segunda-feira, maio 19, 2008

BEJA - ENCONTRO DE COROS





música

XX ENCONTRO DE COROS

dia 24/05/2008 | 17.30 | M 6 | entrada livre


Coral de Évora, Grupo Coral do Estreito de Câmara de Lobos e Coro de Câmara de Beja

Desde 1989, o Coro de Câmara de Beja tem vindo a organizar, anualmente, os Encontros de Coros de Beja. Por solicitação da Autarquia, o Coro tem realizado esta iniciativa, integrando-a nas Festas da Cidade. Simultaneamente, com o evento tem-se pretendido dar a conhecer outros intérpretes da Música Coral, de várias proveniências do País e mesmo do estrangeiro (Espanha e Suécia).

Nesta 20ª edição contaremos com a presença do “Grupo Coral do Estreito de Câmara de Lobos” e com o “Coral Évora”, para além do Coro organizador.


Org Coro de Câmara de Beja




domingo, maio 18, 2008

O QUADRO

Foto de Sue Anna Joe






Gostava de inventar um quadro teu
com cores para além do arco-íris,
(paleta que um poeta me ofereceu...)
fixar a tua alegria, se sorrires.

Mas falha o engenho e não há tons,
quando a beleza é calma e entorpece
não logro retratar a alma, os dons,
e o meu entusiasmo desfalece.

Talvez azul distante no olhar...
talvez negro profundo nos cabelos...

Inderdito, quedo-me a sonhar
com amores irreais, com a alegria
de ficar, sôfrego dos teus desvelos,
parado, frente a uma tela vazia.




Manuel Filipe

quinta-feira, maio 15, 2008

BEJA - "A NOITE DOS MUSEUS"




O Museu Regional de Beja aderiu à quarta edição de "A Noite dos Museus" que terá lugar um pouco por toda a Europa no sábado, dia 17 de Maio de 2008, das 18.30 h até às 2h da madrugada.



Este importante acontecimento, que decorre sob o alto patrocínio do Conselho da Europa e beneficia a aproximação às comemorações do Dia Internacional dos Museus (18 de Maio), tem conhecido uma mobilização crescente entre as populações dos diversos países aderentes.



Durante esta noite mais de 2000 museus por toda a Europa abrirão gratuitamente as suas portas, convidando as populações a descobrir, de uma maneira criativa e pedagógica, as suas diversas colecções.



O Museu Regional inicia este percurso, a partira das 18.30h, com a inauguração da exposição Evoluções, da artista plástica Maria T, seguindo-se um concerto meditativo com gongos e taças tibetanas por Ingrid Ortelbach.



Serão efectuadas visitas guiadas à exposição pela própria autora, que nos dará a conhecer nos seus trabalhos uma perfeita simbiose entre a poesia e a arte, através de um forte registo e de uma verdadeira alquimia, em técnica mista sobre madeira.



Pela noite dentro serão efectuadas visitas guiadas à exposição temporária sobre Madre Mariana Alcoforado, freira do Convento da Conceição, possível autora das "Lettres Portugaises", que viveu uma grande história de amor com o cavaleiro francês Nöel Boutton, Conde de Saint Léger e Marquês de Chamilly.



O visitante poderá, durante esta noite, usufruir igualmente de visitas guiadas à arquitectura do Museu (Convento da Conceição), azulejaria, pintura, ourivesaria ou arqueologia.

Das 21.00h às 22.30h decorrerá a sessão de cinema À Noite no Museu.



O Museu Regional encerra as suas portas às 2:00h da madrugada.

Para qualquer esclarecimento adicional contactar Museu Regional de Beja, telefone 284 323 351 ou através do email geral@museuregionaldebeja.net.


terça-feira, maio 13, 2008

DIZ-ME O TEU NOME




Diz-me o teu nome - agora, que perdi
quase tudo, um nome pode ser o princípio
de alguma coisa. Escreve-o na minha mão

com os teus dedos - como as poeiras se
escrevem, irrequietas, nos caminhos e os
lobos mancham o lençol da neve com os
sinais da sua fome. Sopra-mo no ouvido,

como a levares as palavras de um livro para
dentro de outro - assim conquista o vento
o tímpano das grutas e entra o bafo do verão
na casa fria. E, antes de partires, pousa-o

nos meus lábios devagar: é um poema
açucarado que se derrete na boca e arde
como a primeira menta da infância.

Ninguém esquece um corpo que teve
nos braços um segundo - um nome sim.


Maria do Rosário Pedreira


domingo, maio 11, 2008

CARTAS...




numa vontade de te ver
na vulgar noite vazia
onde espero sentada sem sono
vejo o papel, olhar para mim
o mesmo que tantas vezes enviei
como a pedir-me, para te escrever

num entreabrir dos meus olhos
onde escorriam lágrimas
de saudade,
deixo arrastar comigo o desejo
de sede de ti, no deambular deste silêncio

procuro cartas que outrora escrevi,
cartas onde o nosso amor
esteve sempre presente,
tal como hoje,
apesar de distantes
onde a saudade tinha sempre o nosso nome

escrevi-te de novo
para te enviar a minha mão,
entregar meus lábios
dizer-te que o nosso amor ainda perdura
e me sinto de novo especial,
nesta carta que só tu percebes

e nasceu a carta, mesmo sabendo
que pode ser imaginária…

l.maltez


Poema da Amiga Lena, retirado do seu blog CABANA DE PALAVRAS que merece ser visitado.

sexta-feira, maio 09, 2008

NUNCA MAIS




Passa um dia,
e outro a correr atrás dele
e outro e outro...
O tempo a todos impele,
tal o vento
levando, em doida correria,
revoadas de folhas outonais,
folhas de calendários sempre iguais,
uma a uma arrancadas,
perdidas nas estradas...

Nunca mais... Nunca mais...



