segunda-feira, agosto 14, 2017

AQUELA JANELA



AQUELA JANELA...
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Aquela janela...
Onde meu corpo vergado
Acolhia teu busto enamorado.
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Aquela abertura...
Onde o luar espreitava
O reflexo dos teus olhos quentes de lava.
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Aquele sítio...
Onde o calor dos nossos beijos
Ateava o fogo da paixão e dos desejos.
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Aquela janela...
Onde sonhos se construíam
E sorrisos se fundiam.
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Aqueles momentos...
Em que o silêncio imperava
Loucuras mil se sonhava...
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Aquelas horas...
Minutos fugidíos, fugazes,
De que felicidade éramos capazes...
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Aquela janela...
Virada para o silêncio da rua
Onde o amor sucedia sob os olhos da lua.
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Aquelas paredes...
Mudas testemunhas de um beijo,
Duma carícia, duma despedida, dum desejo.
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Aquele silêncio, aquela rua,
Aquela janela, aquela felicidade,
Tudo desapareceu com a cidade...
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Aquela janela, aquele silêncio,
Aquela rua... indeléveis companheiros meus,
Perene confirmação do último adeus.
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Aquela janela...
Chaga viva, magoa sempre, até fere.
Impossível aceitar o que o destino quer.
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Aquela janela...
Orvalhada por lágrimas doridas,
Expiadas e sofridas.
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Aquela janela...
Um dia se abrirá de par em par
Afastará a tristeza, a dor e a saudade
E deixará o Sol entrar...

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06 de Abril de 2006
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Luis Milhano (Lumife)

Foto de João Torres