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sexta-feira, agosto 11, 2017

AQUELA RUA ...




Aquela rua...
Que saudades... daquela rua.
A rua minha e tua.
Comprida ou curta...
Comprida para chegar
E ver o teu olhar.
Curta ao abalar...
Num instante
Perdia o teu olhar.
Naquela rua...
Mesmo com escuridão
Brilhava o teu coração.
Naquela rua...
Nas noites do luar
Havia amor a soltar.
Naquela rua...
As minhas mãos
Procurando a tua.
Naquela rua...
Uns lábios doces
Cor de amora...
Naquela rua...
Os beijos longos
Tinham demora.
E um dia...
Aquela rua...
Minha e tua,
Ficou só,
Vazia e nua.
Hoje, olho a rua
E as pedras que pisei,
Falam-me do tempo
Que tanto amei.
Olinda Bonito
14/03/06




Foto de Tatyana Solenikova 

terça-feira, dezembro 18, 2007

Votos de Boas Festas





PRESÉPIO

A noite era fria
Mas bem estrelada,
A geada caía
Na terra molhada.

No estábulo deitado
Com bafo aquecido,
Em panos enrolado
O Menino nascido.

A Virgem enlevada
Em gestos de amor,
Os anjos cantavam
Hinos de louvor.

Os Anjos cantavam
Chamando os pastores,
E eles abalaram
P`ra adorar o Senhor.

S. José bem feliz
A todos sorria,
Junto do Menino
E da Virgem Maria.

Os Magos chegaram
Olhando a estrela,
O Menino louvaram
E prendas ofereceram.

O Menino nasceu
Em palhas deitado,
Mostrando humildade
Foi assim adorado.

Presépio é recordação
Do primeiro Natal,
Em que Amor e União
São o elo principal.


Olinda Bonito - (12/07)


terça-feira, novembro 28, 2006

Foto de Robert Socha




NOSTALGIA




Quantos sóis e luas passaram
Anos e anos feneceram,
Quantas marés teve o mar
Quantos amores se perderam?

Se a Lua pudesse contar
As noites de abandono,
Contava ondas do mar
Que nunca têm retorno.

Mesmo o sol iluminando
O mais azul dos céus,
Um amor e desenganos
Escurecem um lindo véu.

Anos e anos passados
Presente em pensamento,
Estiveste a meu lado
Mesmo estando ausente.

As marés que teve o mar
Nunca ninguém as contou,
Os beijos que te quis dar
Foi o vento que os levou.

Quando a lua tapa o sol
O dia fica em escuridão,
O amor que não vivi
Tornou a vida em solidão.


(Olinda Bonito 05/06)

domingo, outubro 29, 2006

Falls embrace de Lauri Blank





AMORES DE VERÃO


A areia era branca,
Plumas de gaivota
Leves e fugidias
Adornavam a praia.

Uma praia de sonho.

O nosso amor ali,
Puro como a areia
Que o mar lança nas ondas,
Incandescente e forte
Como o vermelho do céu
No pôr-do-sol à noitinha.

E,quando a noite chegava
E brisa ligeira surgia,
A adrenalina da felicidade
Fazia voar os pensamentos,
E juntos sonhávamos no tempo.

O Inverno aproximou-se.

Com ele a tristeza dos dias,
A brisa tornou-se forte
Afastou as plumas das gaivotas,
As ondas em turbilhão
Levaram a areia e os sonhos.

O Sol arrefeceu.

Não havia pôr-de-sóis rubros,
E destruídos pelo vento gélido
Foram-se os sonhos ardentes
E o amor veemente,
Que nos deixaram na alma
A melancolia da desilusão,
Dum amor enterrado na areia
Numa praia de sonho
Adornada de plumas de gaivota.


(Olinda Bonito -08/06)

segunda-feira, setembro 11, 2006

Outono - Pintura de José Malhoa (1919)



SETEMBRO

Na poeira dourada
Que o tempo criou,
As vidas, sem vida
Voam procurando
As folhas do passado,
Que em nossas vidas
Como folhas de Outono
Douradas p`lo Sol
E quentes de saudade,
Recordam o tempo
Dos amores presentes,
Que por leves brisas
Na ironia da vida
Tornámos ausentes.

Ao chegar Setembro
Na doce calma
Dum Outono ardente,
Nossos olhos fitos
Em recordações,
São beijos trocados
Por namorados,
Que em folhas douradas
Voaram no tempo.



(Olinda Bonito - 08/06)

terça-feira, agosto 29, 2006






Pensamento


Além longe ,onde o sol se põe,
Não se vislumbra o firmamento,
Em nossa ilusão,o pensamento
Abala, acaba , não se repõe.