Saúl Dias, Essência

quarta-feira, maio 07, 2008

A L V I T O - I BIENAL INTERNACIONAL RAUL DE CARVALHO





A “I Bienal Internacional Raul de Carvalho”, instituída em 2008, é uma iniciativa do Município de Alvito, que entende desta forma homenagear o poeta alvitense e, simultaneamente, criar um espaço de apoio e divulgação de novos talentos.


Tem como língua oficial o Português e está aberta à participação de expressões artísticas, de artistas nacionais ou estrangeiros, residentes ou não em Portugal, maiores de 16 anos.


A Bienal tem como objectivos, promover o desenvolvimento artístico, a divulgação de bons trabalhos e permitir o contacto da população com várias formas de arte, ao mesmo tempo que apela à criatividade dos cidadãos, sensibilizando para a valorização do Património Imaterial (natural, cultural, histórico, edificado e imaterial) do Concelho de Alvito.


CONSULTE O Regulamento I Bienal Internacional ''Raul de Carvalho''
A Q U I

PARA MAIS INFORMAÇÕES consulte A Q U I

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terça-feira, maio 06, 2008

A MEMÓRIA DO TEU CORPO

Foto Alina Lebedeva



A memória do teu corpo é a paisagem dum tumulto
um cântico absorto antes de arrebatadas chuvas.


Traz o vestígio incandescente dos mares de levante
a ardência duma praia restituída de lembranças.


É uma semente a colorir os teus quadris de incenso
Uma celebração ofegante sobre o umbral dum leito.


Relembro-o pela terra, os frutos, as formas macias
do respirar do vento como em teus olhos de alecrim.


E nunca hei-de renunciar ao seu apelo mágico,
para não desmerecer, num sonho, o teu pretérito.


Vieira Calado

In Transparências

segunda-feira, maio 05, 2008

BICICLETA FLORIDA



Oferta de MARIA MARIA VISITA O REINO DE ESTHER, a quem agradeço a gentileza.

Como se torna difícil escolher alguns amigos(as)para dar seguimento à oferta, desta vez fica ao critério de quem me visita levar a "sua" bicicleta florida.

Boas pedaladas!


Para retribuir a amabilidade dedico a Maria estes versos que encontrei na net sem indicação de Autor
:

TEUS OLHOS



Teus olhos de mulher,

Tão imensos como a noite,

Infinitos como o tempo,

Que, um dia, descuidado,

Descobriu-se enciumado,

Pelo sorriso escancarado

Desses lindos olhos teus.



Teus olhos de mulher.

Tão intensos como o dia,

Têm a vastidão do vento,

Que ao soprar, desavisado,

Confundiu-te com a flor,

Que um dia te ofertaram,

Pelo amor dos olhos teus




sexta-feira, maio 02, 2008

ALEGORIA FLORAL

Foto de Alberto Viana de Almeida - Olhares


Um dia em que a mulher nasça do caule da roseira
que cresce no quintal; ou um dia em que a nuvem
desça do céu para vestir de névoa os seus
seios de flor: seguirei o caminho da água nos
canteiros que me levam ao caule, e meter-me-ei
pela terra em busca da raíz.


Nesse dia em que os cabelos da mulher se
confundirem com os fios luminosos que o sol
faz passar pela folhagem; e em que um perfume
de pólen se derramar no ar liberto da névoa:
procurarei o fundo dos seus olhos, onde corre
uma transparência de ribeiro.


Um dia, irei tirar essa mulher de dentro da flor,
despi-la das suas pétalas, e emprestar-lhe o véu
da madrugada. Então, vendo-a nascer com o dia,
desenharei nuvens com a cor dos seus lábios, e
empurrá-las-ei para o mar com o vento brando
da sua respiração.


Depois, cobrirei essa mulher que nasceu da roseira
com o lençol celeste; e vê-la-ei adormecer, como
um botão de rosa, esperando que a nuvem desça
do céu para a roubar ao sonho da flor


Nuno Júdice
(O Estado dos Campos)
(Dom Quixote)


quinta-feira, maio 01, 2008

PRIMEIRO DE MAIO DE 1974



Dia primeiro
do Maio que Abril nos deu.
Dia rasgado
pelo Sol em cada peito,
pelo riso de todos nós crianças,
pelo abraço dos irmãos em festa.
Dia de todas as cores
dançando em roda,
de cantos mil
voando pelas praças.
Dia sem sede
que a água se oferecia
nos parapeitos das janelas.
Dia de acreditar.
Foi esse o Maio
em que comemos flores
e nos embriagámos.
Foi esse o dia
de todos os amores.

Poema de LICÍNIA QUITÉRIO in O SÍTIO DO POEMA

terça-feira, abril 29, 2008

FLOR DE CRISTAL

Cristal Swarovski



FLOR DE CRISTAL

Como tu, cristal…
Como tu, flor …


Frágil e pura,
Em multifacetada vida te desdobras:
Coa-se a luz na tua transparência,
Irisando-a de cor


Frágil e pura,
Das pétalas, o suave toque em que sossobras,
Do gineceu, o torpor da essência
Em teu redor …


O Cristal, a Flor –
A simbiose:
A Alma-Luz, a Carne-Fogo,
Fremindo,
Vivendo.


Rolam os anos sem ferir
A beleza do que é perene


Como tu, Flor,
Como tu, Cristal!



António de Almeida

segunda-feira, abril 21, 2008

POEMA DE AMOR

Foto de Sergey Ryzhkov





Percorreria na ponta dos meus dedos
os teus cabelos em desalinho,
inspirar-me-ia no teu cheiro único
que o meu corpo perpetua,
escrever-te-ia um poema de amor
em páginas e páginas de paixão,
falar-te-ia segredando palavras
que tu guardarias como relíquia.

