quinta-feira, setembro 08, 2016

A LOUCURA DO POETA




Que a voz do Poeta não se cale


Que os olhos do Poeta não se fechem

Que os seus versos sejam a sirene

Que alerta toda a gente à sua volta

Que o poema seja o grito inconformado

Dos braços que se erguem na revolta

Contra os braços curvados e a cerviz

Submissa ao peso da opressão

Que o poema seja sempre vertical

Um relâmpago enorme em noite escura

Que o Poema seja uma canção

E rasgue o medo em mil pedaços

Com versos de amor e de ternura

Espalhados por mil bocas e mil braços

Que o Poeta seja mais que um ser humano

E que tanja a lira do seu canto

Elevando a Poesia até ao céu

E que entregue aos homens o seu Fogo

Assumindo o papel de Prometeu..



Quando o Poeta escreve por Amor

A palavra torna-se a armadura

Com que o Homem vence a própria dor

E destrói o vírus da amargura...



É louco, o Poeta? Deixem lá:

O mundo precisa da loucura...



FERNANDO PEIXOTO

No Palco da Saudade : Fernando Peixoto
http://www.jornalaudiencia.pt/index.php/opiniao/4315-no-palco-da-saudade-fernando-peixoto

1 comentário:

Branca disse...

Saudades deste grande homem e poeta, que conheci pessoalmente, que foi professor da minha filha na Escola Superior Artística do Porto, no curso de Encenação e Interpretação, um excepcional professor de História da Arte, um ser humano que nunca vou esquecer.
Obrigada Luís, por o lembrares e pertilhares.
Beijos