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C O R P O


CORPO

 Corpo serenamente construído 
Para uma vida que depois se perde 
Em fúria e em desencontro vivido 
Contra a pureza inteira dos teus ombros. 


 Pudesse eu reter-te no espelho 
Ausente e mudo a todo outro convívio 
Reter o claro nó dos teus joelhos 
Que vão rasgando o vidro dos espelhos. 


 Pudesse eu reter-te nessas tardes 
Que desenhavam a linha dos teus flancos 
Rodeados pelo ar agradecido. 


 Corpo brilhante de nudez intensa 
Por sucessivas ondas construído 
Em colunas assente como um templo. 



 Sophia de Mello Breyner Andresen 


Foto de Andrey Voytsehkov

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Cantiga para não morrer de Ferreira Gullar

Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve. 
.
Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.
.
Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.
.
E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.
.
Ferreira Gullar

Como a noite descesse...

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Onde, entretanto, quem me disesse
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Se eu estava só, só e desesperado,
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- Ó doce e incorruptível Aurora...
se só as estrelas é que me entenderiam?

Emílio Moura



Emílio Guimarães Moura (14 de agosto de 1902Dores do Indaiá28 de setembro de 1971Belo Horizonte) foi um poetamodernista, integrante do grupo de modernistas mineiros que ajudaram a revolucionar a literatura brasileira na década de 1920. Foi redator de cadernos literários dos periódicos Diário de Minas, Estado de Minas e A Tribuna de Minas Gerais. Moura foi também professor universit…

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António Botto
Foto de Aleksandr Krivickij