Seríamos uma só voz sem saudade,
seríamos cânticos de alegria,
seríamos a força solidária
de um Amor.

Mas o que resta do que não foi
são as luzes feéricas do sonho,
as imagens bem delineadas de um filme,
o sabor inalterável de um beijo,
no presente doce das nossas Vidas,

Tal como este inútil poema de amor...


Paula Raposo in As Minhas Romãs

sábado, abril 19, 2008

OVIBEJA - 26 de ABRIL a 04 de MAIO - TRADIÇÃO E INOVAÇÃO





Tradição e inovação. São estas as linhas fundadoras da Ovibeja, a maior Feira agrícola que anualmente se realiza em território português. Organizada pela ACOS – Associação de Criadores de Ovinos do Sul – a Ovibeja concilia em mais de dez hectares de exposição a cultura e os costumes ancestrais que herdou da antiga Feira de Maio de Beja, instituída em 1261 por carta régia de D. Afonso III, com as mais arrojadas inovações tecnológicas ao nível não apenas das práticas agrícolas, mas também dos diferentes sectores da economia e da sociedade.
A Ovibeja, que anualmente recebe para cima de trezentos mil visitantes, é uma Feira na verdadeira acepção da palavra. É um local de festa e de diversão. De convívio e de reencontro. É um espaço de negócio e de troca de experiências. É um terreiro de cultura e de debate. É um fórum político e de cidadania. É a Primavera em toda a sua exuberância, onde o passado e o futuro passeiam de mãos dados.
Em 2008 a Ovibeja faz 25 anos. A festa que irá decorrer no Parque de Feiras e Exposições de Beja entre os dias 26 de Abril e 4 de Maio não servirá apenas para assinalar as bodas de prata do maior evento cultural, político, económico e social do interior do País. Servirá também para constatar que as mudanças ocorridas no país e na região nestes últimos 25 anos, também passaram pela Ovibeja: Uma Feira que tem vindo a mostrar “Todo o Alentejo Deste Mundo”, mas que agora quer trazer o mundo todo a este nosso Alentejo.

Texto DAQUI

sexta-feira, abril 18, 2008

ABRIL DE SIM ABRIL DE NÃO







Eu vi Abril por fora e Abril por dentro
vi o Abril que foi e Abril de agora
eu vi Abril em festa e Abril lamento
Abril como quem ri como quem chora.

Eu vi chorar Abril e Abril partir
vi o Abril de sim e Abril de não
Abril que já não é Abril por vir
e como tudo o mais contradição.

Vi o Abril que ganha e Abril que perde
Abril que foi Abril e o que não foi
eu vi Abril de ser e de não ser.

Abril de Abril vestido (Abril tão verde)
Abril de Abril despido (Abril que dói)
Abril já feito. E ainda por fazer.


Manuel Alegre

quinta-feira, abril 17, 2008

CONTRA A INDIFERENÇA E O MEDO,

O Grito - Munch - 1893



Na primeira noite, eles se aproximam
e colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.


Na segunda noite, já não se escondem,
pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.


Até que um dia, o mais frágil deles, entra
sòzinho em nossa casa, rouba-nos a lua,
e, conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.


E porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada.



Vladimir Maiakovski



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Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro


Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário


Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável


Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei


Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo


Bertold Brecht



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Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.


No dia seguinte, vieram e levaram
meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei.


No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.


No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar...


Martin Niemoller



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Primeiro eles roubaram nos sinais, mas não fui eu a vítima,

Depois incendiaram os ônibus, mas eu não estava neles,

Depois fecharam ruas, onde não moro,

Fecharam então o portão da favela, que não habito,

Em seguida arrastaram até a morte uma criança, que não era meu filho...



Cláudio Humberto

terça-feira, abril 15, 2008

Jorge Vicente e José Gil - Novos Livros


Clique nas imagens para uma melhor leitura



'Caros Amigos, Poetas, artistas, bloggers, público em geral, gostaria de convidar-vos a estar presentes no lançamento do meu primeiro livro de Poesia, ASCENSÃO DO FOGO, que irá desenrolar-se no próximo dia 26 de Abril, no Salão do Grupo Dramático de Vilar do Paraíso, Vila Nova de Gaia, Rua do Jardim, 1181, pelas 16.00. A vossa presença é muito importante porque é a vós, todos, que eu dedico aquilo que sai cá de dentro: as minhas palavras ou, se o preferirem, o meu Verbo.

No mesmo dia, na mesma hora e no mesmo espaço, também será apresentado o livro do poeta e actor José Gil, com prefácio da minha autoria


Por isso, cá vos espero. Com o coração aberto e com as mãos plenas de palavras para partilhar convosco.

(Convite enviado pelo amigo Jorge Vicente)






Beja - Campanha de adopção



Para mais informações contactar BLOG DO ZIG

quinta-feira, abril 10, 2008

25 DE ABRIL, SEMPRE




Esta é a madrugada que eu esperava
0 dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

[Sophia Mello Breyner]





Foto de Alfredo Cunha

sexta-feira, abril 04, 2008

A B R I L - L I B E R D A D E

Imagem DAQUI



O golpe de estado militar do dia 25 de Abril de 1974 derrubou, num só dia, o regime político que vigorava em Portugal desde 1926, sem grande resistência das forças leais ao governo, que cederam perante a revolta das forças armadas. Este levantamento é conhecido por Dia D, 25 de Abril ou Revolução dos Cravos. O levantamento foi conduzido pelos oficiais intermédios da hierarquia militar (o MFA), na sua maior parte capitães que tinham participado na Guerra Colonial. Considera-se, em termos gerais, que esta revolução trouxe a liberdade ao povo português. (denominando-se "Dia da Liberdade" o feriado instituído em Portugal para comemorar a revolução).


