Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens de Junho, 2015
EM FRENTE DO MAR
Pergunto a mim próprio em que noite nos perdemos?, que desencontro nos levou de um a outro lado das nossas vidas? e que caminhos evitámos para que os nossos passos se não voltassem a cruzar ? Mas as perguntas que te faço, hoje, já não têm resposta. Sento-me contigo, nesta mesa da memória, e partilho o prato da solidão. Tu na cadeira vazia onde te imagino, sacodes o cabelo com um aceno de ironia. E dou-te razão: as coisas podiam ter sido de outro modo. Não te disse as palavras que esperaste; e havia o mar, com as suas ondas, nessa tarde em que me puxaste para longe da cidade, como se a noite não nos obrigasse a voltar, quando o horizonte se apagou à nossa frente. Depois disso, nenhuma pergunta tem resposta. O que é absurdo há-de continuar absurdo, como o horizonte não se voltou a abrir,  trazendo de volta os teus olhos que me pediam que os olhasse, até que a noite me impedisse de o fazer.

NUNO JÚDICE

O Estado dos Campos

Foto de Alex Krivtsov