quarta-feira, agosto 10, 2011

NOCTURNO





Espírito que passas, quando o vento
Adormece no mar e surge a Lua,
Filho esquivo da noite que flutua,
Tu só entendes bem o meu tormento...

Como um canto longínquo – triste e lento –
Que voga e subtilmente se insinua,
Sobre o meu coração, que tumultua,
Tu vertes pouco a pouco o esquecimento...

A ti confio o sonho em que me leva
Um instinto de luz, rompendo a treva,
Buscando, entre visões, o eterno Bem.

E tu entendes o meu mal sem nome,
A febre de Ideal, que me consome,
Tu só, Génio da Noite, e mais ninguém!"

ANTERO DO QUENTAL

3 comentários:

MARIA disse...

" E tu entendes o meu mal sem nome " ...
Como é profundo e belo neste poema Antero de Quental.

tulipa disse...

Olá querido amigo

nem sei como
vim cá ter
e recordar outros tempos
que era assídua visitante.

Por vezes
perdemo-nos
e, um dia
regressamos.

Gosto de Antero de Quental,
obrigado pela partilha.

Leio
várias pessoas dizendo
que todos nós temos,
num dado momento,
vontade de nos afastarmos deste mundo virtual,
onde às vezes a mentira e a intriga crescem como ervas daninhas.

Já pensei afastar-me daqui,
mas não consegui.
Fechei o kalinka
e, que fiz eu?
Abri logo 2 blogues
em vez de um...
Porque a necessidade de escrever e partilhar é muito maior.
E cá estou
e estarei enquanto puder.

EU PRECISO.

Hoje convido a ver
o que captei ontem
assim que cheguei ao local
onde se faziam os preparativos
para a REGATA no Tejo.

Improvisei
umas palavras minhas
juntei às imagens que fiz
e...eis um novo post.

Agradeço que veja
e, muito sinceramente
dê a sua opinião.

abraços
de muita amizade.

José Gonçalves Cravinho disse...

Não sou poeta mas gosto de poesia.
E aqui vai uma à laia de desabafo.

O dia ainda tardava,
e o camponês caminha,
p'ró trabalho que distava,
e a chuva cai miudinha,
ao nascer do Sol,começava
o labor,até à noitinha.
Mas se a chuva não parava,
sua faina então largava.

Mas por vezes acontecia,
após grande caminhada,
dada a chuva que caía,
ficar a roupa encharcada,
e esperando que o Sol viria,
p'ra poder ganhar a jornada.
Mas se a chuva não parar,
volta a casa sem ganhar.

Como não bastasse o cansaço,
pela enorme caminhada,
e não dobrar o espinhaço,
devido à grande chuvada,
nem dinheiro p'ró bagaço,
tinha,e em casa agastada,
dizia-lhe então a mulher:
-Pois seja o que Deus quizer!.

Mesmo de sol a sol trabalhando,
levando uma vida amargurada,
o camponês mal ia ganhando,
para comporar a sua enxada,
e o merceeiro lá ia fiando,
pois a jornada era minguada.
Só o médio ou grande lavrador
lucravam com a penúria e a dôr.