Cravo
O cravo tornou-se o símbolo da Revolução de Abril de 1974; Com o amanhecer as pessoas começaram a juntar-se nas ruas, solidários com os soldados revoltosos; alguém (existem várias versões, sobre quem terá sido, mas uma delas é que uma florista contratada para levar cravos para a abertura de um hotel, foi vista por um soldado que pôs um cravo na espingarda, e em seguida todos o fizeram), começou a distribuir cravos vermelhos para os soldados, que depressa os colocaram nos canos das espingardas.


No dia seguinte, forma-se a Junta de Salvação Nacional, constituída por militares, e que procederá a um governo de transição. O essencial do programa do MFA é, amiúde, resumido no programa dos três D: Democratizar, Descolonizar, Desenvolver.

Entre as medidas imediatas da revolução contam-se a extinção da polícia política (PIDE/DGS) e da Censura. Os sindicatos livres e os partidos foram legalizados. Só a 26 foram libertados os presos políticos, da Prisão de Caxias e de Peniche. Os líderes políticos da oposição no exílio voltaram ao país nos dias seguintes. Passada uma semana, o 1º de Maio foi celebrado legalmente nas ruas pela primeira vez em muitos anos. Em Lisboa reuniram-se cerca de um milhão de pessoas.




Portugal passou por um período conturbado que durou cerca de 2 anos, comummente referido como PREC (Processo Revolucionário Em Curso), marcado pela luta e perseguição politica entre as facções de esquerda e direita. Foram nacionalizadas as grandes empresas. Foram igualmente "saneadas" e muitas vezes forçadas ao exílio personalidades que se identificavam com o Estado Novo ou não partilhavam da mesma visão politica que então se estabelecia para o país. No dia 25 de Abril de 1975 realizaram-se as primeiras eleições livres, para a Assembleia Constituinte, que foram ganhas pelo PS. Na sequência dos trabalhos desta assembleia foi elaborada uma nova Constituição, de forte pendor socialista, e estabelecida uma democracia parlamentar de tipo ocidental. A constituição foi aprovada em 1976 pela maioria dos deputados, abstendo-se apenas o CDS.

A guerra colonial acabou e, durante o PREC, as colónias africanas e Timor-Leste tornaram-se independentes.



O 25 de Abril visto 33 anos depois

O 25 de Abril de 1974 continua a dividir a sociedade portuguesa, sobretudo nos estratos mais velhos da população que viveram os acontecimentos, nas facções extremas do espectro político e nas pessoas politicamente mais empenhadas. A análise que se segue refere-se apenas às divisões entre estes estratos sociais.

Existem actualmente dois pontos de vista dominantes na sociedade portuguesa em relação ao 25 de Abril.

Quase todos reconhecem, de uma forma ou de outra, que o 25 de Abril representou um grande salto no desenvolvimento politico-social do país. Mas as pessoas mais à esquerda do espectro político tendem a pensar que o espírito inicial da revolução se perdeu. O PCP lamenta que a revolução não tenha ido mais longe e que muitas das conquistas da revolução se foram perdendo.

As pessoas mais à direita lamentam a forma como a descolonização foi feita e as nacionalizações feitas no periodo imediato ao 25 de Abril de 74 que condicionaram sobremaneira o crescimento de uma economia já então fraca.

(Fonte : WIKIPÉDIA)



Amadeu Sousa Cardoso - Menina dos Cravos

quinta-feira, abril 03, 2008

Linha de Rumo

foto Stanmarek



Quem não me deu Amor, não me deu nada.
Encontro-me parado...
Olho em meu redor e vejo inacabado
O meu mundo melhor.

Tanto tempo perdido...
Com que saudade o lembro e o bendigo:
Campo de flores
E silvas...

Fonte da vida fui. Medito. Ordeno.
Penso o futuro a haver.
E sigo deslumbrado o pensamento
Que se descobre.

Quem não me deu Amor, não me deu nada.
Desterrado,
Desterrado prossigo.
E sonho-me sem Pátria e sem Amigos,
Adrede.


Ruy Cinatti

(1915/1986)

quarta-feira, abril 02, 2008

Lembrando MÁRIO VIEGAS




Mário Viegas (1948-1996), encenador, actor, declamador de raro talento, interiorizou a poesia como poucos. Improvisou textos extraordinários, deu a conhecer autores, disse o que tinha a dizer de Portugal e do mundo. Fez da sua vida um poema de luta pelas ideias. Com radical desprezo pelo poder, foi Rei das Berlengas e amante de Beckett, dos palcos, das palavras, do vinho e da verdade. Disse: "Nascemos e durante a vida estamos à espera de uma coisa que nunca chegará, que chega pouco... A vida sempre foi assim."
12 anos de ausência mas sempre presente na nossa lembrança.

segunda-feira, março 31, 2008

Noites de Poesia em Vermoim - dia 5 Abril




Sábado, dia 5 de Abril de 2008, pelas 21,30 horas, no Salão Nobre da Junta de Freguesia de Vermoim (Lugar da Igreja - 4470-303 Maia) teremos a nossa habitual Noite de Poesia.



Tema: NUVENS






Apareçam… ajudem a divulgar… noticiem…







E não se esqueçam de trazer mais um amigo às

Noites de Poesia em Vermoim…






Aos habituais (e aos novos!) colaboradores da "Poesia na Net" enviem os vossos trabalhos, até à próxima Sexta-feira, dia 4 de Abril, para saturnogomes@netcabo.pt

Para saber mais visite o MOVIMENTUM

domingo, março 30, 2008

Hoje não quero apenas escrever-te...

Foto de Martin Kovalik



Hoje não quero apenas escrever-te
as mais belas palavras.
Não me basta saber
que lês os meus sonhos
com o desejo escondido em cada página.

