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A mostrar mensagens de Julho, 2014

QUANDO O NAVIO PARTIU

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QUANDO O NAVIO PARTIU
Quando o navio partiu do cais, cheio de gente - O cais que era, nessa hora, todos os cais do mundo -, Um só vulto ficou na amurada, indiferente.
Em terra, os lenços acenavam, como um grande incêndio branco Que se propagou ao navio. - E o vulto era indiferente ao grande incêndio branco.
A sirene de bordo começou a vibrar desesperadamente, Em toada de naufrágio. - E o vulto era ainda alheio a esse som plangente.
O grande paquete afastou-se, com rumo ao mar de sempre, à eterna rota; Na distância ficou o cais, cheio de lenços brancos, como espuma à flor da vaga; E abandonou a esteira do navio a última gaivota.
A noite veio – a enorme teia cheia de gotas de orvalho tremeluzindo ao vento; Depois, surgiu a lua – a grande aranha senhora dessa enorme teia; E do navio subiu para a lua o coro de todos os lamentos.
Um só vulto ficou, olhando o mar e os astros, Indiferente ao Futuro, indiferente ao Passado, Lendo as oitavas que, no Céu, iam escrevendo os mastros.
Esse vulto era eu! Eu que, de ta…