Quando a luz enfim desaparece,
Além longe ,atrás daqueles montes,
Chega até nós , o barulho das fontes,
As palavras doces do entardecer.

Hora dos amantes que com agruras,
Misturam seu amor e amarguras,
Sentem noite em seus pensamentos.

Beijam-se sequiosos de prazer,
E não sentindo a alma sofrer,
Esquecem a noite e o sofrimento.


(Olinda Bonito -Agosto 05)

segunda-feira, agosto 14, 2006

Foto de Stefan Haffner





TARDE



É tarde?...não sei…

Muitos ocasos passaram,
Mas madrugadas claras
Renovam-se todos os dias,
E dentro de nós a paixão
Que tu ou eu não quisemos,
E que julgámos passado
É uma dor latente
Que nos torna em ausentes
Do mundo que agora nosso
Sentimos não nos pertence.

A madrugada clara,
Que deixámos abalar,
Tornou-se escuridão
Que não queremos aceitar.

Embora com luz difusa
Os dias vão-se passando,
O teu olhar, esse não,
Não me sai do pensamento,
E os beijos que nesse tempo
Procurávamos ansiosos,
São hoje a recordação
Que sentimos bem presente
Do tempo que radioso
Tornámos escuridão.



OLINDA-05/06

terça-feira, agosto 01, 2006

Foto de João Carlos Espinho





ALENTEJO

No meio da planura
De céu azul e carmim
Cresci eu, a desventura
E uma réstea de esperança,
Que as Primaveras vividas
Felizes e bem sentidas,
Fossem auroras claras
Dum Verão ardente
Num Alentejo bem quente,
Que incendeia o coração
E a alma desta gente,
Que olha o Outono
Não, como um retorno,
Mas como a aventura
Duma nova viagem,
Tendo em si a miragem
Que do castanho do arado
Virá uma vida nova,
Que a todos lembrará
Que a vida, como o Alentejo
É esperança e amargura,
Coragem e renovação,
Como a força desta gente
Que está sempre presente
P`ra que o trigo dê pão.



(Olinda Bonito - 06/06)

domingo, julho 30, 2006

Foto Sensitivelight



AMAR

Amar é sentir,
Sentir o teu coração.

Amar é dar,
Oferecer o meu olhar.

Amar é perder,
Quando sentimos sofrer.

Amar é vaidade,
Na hora da mocidade.

Amar é dor,
Se não nos dão amor.

Amar é repartir,
O meu e o teu sentir.

Amar é beleza,
Se amamos sem tristeza.

Amar é perdão,
Se nos ferem o coração.

Amar é viver,
Dar e receber.

Amar é felicidade,
Juntos pela idade.

Amar é doação.
Entrega total
E muita dedicação.



(Olinda Bonito 03/06)

sábado, julho 22, 2006

Foto de Katrin Taepke - (enjoy the silence)





VAZIO



Olho,
Não te vejo.

Falo,
Não te ouço.

Quero-te?
Não sei.

Existes?
Só em sonho.

E é para ti
Este poema…
Sem voz,
Mas com amor.

Sem olhar,
Mas com ternura.

Com tristeza.
Sem rancor.

Com saudade
Do teu calor.

Sei…
Sei que te quis.

Sei que és
A ilusão
Duma ternura
Doce e pura,
Que não terá amanhã.

06/07



(Olinda Bonito)

sexta-feira, maio 26, 2006





“A vila era longe… Era longe Alvito…”

Talvez o poeta, quem sabe, tivesse usado este início do seu poema para lembrar que o moderno meio de transporte tinha a sua paragem distante desta vila.
Quase meia légua, separava a estação do caminho de ferro da povoação.
A maioria dos passageiros vinha visitar a família. Com eles traziam e levavam malas e caixotes, às vezes bem carregados, que não era fácil transportar num percurso que embora não muito longo, subia… subia… até à vila.

Na estação, esperando os conhecidos passageiros ou algum “caixeiro-viajante”, lá estavam o Quinito (foto acima) e o Afogadinho (como era conhecido). Transportavam com alegria e zelo todos os que chegavam.
Havia sempre lugar para mais um embora se desse mais um apertão.
A viagem era calma, alegre e por vezes perfumada dum “perfume muar” que hoje já poucos lembram.
Os anos passaram. Os tempos mudaram. Embora o comboio ainda passe já não pára.
Os “CHURRIÕES” do “Quinito” e do “Afogadinho” foram arrumados.
Também foram arquivadas nas nossas memórias as recordações das novidades que nos contavam nessas “célebres viagens”.
Restam-nos saudosas lembranças de quem deu muito da suas vidas para facilitar as nossas viagens.