Essas palavras são veneno sem antídoto
onde se morre de amor e de saudade!
Enlouquecem a alma,
fazem acordar sensações profundas
na irrealidade de instantes sem tempo…

Rasguemos as folhas, acabemos com a ilusão.
É entre os nossos lábios que a realidade acontece!


Albino Santos

sexta-feira, março 28, 2008

Seja eu de quem for

Foto Alex Krivtsov



Seja eu de quem for



Serei eu a chama que arde em ti ou por acaso já se apagou o fogo que deixei de ver nos teus olhos.

Serás tu a minha alma gémea ou incendiou-se o rastilho de paixão que me cega.

Louca esta visão que me surge no horizonte: o sol que se põe, a noite que desliza por entre nós, o cheiro do mar, a flor que nos faz falta, o perfume que nos une.

Ando à procura de um ideal para que amanhã seja um ideólogo, um fantasma ou um psicólogo, alguém por quem possam chamar. Por isso quero ser alguém, quero ser de alguém e, sem saber bem porquê, entrego-me sem ver a quem, pois é a forma mais fácil de fugir.

Preencho a espaços aquilo que me falta entender. Em cada passo em falso que dou descubro algo mais e encho a minha já vasta colecção de frustrações. Entrego-me a quem quer que seja mas sem nunca me deixar possuir.

Aperta-me algo por dentro, foi mais um pedaço que morreu. Volta de novo o vazio que me pinta por fora, levanta-se o muro que chega a ser ridículo. Cubro-me de fantasias, crio mitos e personagens, distribuo papeis por aqueles com que me deparo, elaboro maquiavélicos obstáculos e sento-me à espera.

Espero que peguem em mim, que mandem o muro abaixo, que me prendam. Espero em vão. Troco as voltas à vida, construo um labirinto à minha volta e perco-me. Devolvo a paz ao mundo nas horas em que me deixo dormir para, mais tarde, voltar ainda mais insaciável.

Fecho os olhos, continuo a fugir, tropeço em mais alguém que ficou por amar, mais um erro de percurso. Mas continuo nesta minha entrega, a quem quer que seja.

Continuo a fingir para a vida seja eu de quem for. Continuo a viver do engano e mantenho-me fiel a esta espécie de infidelidade da qual ninguém está a salvo. Este é o meu furacão, o meu tsunami que arrasta almas, corações e deixa um rasto terrível de desilusões.

(Foi mantida a grafia original)


Carlos Miguel Leite - (1975-Portugal)

TIBETE - PETIÇÂO AVAAZ




"Amigos,

Em apenas 7 dias, 1 milhão de pessoas assinaram nossa petição pelos direitos humanos e diálogo no Tibete, se tornando a petição on-line que cresceu mais rápido na história! Depois de décadas de injustiça, o povo tibetano está demandando mudanças e a nossa petição mostra que o mundo está respondendo com uma solidariedade surpreendente a esse chamado.

Foi declarado o Dia de Mobilização Global pelo Tibete nesta segunda-feira dia 31 de março. Em apenas 4 dias, milhares de pessoas em várias cidades do mundo irão protestar em embaixadas e consulados da China, trazendo consigo nossa petição de 1 milhão de assinaturas. Nossa mensagem global e simultânea com certeza chamará a atenção do governo chinês.

Temos somente 4 dias até a entrega da petição, por isso estamos concentrando nossos esforços em dobrar nossa petição: será que podemos conseguir 2 milhões de assinaturas? Nossa mensagem já deu a volta ao mundo e com a sua ajuda podemos chegar ainda mais longe. Por favor, clique no link para assinar a petição e em seguida encaminhe este email para todos os seus amigos e familiares:


AVAAZ

quinta-feira, março 27, 2008

Alentejo - Reestruturação dos Serviços Locais de Finanças





Dez repartições de finanças poderão fechar no distrito de Beja




A reestruturação dos Serviços Locais de Finanças (SLF) no Alentejo deverá implicar a extinção de 32 repartições, passando a haver apenas 15 em toda a região. No distrito de Beja, segundo dados a que o “CA” teve acesso, deverão ser extintas 10 SLF, ficando apenas quatro a funcionar: um para a sede de distrito; outro para Ourique, Castro Verde, Mértola e Almodôvar; um terceiro para Vidigueira, Alvito, Cuba, Ferreira do Alentejo e Aljustrel e o quarto para Serpa, Moura e Barrancos.
Em Évora, a previsão engloba a extinção de nove SLF e a criação de cinco: um para Évora, outro para Alandroal, Reguengos de Monsaraz, Portel e Mourão, o terceiro para Borba, Redondo e Vila Viçosa e o quarto para Vendas Novas, Montemor-o-Novo e Viana do Alentejo.
A extinção de 15 SLF em Portalegre, a materializar-se, irá implicar a existência de apenas três serviços: um para seis concelhos (Gavião, Nisa, Crato, Castelo de Vide, Marvão e Portalegre), outro para cinco (Ponte de Sor, Mora, Avis, Alter do Chão e Fronteira) e o último para quatro (Monforte, Arronches, Elvas e Campo Maior).
Já o Litoral Alentejano, poderá ficar servido por três SLF, agrupando Alcácer do Sal e Grândola, Odemira e Sines e um último em Santiago do Cacém.
Em termos nacionais, o relatório propõe a extinção de nove das actuais Direcções de Finanças e a transformação das restantes 13 em Direcções Regionais, assim como o fecho de 121 SLF.


Fonte: CORREIO DO ALENTEJO

quarta-feira, março 26, 2008

OVIBEJA - "BODAS DE PRATA"




COMEÇA DAQUI A UM MÊS

a OVIBEJA 25 Anos, que será inaugurada pelo Presidente da República, a 26 de Abril, associando-se assim às “bodas de prata” da OVIBEJA, segundo Manuel Castro e Brito, presidente da comissão organizadora do certame.

