaguei-me num doido desejo
e adoeci de saudade.
Caí no vago ... no indeciso
não me encontro, não me vejo -
perscruto a imensidade

E fico a tactear na escuridão
ninguém. ninguém
nem eu, tão pouco !

Encontro apenas
o tumultuar dum coração
aprisionado dentro do meu peito
aos saltos como um louco


JUDITH TEIXEIRA