Eu não voltarei. E a noite morna, serena, calada, adormecerá tudo, sob sua lua solitária. Meu corpo estará ausente, e pela janela alta entrará a brisa fresca a perguntar por minha alma.
Ignoro se alguém me aguarda de ausência tão prolongada, ou beija a minha lembrança entre carícias e lágrimas.
Mas haverá estrelas, flores e suspiros e esperanças, e amor nas alamedas, sob a sombra das ramagens.
E tocará esse piano como nesta noite plácida, não havendo quem o escute, a pensar, nesta varanda.
JUAN RAMÓN JIMÉNEZ (1881 – 1958) (Prémio Nobel da Literatura 1965)