A edição deste ano, que se realiza de 26 de Abril a 4 de Maio, tem como tema central a Agricultura Biológica e as Energias Renováveis e apresenta um cartaz de espectáculos “muito forte” que transforma a OVIBEJA “no primeiro Festival de Verão”.

Em entrevista, que pode ser lida na integra em www.ovibeja.com, Castro e Brito passa ainda em revista os principais problemas que afectam a agricultura portuguesa e considera que as relações com o Ministério da Agricultura atravessam um momento “de reflexão para se começar, finalmente, e já tarda muito, no caminho do aproveitamento deste QCA”.

Texto copiado do ALVITRANDO

domingo, março 23, 2008

ALVITO - Duas Apresentações





Sábado - 29 de Março - 16 Horas 30 - Biblioteca Municipal

Apresentação de duas obras - "O livro do Regresso" de Xavier Zarco, prémio Raúl de Carvalho 2005 da C. M de Alvito e "Da Humana Condição" de José Augusto de Carvalho .

À noite, pelas 21 Horas, a apresentação será repetida em Viana do Alentejo.





no dorso do vento
pelos caminhos do monte
viajam frágeis vestígios
de um cântico


ou de um poema
de súbito bordado a oiro
pelas bátegas
céleres mas suaves
do sol








Xavier Zarco é o pseudónimo literário de Pedro Manuel Martins Baptista que nasceu em Coimbra em 1968, cidade onde reside. Publicou poesia no Jornal de Letras, Correio da Manhã, Diário de Notícias e Jornal de Notícias, bem como na Revista A Mar Arte. Participou na III Antologia de Poesia Portuguesa Contemporânea (Ed. Orpheu) e em Cântico em Honra de Miguel Torga (Ed. Fora do Texto). A sua poesia foi definida pelo poeta asturiano José Luís García Martín como sendo de uma concisão enormemente sugestiva.









Paisagem


Do cimo de São Vicente,
vejo o castelo de Beja,
quando um sol de estio ardente
ao inferno faz inveja.

Meus olhos mergulham fundo
na lonjura que me ganha.
Não há fronteiras no mundo,
ninguém vive em terra estranha.

Nem pequenez, nem grandeza.
A dimensão verdadeira,
que sopesa com firmeza
frágil mão duma ceifeira.






José Augusto Carvalho (Portugal)

"A minha curta biografia:

Este texto foi escrito para O Fórum dos Mestres Aprendizes, a pedido do PoetAmigo Daniel Cristal, e considero-o definitivo para publicação em todos os locais onde seja acolhido.

1.
No século XX, em Portugal, fui registado com o nome de José-Augusto, oriundo de uma das muitas famílias Carvalho da Região do Alentejo; Na Idade Média, fui Tuphy Mass, um dos cavaleiros da Moirama, oriundo da Palestina; Ainda na Idade Média, fui Gabriel, um dos escravos da gleba, oriundo do domínio de Fochem.

2.
Hoje , sou José-Augusto de Carvalho, mas também Tuphy Mass e Gabriel de Fochem.
Tuphy e Gabriel reviverão se José-Augusto souber merecê-los.

3.
Sei ler, escrever e contar.
Excepto quando criança, comi sempre o pão amassado com o suor do meu rosto. Nunca traí ninguém, mas fui traído algumas vezes.
Fui sempre amigo desinteressado de quem me quis como amigo.
Servi sempre a amizade; nunca me servi da amizade.
Para mim, o Amor é a sublimidade da Vida. E o bem maior da minha vida.

4.
Escrevo desde que sei escrever. Leio desde que sei ler; antes ouvia ler. A minha infância foi embalada pelas lendas das Mil e uma noites. Talvez devido a essa influência, adoro ler Poesia e tento escrever poesia. Do que escrevo, há quem goste; e há quem não goste. Não sou nem quero ser senão o que sou e sempre fui.

5.
No meu mar de sonho, cá vou, de naufrágio em naufrágio, perdendo-me nos braços da sereia que está sempre à minha espera.

6.
Como ser humano, sou da Humanidade.
Como terráqueo, reclamo-me da Terra toda.

Por ser verdade, aqui fica, para que conste.
Tuphy Mass
Gabriel de Fochem
José-Augusto de Carvalho




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sexta-feira, março 21, 2008

É Tempo Ainda... (Contra o veneno da rotina)

Imagem de ISABEL FILIPE



É tempo ainda, Amor
de retomar
a viagem que iniciámos
juntamente.

De voltar ao fluir
do nosso rio,

de recerzir o tempo
fio a fio,

de reatar o passado
no presente.

É tempo ainda, Amada
de acordar.
Redescobrir
sentidos
novos nas palavras.

Reencontrar
esquecidos
gritos nos silêncios.
Renovar
o antigo frescor das madrugadas .

É tempo ainda, Amor
de avivar
a memória de gestos
já perdidos ...

O sabor
de antigos sonhos
recriar ...

Reinventar o amor
e incendiar
a adormecida chama dos sentidos,

0 entrelaçar dos dedos
a ternura
da troca de um olhar

O estilhaçar dos medos
na aventura
dos corpos penetrar.

A procura
das bocas, numa fome
nunca satisfeita de beijar ...

É tempo ainda, Amiga,
É tempo ainda.
É tempo ainda de voltar !


António Melenas

quarta-feira, março 19, 2008

Morreu António Melenas - Escritos Outonais






Soube agora que António Melenas (António Joaquim Gouveia) morreu.
Um lutador pela Liberdade e um Amigo que não resistiu e foi vítima de doença (Macroglobulinemia de Waldenström (no sangue)).Faleceu em 16 de Março, pelas 22h. O seu funeral foi ontem para o cemitério do Feijó.
Os seus ESCRITOS OUTONAIS são a prova do bem querer dos amigos que se encantavam com as suas histórias lidas e relidas.

