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quinta-feira, fevereiro 09, 2012

LEMBRANÇA





Flor tão pura da madrugada,
Tive-a nas mãos!
Deixei-a ir
No vendaval…

Eu ia cego
Na ínvia estrada,
Envolto em sombras
E pesadelos…
Eu ia pálido
E já vencido.
Ela passou
E pôs as mãos
Na minha alma,
E descerrou
Ao meu olhar
- Ó luz tão bela -
O sol da vida.

Grácil flor
Nasceu um dia
Na minha estrada.
Cingi-a ao peito:
E as minhas chagas
Ela beijou!

Foi um instante.

Deixei-a ir…

E fiquei só.


LUIS AMARO

Foto de Ricardo Labastier

quinta-feira, dezembro 01, 2005

Retrato




Um silêncio, um olhar, uma palavra:

Nasceste assim na minha vida,

Inesperada flor de aroma denso,

Tão casual e breve...





Já te visionara no meu sonho,

Imagem de segredo, esparsa ao vento

Da noite rubra, delicada, intacta.

E pressentira teu hálito na sombra

Que minhas mãos desenham, inquietas.





Existias em mim. O teu olhar

Onde cintila, pura, a madrugada,

Guardara-o no meu peito, ó invisível,

Flutuante apelo das raízes

Que teimam em prender-te, minha vida!




(Luis Amaro)

quarta-feira, novembro 30, 2005

"Ainda Refulge ..."





Ainda refulge a chama

que perturbou um dia meus sentidos?



Não se apaga jamais

a luz de certo olhar que em segredo amei?



Chora, em meu coração,

a nostalgia do bem com que sonhei?



Da noite, abismo imenso,

oiço indistinta voz chamar por mim?



O que me falta e inquieta

serás tu, de quem não sei o nome?



Ou todo o sonho erguido é cinza ao vento,

estrela fria, cada vez mais longe

do puro silêncio em que se esvai a vida?



(Luís Amaro)

sexta-feira, agosto 19, 2005

"Ainda Refulge..."



Ainda refulge a chama

que perturbou um dia meus sentidos?


Não se apaga jamais

a luz de certo olhar que em segredo amei?


Chora, em meu coração,

a nostalgia do bem com que sonhei?


Da noite, abismo imenso,

oiço indistinta voz chamar por mim?


O que me falta e inquieta

serás tu, de quem não sei o nome?


Ou todo o sonho erguido é cinza ao vento,

estrela fria, cada vez mais longe

do puro silêncio em que se esvai a vida?


(Luis Amaro - Natural de Aljustrel)
Foto da Net


INÚTIL PAISAGEM de ANTONIO CARLOS JOBIM

  Mas pra quê? Pra que tanto céu? Pra que tanto mar? Pra quê? De que serve esta onda que quebra? E o vento da tarde? De que serve a tarde? I...