Esperei tanto, tanto, meu amor … As horas que passaram nem eu sei… … E não chegaste … E veio depois a dor Queimar-me as ilusões que alimentei ! …
Dulcificou-se a minha funda mágoa, Enquanto veio a noite silenciosa … Ficaram-se os meus olhos rasos de água, E a minha alma enlutou-se mais saudosa !
E pela noite fora arquitectei Novas quimeras, novas ilusões, Em sonhos mentirosos que sonhei … Em loucas e fantásticas visões !
E, enquanto a noite vai e o dia vem, Desperta a dor que o meu olhar define, No sol duma esperança que não tem Riso que a aqueça e amor que a ilumine!
Tarde de mais, amor, tenho a certeza, Hás-de voltar… mas, crê que te lamento, Porque tua será minha tristeza, E há-de esmagar-me o peito o meu tormento !