Pode ouvir uma homenagem a António Melenas em Estúdio Raposa

O neto, João Gouveia, compromete-se a publicar as partes restantes de "o Tempo das Hienas" que António Melenas estava publicando.


Paz à sua Alma!

sexta-feira, março 14, 2008

Esperando

Foto de Valerie Velikov



Esperei tanto, tanto, meu amor …
As horas que passaram nem eu sei…
… E não chegaste … E veio depois a dor
Queimar-me as ilusões que alimentei ! …


Dulcificou-se a minha funda mágoa,
Enquanto veio a noite silenciosa …
Ficaram-se os meus olhos rasos de água,
E a minha alma enlutou-se mais saudosa !


E pela noite fora arquitectei
Novas quimeras, novas ilusões,
Em sonhos mentirosos que sonhei …
Em loucas e fantásticas visões !


E, enquanto a noite vai e o dia vem,
Desperta a dor que o meu olhar define,
No sol duma esperança que não tem
Riso que a aqueça e amor que a ilumine!


Tarde de mais, amor, tenho a certeza,
Hás-de voltar… mas, crê que te lamento,
Porque tua será minha tristeza,
E há-de esmagar-me o peito o meu tormento !




JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO

Nascido aos 25 de Janeiro de 1919

Ponta Delgada - Ilha de
S. MIGUEL - AÇORES

segunda-feira, março 10, 2008

Madrigal Melancólica

Alda Gomes-Olhares



Dedicado aos Amigos/as Brasileiros que gentilmente me visitam.


O que eu adoro em ti
Não é sua beleza
A beleza é em nós que existe
A beleza é um conceito
E a beleza é triste
Não é triste em si
Mas pelo que há nela
De fragilidade e incerteza

O que eu adoro em ti
Não é a tua inteligência
Mas é o espírito sutil
Tão ágil e tão luminoso
Ave solta no céu matinal da montanha
Nem é tua ciência
Do coração dos homens e das coisas

O que eu adoro em ti
Não é a tua graça musical
Sucessiva e renovada a cada momento
Graça aérea como teu próprio momento
Graça que perturba e que satisfaz

O que eu adoro em ti
Não é a mãe que já perdi
E nem meu pai
O que eu adoro em tua natureza
Não é o profundo instinto matinal
Em teu flanco aberto como uma ferida
Nem a tua pureza. Nem a tua impureza
O que adoro em ti lastima-me e consola-me
O que eu adoro em ti é A VIDA !!!



Manoel Bandeira

sábado, março 08, 2008

A MULHER







Ó mulher! Como és fraca e como és forte!
Como sabes ser doce e desgraçada!
Como sabes fingir quando em teu peito
A tua alma se estorce amargurada!

Quantas morrem saudosas duma imagem
Adorada que amaram doidamente!
Quantas e quantas almas endoidecem
Enquanto a boca ri alegremente!

Quanta paixão e amor às vezes têm
Sem o nunca confessarem a ninguém
Doces almas de dor e sofrimento!

Paixão que faria a felicidade
Dum rei; amor de sonho e de saudade,
Que se esvai e que foge num lamento!


Florbela Espanca

quarta-feira, março 05, 2008

Nas margens do poema

Foto Cátia Peixe-Olhares



Quero-te para além dos meus poemas,
numa imensidão que nos dá vida.
Amar-te nas formas mais supremas,
mergulhar na tua alma enternecida

Quero decifrar no olhar inquietante
os desejos que trazes escondidos
no sorriso doce, sensual e intrigante,
desses lábios rubros, enlouquecidos.

Quero as fantasias ainda não sonhadas
nas labaredas que ardem no teu peito,
que pressinto no teu corpo desejadas
em noites de amor louco no teu leito.

Sonha comigo o sonho que há em ti,
na ternura da noite pela noite acima,
que tudo absorve e concentra em si
e verás quanto amor há em cada rima.


Albino Santos

sábado, janeiro 19, 2008

Chegou a hora do ...




A D E U S


É um adeus...

Não vale a pena sofismar a hora!

É tarde nos meus olhos e nos teus...

Agora,

O remédio é partir discretamente,

Sem palavras,

Sem lágrimas,

Sem gestos.

De que servem lamentos e protestos

Contra o destino?

Cego assassino

A que nenhum poder

Limita a crueldade,

Só o pode vencer a humanidade

Da nossa lucidez desencantada.

Antes da iniquidade

Consumada,

Um poema de líquido pudor,

Um sorriso de amor,

E mais nada.


Miguel Torga



Na hora do ADEUS agradeço a todas as Amigas e a todos os Amigos a sua companhia, os seus comentários, a sua amizade. Levo-os no coração. Recordá-los-ei com saudade.

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Tarde...


Foto de Dimitar Dimitrov


Partiste no explendor da mocidade,
E esperei que voltasses novamente.
Escrevias dizendo: _Brevemente..._,
E esperei uma longa eternidade.

Anos depois tu voltas, finalmente;
E a mim mesmo pergunto se é verdade.
Porque sinto mais viva esta saudade
Do que no tempo em que estiveste ausente

Em vez d'essa alegria tão sonhada,
Olhámo-nos, os dois, sem dizer nada.
E cada qual de nós ficou mais triste.

Adivinhaste... e eu adivinhei:
Perguntas-me, talvez: _Porque voltei?_
E eu só te sei dizer: _Porque partiste?


Espínola de Mendonça ( 1891-1944 )

terça-feira, janeiro 15, 2008

É um blog muito bom, sim senhora




Acabo de receber mais um prémio "É um blog muito bom, sim senhora" vindo do maravilhoso ART & DESIGN DE ISABEL FILIPE
Um agradecimento muito sincero à Isabel para quem envio um beijo amigo.


