Primeiro dia de Outono. Primeira névoa de mágoa Nos meus olhos rasos, mudos De tristeza e de abandono Onde o sonho é nostalgia...
O sol enfraqueceu - está doente; E a paisagem parece adormecida Na sua diluída rebeldia.
Um desalento vago, uma incerteza Cinge o teu gesto sóbrio de quem busca Uma nova ilusão para vencer... A natureza mostra o derradeiro Sorriso nos jardins... Tudo esmorece Na graça deste lindo anoitecer!
Não ponhas essa dúvida na fronte, Não entristeças, ri - foge ao compasso Das longas atitudes lentas; Reforça mais o teu riso E pensa que na vida quem é forte Retarda as intenções mortais da própria morte.
Outono! A sombra é a luz Em prece de saudade! Abre a janela e vê se o mundo não disfarça Os seus motins de sangue neste silêncio d'oiro Que vem do infinito...
Não falas? E porquê?
Tudo isto que eu te digo E o mais que no meu peito me fica por dizer, Amor, pode ser triste, Mas olha que é verdade E tem razão de ser!