Bem hajam!


Urge fazer a história dos costumes de Alvito…


Olinda

quarta-feira, março 08, 2006

Olhares-foto de David Caretas




Mulher

No dia que aceitares
Aquilo que a vida te der,
Nunca mais terás revolta,
Serás, juro, uma mulher.

Aquela que não se importa
Que o Mundo grite de si,
Mostrando aquilo que é,
Tornará alguém feliz.


Darás ajuda a qualquer,
Sem esperares recompensa,
Porque tu és consciência
És bondade e paciência.


És uma alma liberta
Procurando vida aberta,
Porque no teu coração
Não mora a ingratidão.



Olinda
Março/05






Flores para as Mulheres que me visitam.




PENSO EM TI (eu sei)


Eu sei
Lá fora a chuva cai
O sono já lá vai
Outra vez eu te amei
Eu sei
(Penso em ti, penso em ti)
Quando o sol nascer
(Penso em ti, penso em ti)
Vou ter que perder
O medo de te dizer

Sou eu que vai mudar
Sou eu quem vai sair
Talvez até‚ chorar
Não sei
O que está p'ra vir
Talvez eu vá mentir
O que lá vai, lá vai
Lá fora chuva cai...

Eu sei
(penso em ti, penso em ti)
Que a tristeza vem
(penso em ti, penso em ti)
Ao deixar alguém
A quem tanto me dei
Eu sei
(penso em ti, penso em ti)
Talvez eu vá perder
(penso em ti, penso em ti)
Doa a quem doer
Vou ter que te dizer: Não!

Sou eu quem vai mudar
Lá fora chuva cai
Sei
Sou eu quem vai mudar
Sou eu quem vai sair
Talvez até‚ chorar
Não sei
O que está p'ra vir
Talvez eu vá mentir
O que lá vai, lá vai
Lá fora chuva cai...

(Adelaide Ferreira)

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

SOLIDÃO



De noite a mente vagueia
Entre sonhos do passado,
Sonhamos de alma cheia
O tempo que fomos amados.

Foram tempos de loucura,
Aqueles que então vivemos.
Sentíamos amor ternura
Por aqueles que não esquecemos.



Dávamos as mãos e seguíamos
Os sonhos que então vivíamos,
Pensando ser hora certa.

Mas o tempo foi passando,
Outros amores encontrando
Deixam-nos a vida deserta.

01/06
(Olinda)



Foto de António Durães-1000Imagens

quarta-feira, janeiro 25, 2006




ADEUS…


Além longe, atrás daquele monte,
lá bem fundo,onde o Sol se esvai,
há searas doiradas,e defronte
um rio ,salgueiros e cantam pardais.



Há vida, há Natureza,há calor,
deste lado o Mundo arrefeceu,
o Homem destruiu sem amor
tudo o bom que a Natureza deu.




Foi-se o verde lindo dos trigais,
a mancha vermelha das papoilas,
a água a correr nos milheirais,
não se ouvem cantigas de moçoilas.



Há máquinas infernais assobiando,
o seu som por entre a pedraria,
escavam,partem e vão levando
o ventre da Terra, dia após dia.



Há fumo, cinza, desilusão,
A Terra esventrada dá tristeza,
Há estradas, um Mundo de betão,
Deixou de se ouvir a Natureza.

OLINDA
01/06

quarta-feira, julho 20, 2005

Saudade imensa

Recebi da Olinda, amiga de longa data e companheira de muitos bons momentos, vividos na terra que trago no coração, este poema que não resisti em publicar.


Lembras-te ?

Eras criança grande …

Tinhas sonhos, ilusões,

Que tu acalentavas,

Dentro dos livros que usavas.

Tinhas amores reprimidos,

Que te faziam sonhar,

Tinhas momentos vividos,

Que não podias contar.




Anos passados...

Depois...

De tudo podes falar.




Da amizade que nos unia ,

Das «partidas» que fazíamos,

Dos pontos que copiávamos,

Dos amores que escondíamos,

Pelos colegas que amávamos.




Anos passados...

Depois...




Neste dia encontrámos,

Os jovens que então fomos,

E,lembrando o passado,

Recordámos lado a lado,

Numa saudade imensa,

Sem mágoa e em presença.

Os jovens que foram passado.

(Olinda B.)

INÚTIL PAISAGEM de ANTONIO CARLOS JOBIM

  Mas pra quê? Pra que tanto céu? Pra que tanto mar? Pra quê? De que serve esta onda que quebra? E o vento da tarde? De que serve a tarde? I...