1 - Este prémio deve ser atribuído aos blogs que considerem serem bons, entende-se como bom os blogs que costuma visitar regularmente e onde deixa comentários;
2 - Só e somente se recebeu o 'É um blog muito bom sim senhor, deve escrever um post incluindo: a pessoa que lhe deu o prémio com um link para o respectivo blog; a tag do prémio; as regras; e a indicação de outros 7 blogs para receberem o prémio;
3 - Deve exibir orgulhosamente a tag do prémio no seu blog, de preferência com um link para o post em que fala dele;



E agora os meus nomeados:

1- BICHO DE CONTA

2- KALINKA

3- DE AMOR E DE TERRA

4- LISA, A ROMÂNTICA

5- MOMENTOS...

6- MARIA VISITA O REINO DE ESTHER

7- PAIXÕES E ENCANTOS

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Companheira

Foto de Marta Bucher - Olhares



Deixei pousar minha boca em tua fronte
toquei-te a pele como se fosses harpa
escorreguei em teu ventre como o vento
e atravessei-te em mim como se fosse farpa

Deixei crescer uma vontade devagar
deixei crescer no peito um infinito
morri da morte lenta do desejo
e em cada beijo abafei um grito

Quando desfolho o livro velho da memória
sinto que o tempo passado à tua beira
é um espaço bom que há na minha história
e foi bonito ter dito companheira

Inventei mil paisagens no teu peito
rebentei de loucura e fantasia
quando me olhavas devagar com esse jeito
e eu descobri tanta coisa que não vias

Havia em ti uma forma grande de incerteza
que conseguias converter em alegria
havia em ti um mar salgado de beleza
que me faz sentir saudades em cada dia

Quando desfolho o livro velho da memória
sinto que o tempo passado à tua beira
é um espaço bom que há na minha história
e foi bonito ter dito companheira


PEDRO BARROSO

quarta-feira, janeiro 09, 2008




O Blog "Com Amor" de Marta Vinhais entendeu distinguir o Lumife com o selo "Escritores da Liberdade".
Grato lhe fico ainda que ache imerecida a distinção.Na verdade escrevo pouco transmitindo mais o que os bons Homens de letras nos têm legado.
Segundo as regras passarei o título a 10 blogs que escolhi entre muitos que também o mereciam.
Aproveito a oportunidade para convidar os meus visitantes a deslocarem-se aos blogs agora premiados.

01- NÃO HÁ RIOS IGUAIS de MADALENA PESTANA.

02- CARTAS SEM VALOR de CHARLIE.

03- ALICERCES de HELENA F. MONTEIRO.

04- CHUVISCOS de JOSÉ GOMES.

05- AMORALVA de JORGE VICENTE.

06- ADESENHAR de HENRIQUE

07- AS MINHAS ROMÃS de PAULA RAPOSO.

08- BLOG DO BARÃO 2 de FRANCISCO PEREIRA.

09- FANTASIAS de TERESA DAVID.

10- ESTRANHOS DIAS E CORPO DE DELITO de TMARA

domingo, janeiro 06, 2008

Onde estás ?



Foto de Paulo Cesar - Olhares


É meia-noite... e rugindo
Passa triste a ventania,
Como um verbo de desgraça,
Como um grito de agonia.
E eu digo ao vento, que passa
Por meus cabelos fugaz:
"Vento frio do deserto,
Onde ela está? Longe ou perto?"
Mas, como um hálito incerto,
Responde-me o eco ao longe:
"Oh! minh'amante, onde estás?. . .


Vem! É tarde! Por que tardas?
São horas de brando sono,
Vem reclinar-te em meu peito
Com teu lânguido abandono! ...
'Stá vazio nosso leito...
'Stá vazio o mundo inteiro;
E tu não queres qu'eu fique
Solitário nesta vida...
Mas por que tardas, querida?...
Já tenho esperado assaz...
Vem depressa, que eu deliro
Oh! minh'amante, onde estás? ...


Estrela — na tempestade,
Rosa — nos ermos da vida;
lris — do náufrago errante,
Ilusão — d'alma descrida!
Tu foste, mulher formosa!
Tu foste, ó filha do céu! ...
... E hoje que o meu passado
Para sempre morto jaz...
Vendo finda a minha sorte,
Pergunto aos ventos do Norte...
"Oh! minh'amante, onde estás?..."



(António de Castro Alves - 1847/1871)

quinta-feira, janeiro 03, 2008

As Palavras

Foto de António Carreteiro - Olhares




São como um cristal, as palavras.
Algumas, um punhal, um incêndio.
Outras, orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam: barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes, leves.
Tecidas são de luz e são a noite.
E mesmo pálidas verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta?
Quem as recolhe, assim, cruéis, desfeitas, nas suas conchas puras?


Eugénio de Andrade

terça-feira, dezembro 18, 2007

Votos de Boas Festas





PRESÉPIO

A noite era fria
Mas bem estrelada,
A geada caía
Na terra molhada.

No estábulo deitado
Com bafo aquecido,
Em panos enrolado
O Menino nascido.

A Virgem enlevada
Em gestos de amor,
Os anjos cantavam
Hinos de louvor.

Os Anjos cantavam
Chamando os pastores,
E eles abalaram
P`ra adorar o Senhor.

S. José bem feliz
A todos sorria,
Junto do Menino
E da Virgem Maria.

Os Magos chegaram
Olhando a estrela,
O Menino louvaram
E prendas ofereceram.

O Menino nasceu
Em palhas deitado,
Mostrando humildade
Foi assim adorado.

Presépio é recordação
Do primeiro Natal,
Em que Amor e União
São o elo principal.


Olinda Bonito - (12/07)


MEUS VERSOS

MEUS VERSOS de ALBANO MARTINS . Meus versos, gritos do vento nas ramagens,   são a minha própria alma angustiada   a refletir imagens  ...