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A mostrar mensagens de Março 12, 2012

POEMA DA CULPA

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Eu a amei, e era de outro, que também a queria.
Perdoai a ela, Senhor, porque a culpa é minha.
Depois de haver beijado seus cabelos de trigo,
nada importa à culpa, pois não importa o castigo.

Foi um pecado desejá-la, Senhor, e, no entanto
meus lábios estão doces por esse amor amargo.
Ela foi como uma água calada que corria…
Se é culpa ter sede, toda a culpa é minha.

Perdoai a ela, Senhor, tu que destes a ela
sua frescura de chuva e esplendor de estrela.
Sua alma era transparente como um vaso vazio:
eu o enchi de amor. Todo o pecado é meu.

Mas, como não amá-la, se tu fizestes que fosse
pertubadora e fragante como a primavera?
Como não havê-la amado, se era como o orvalho
sobre a erva seca e ávida da estiagem?

Tratarei de rechaçá-la, Senhor, inutilmente,
como um sulco que tenta rechaçar a semente.
Era de outro. Era de outro que não a merecia,
e por isso, em seus braços, seguia sendo minha.

Era de outro, Senhor, mas há coisas sem dono:
as rosas e os rios, e o amor e o sonho.
E ela me deu seu amor como se dá u…